25/07/16

Rapaduras de Santana 2016 - 4ª viagem de bicicleta Natal-Caicó

Caros Rapaduras;

Foi a nossa quarta viagem Natal-Caicó para homenagear os festejos de Nossa Senhora de Sant´Ana.
Desta feita saímos do Posto Emaús às 05h45min, seguindo pelas BRs 101/304 até Macaíba. Entramos à esquerda na RN 160 e fizemos nossa primeira parada após 17 Km, no Baobá de Jundiaí. Todo mundo animado, pedalando ritmado, seguimos viagem pela rodovia. Mais adiante, aproveitando uma sombra de uma igrejinha na comunidade de Cana Brava, fizemos nossa primeira parada de apoio e tivemos a oportunidade de conhecer o primeiro produto orgânico da Macadâmia, empreendimento do nosso amigo Paulo Victor, que escolheu nosso grupo para experimentar deliciosos alimentos preparados para quem pratica atividades esportivas e curte uma comida saudável, sem glúten/lactose e forte teor de energia. Em breve os produtos estarão sendo comercializados e por enquanto quem tiver interesse em conhecer é só manter contato via WhatsApp (Paulo Victor (84)98811-1110).
Energizados e motivados entramos à direita na RN 315, passamos por Traíras e fomos até o final do asfalto, iniciando o trecho de trilha, programado para evitar as obras na Reta Tabajara, diminuindo assim os riscos no trânsito. Pedalamos cerca de 11 Km em trecho arenoso e alcançamos o Sítio de Dona Alice (vó da nossa colega Juliana Cantero), local em que fomos recepcionados com um café da manhã que nos fez esquecer todas as agruras do trajeto. Com muita luta conseguimos deixar o lugar, mas tínhamos ainda uns 8 Km de areia pela frente, desta vez com a companhia de Flávio Cabelinho, que tinha ido antes para matar o bode, extrair os ovos das galinhas, fazer os sucos, coar o café, tirar o leite da vaca e fazer o cuscuz, tudo pensando no bem estar do grupo. 
Saímos de buchos cheios, debaixo de um sol escaldante e foi um alívio quando avistamos o asfalto da BR 226. Ouvi alguns comentários entre os ciclistas acerca de qual o nome mais adequado para batizar o trecho de trilha. Uns mencionaram Trilha Dona Inês (homenagem a minha mãe que foi muito lembrada durante o trajeto). Outros sugeriram Trilha do Arroz (em razão de uma plantação de arroz que foi vista na região. Confesso que não vi. Acho que foi mais o pessoal da Vassoura).
No caminho até Serra Caiada uma pequena parada na entrada de Elói de Souza para reagrupar. Ali encontramos o Pinto (Alexandre), cujo destino era Cruzeta para encontrar os Rapaduras Peregrinos. Foi logo avisando: "Se Helena não chegar na hora marcada vou atravessar a rua e dormir no cabaré".
Adentramos à cidade de Serra Caiada por volta de 11h30min, seguindo direto para a residência de nossa amiga Neta (a Fôia), que já nos esperava com familiares e amigos. Mais uma vez fomos brindados com muito suco, cocada, sanduíches, frutas e os ovinhos de Paulo Victor, mais um produto orgânico da Macadâmia. Deitamos no alpendre da casa, esperamos o sol baixar um pouco e deixamos o lugar com a maior preguiça.
A próxima parada foi em Tangará. Hidratação rápida e prosseguimento para enfrentar os 30 Km restantes. Nas proximidades do assentamento (cerca de 15 Km de Tangará) fizemos uma parada para reagrupar e encontramos nosso colega Marcelo, vindo de mais um dia de trabalho. Aproveitamos também para um banho gostoso no chafariz existente na comunidade.
O sino da igreja badalava distante quando entramos em Santa Cruz, algo em torno de 16h30min. Fizemos a tradicional foto da chegada e seguimos direto ao local de hospedagem (pousada Nova Aliança). O ponto de encontro foi o Bar do Galo, já tradicional local de resenhas dos Rapaduras de Santana. O momento agora foi para relaxar e a pedida principal foi tripa de porco, pois além de ser saborosa, a camada de sebo que fica armazenada no céu da boca serve para lubrificar a corrente da bicicleta no restante do trajeto.
Quando nos encaminhávamos para o Bar do Galo ouvimos uma incessante e insistente sirene anunciando a chegada de Alexandre Coveiro, ciclista de Carnaúba dos Dantas, que montou uma estação de rádio móvel em sua bicicleta (Bravo Charlie) e veio juntar-se aos Rapaduras. Cada integrante do grupo que chegava ao estabelecimento era saudado pelo locutor da Araponga.
A dormida foi tranquila e dessa vez não tivemos nenhum registro de intercorrências, talvez por ser época de defeso do suné em Santa Cruz do Inharé.
O segundo dia chegou e já estávamos no café da manhã da Panificadora Elite quando recebemos a visita do Frango Bom Todo (Fabinho), mais arrumado do que sacristão em dia de procissão. Cabelo puxado na brilhantina borora e todo perfumado no cacharel. Fizemos a foto da largada e deixamos Santa Cruz para mais uma perna da viagem.
No pé da Serra do Doutor (17 Km de Santa Cruz) fizemos uma parada para reagrupar e abastecimento com água, gelo e frutas, deixando todo mundo com mais disposição para encarar a subida. Chegamos no cume em grande estilo e o destaque foi para Erimar (Cabo TPM) pedalando a Bravo Charlie, devidamente escoltado por mim, Cabelinho do Bode e Alexandre Coveiro. Cláudia Celi gravou tudo em vídeo e fez até a locução. Se eu encontrar eu posto aqui.
A entrada em Currais Novos foi na maior "quentura" do mundo. Foi o maior alívio entrar na Churrascaria São Sebastião e aproveitar o ambiente climatizado. Mais uma vez o atendimento impecável, com comida boa e preço justo. 
Além do calor intenso outro fator contribuiu para sairmos mais tarde de Currais Novos. Houve um protesto de motociclistas, fechando as pontes da entrada e da saída da cidade, incendiando pneus e atravancando todo trânsito. Basta dizer que na saída para Acari tivemos que literalmente transpor o bloqueio, ao passo que os carros de apoio foram forçados a pegar um atalho por uma antiga estrada.
O trecho até Acari foi marcado pelo mormaço e pneus furados. Outro registro digno de nota foi a acentuada consciência ecológica de Doutor Othon. Saibam vocês que o nosso especialista em arrancar dente queixar ficou demasiadamente tocado com o processo de desertificação do Seridó e resolveu sair adubando tudo que era pé de algaroba no caminho, deixando a região toda fertilizada.
Em Acari fomos recepcionados por um grupo de radioamadores, os quais cuidaram de deixar o vendedor de picolé de prontidão, permitindo assim um "refresco" na viagem.
A próxima parada foi na Serra da Rajada (entrada de Carnaúba dos Dantas e Parelhas) e ali abastecemos nossas garrafinhas para enfrentar os quilômetros restantes até Jardim do Seridó.
Chegamos em Jardim por volta das 17h00min e como sempre fomos fazer a assepsia capilar com Zé Leite, o barbeiro mais tradicional da cidade. A noite fomos jantar na Rua do Canal e no retorno ao hotel ainda tivemos uma rápida noite de vinhos e queijos, somente interrompida pelo fato das duas garrafas trazidas por Doutora Vera Lúcia terem "evaporado" rapidamente. Registro, no entanto, os esforços de Cabelinho do Bode e Marcos Charuto procurando nas adegas de Jardim do Seridó algum vinho digno de consumo, mas achando somente San Marino e Padre Cícero da safra 2016. Se ao menos fossem de 2015 ainda teríamos coragem de encarar. 
Às 07h20min deixamos Jardim do Seridó e dava gosto de ver o azul das camisas dos Rapaduras de Santana contrastando com o cinza da caatinga. Agora, além da companhia de Alexandre Coveiro, contamos também com a presença de Virna Holanda, ciclista caicoense, que veio juntar-se ao grupo.
Pedalamos todos muito bem e chegamos em Caicó antes das 09h30min, sendo recepcionados na entrada pela Família Paraú e por parentes de Rossana Guessa. Fizemos os devidos agradecimentos, brindamos com água nossa chegada e seguimos no rumo da ASSEC, local em que nos juntamos aos demais ciclistas e fomos em cicloromaria à Catedral de Sant´Ana para recebermos as bençãos do Bispo de Caicó. No pátio da igreja tivemos a satisfação de encontrar com a Garota Molhada do Rapadura Biker (Marice), que sempre nos recebe com um caloroso abraço, seu Bira (pai de Uila), Doutor Eloísio (amigo de Verinha e Juninho) e com os Rapaduras Peregrinos, estes adentrando o oitão no exato momento em que Claudia Celi expressava as palavras de agradecimento em nome dos ciclistas. Foi tudo muito emocionante.
Após as bençãos voltamos à ASSEC, almoçamos e tomamos o rumo de casa.
É isso, mas uma viagem de sucesso do Grupo Rapadura Biker. 
Ciclistas que participaram: (Álvaro, Alzinália, Bené (carro de apoio) Benilton, Berg, Carlson, Claudia Celi (carro de apoio), Eduardo Campos, Erimar, Flávio Abeane, Gislaine, Graco, Josias, Juninho, Marcos Costa, Márcio Diógenes, Milena, Neto Palhares, Othon, Patrícia, Rochinha, Rossana Guessa, Suzy, Serginho, Uilamy e Wagner) Juntaram-se ao grupo ad referendum da "Deretoria": Aline, Alexandre (apoio) e Wolney.
Reunião preparatória no dia 20 de julho de 2016.

Saída do Posto Emaús em 22 de julho de 2016.

Baobá de Jundiaí.

Igrejinha em Cana Brava.

Café da manhã no Sítio de Dona Alice.

Lanche em Serra Caiada.

Serra Caiada.

Chegada em Santa Cruz.

Parada do apoio na BR 226 - casa de Dona Suzete.

Na estrada.

Currais Novos pegando fogo.

Serra da Rajada.

Chegando em Jardim do Seridó.

Por do sol no Seridó.

Tradicional serviço de barbeiro com o senhor Zé Leite.

Saída em Jardim do Seridó.

Na Matriz de Sant´Ana.

Chegada na ASSEC.

Almoço na ASSEC.

Retorno na van de Wagner Marcelino.

Bando de Rapaduras invadindo o Caicó.
Agradecimentos:
Riograndense Distribuidora (patrocínio das camisas dos Rapaduras de Santana)
Radiocom (disponibilização dos rádios de comunicação para os carros de apoio)
Verona Veículos (disponibilização de carro de apoio)
Macadâmia (disponibilização de lanches orgânicos durante o trajeto)
Clínica Santa Clara (disponibilização de protetores solares durante o trajeto)
Gato do Mato - Estúdio de Animação (criação da arte da camisa Rapaduras de Santana) www.fb.com/gatodomatoestudio
Grupo Guaraves - Frango Bom Todo (transporte das camisas)
Printing Company (disponibilização de adesivos para ciclistas e carros de apoio)
Equipe de Apoio (Claudia Celi, Bené, Doutora Vera Lúcia, Mariane, Paulo Victor e Alexandre)
Família de Juliana Cantero/Cabelinho (café da manhã em Bom Jesus)
Neta (Fôia) e família (lanche em Serra Caiada
Pousada Nova Aliança (Santa Cruz)
Bar do Galo (Santa Cruz)
Hotel Conceição Palace (Jardim do Seridó)
Virna Holanda (apoio na chegada em Caicó)
ASSEC (disponibilização da sede para receber os ciclistas)
Wagner Marcelino e Karina (eficiência no transfer de retorno).

08/06/16

Trilha da Lagoa da Pedreira

Caros Rapaduras:

Outra boa opção para pedalar nas proximidades da Capital é o entorno de Macaíba, cidade localizada na Região Metropolitana de Natal.
O marco zero foi novamente o Posto Emaús, situado na BR 304, ao lado da passarela (sentido Natal-Parnamirim). Na saída encontramos alguns integrantes do Pedal da Quarta, os quais juntaram-se ao nosso grupo. Iniciamos o pedal às 06h30min e seguimos pelo acostamento da BR 304 até a Estação de Rádio Guarapes da Marinha do Brasil. Ali deixamos o asfalto, entramos à direita (placa da Fazendinha) e seguimos por aproximados 5 Km de estradão de barro até a BR 226, dobrando à esquerda. Aproximadamente 1,5 Km, do lado direito, tem uma barraquinha com caldo de cana, pastel e frutas, sendo uma parada obrigatória para repor as energias.
Continuamo pela BR 226 e logo chegamos em Macaíba, antes porém uma parada para visitar o Solar do Ferreiro Torto (vide postagens anteriores:  http://www.rapadurabiker.com.br/2015/03/pedal-solar-do-ferreiro-torto-e.html e http://www.rapadurabiker.com.br/2012/04/pedal-do-ferreiro-torto-2012-conhecendo.html), fazendo os devidos registros fotográficos.
Partimos então para conhecer a Lagoa da Pedreira, tendo antes que enfrentar o trânsito do centro da cidade em dia de feira. Todo cuidado é pouco, pois o movimento é intenso (carros, pedestres, bicicletas, motocicletas, carros de mão, cavalos e tudo que tenha mobilidade). Após a ponte entramos à direita no semáforo e quando alcançamos a bifurcação em Y, seguimos pela direita no sentido de Pajuçara e Uruaçu. Tem início uma leve subida pelo asfalto e antes de atingirmos o cume da ladeira é necessário entrar à direita e seguir pelo calçamento até o final da rua, entrando em uma breve trilha e alcançando a parte alta da Lagoa da Pedreira, permitindo um lindo visual do local, inclusive percebendo que a lagoa fica localizada nos fundos do Solar Ferreiro Torto, sendo o Rio Potengi o marco separador. É possível descer por trilha até a parte baixa da lagoa, permitindo inclusive banho, entretanto, informações coletadas anteriormente foram no sentido de que demorássemos pouco no lugar, pois existem alguns "frequentadores" pouco amigáveis. Resolvemos seguir o conselho e ficamos cerca de dez minutos no lugar, tempo suficiente para excelentes "retratos".
Voltamos pelo centro da cidade e a feira continuava intensa. Atravessamos a BR 304 e seguimos pela rua lateral da Fábrica do Mel Borges, parando no primeiro mercadinho para aquisição de água. Seguimos adiante pela "Trilha das Frutas" e após uns 5 Km entramos à esquerda na Estrada do Fio, saindo no Distrito Industrial. Aqui tivemos um momento interessante: paramos para agrupar na frente de uma empresa com muro alto e portão grande. De repente o portão foi aberto e lá de dentro saiu um senhor muito simpático, seu Antônio, nos ofertando água gelada, banheiro e uma mangueira para quem quisesse "molhar o cangote". Agradecemos a gentileza e ganhamos o dia com tal gesto.
Seguimos pela marginal da BR 304 e logo tivemos que subir para o acostamento. Por volta de 11h30min alcançamos o Posto Emaús, nos despedimos e anotamos mais um pedal nos nossos anais.
Total aproximados do trajeto 45 Km. Tempo aproximado 5 horas.
Valeu Rapaduras!!!
P.S.: Seguem algumas fotos. Quem pretender receber o trajeto realizado, basta solicitar por e-mail: rapadurabiker@gmail.com
Solar do Ferreiro Torto

Parada do caldo de cana.

Lagoa da Pedreira.

O pau de selfie Tabajara.

24/03/16

Rapaduras na Patagônia - parte final.

Caros Rapaduras:

Aqui algumas informações necessárias para quem pretende pedalar na Patagônia. Lembro, entretanto, que o local permite muitas variáveis. Só para que se tenha uma ideia a Transpatagônica, ou Ruta 40, tem mais de 5.000 Km, sendo considerada a maior estrada da Argentina.
A opção que achamos mais interessante foi contratar um pacote e abraçamos o projeto de Nilo Reis Lanza (http://www.logisticaaventura.com.br/pages/home), da Logística Aventura. O pacote por cabeça saiu por 900 dólares (incluso hospedagem em acampamento e hostel, alimentação, carro de apoio com lanches e água) e o pagamento foi feito de forma fracionada (6 vezes), permitindo assim uma maior flexibilidade. A passagem, no meu caso, incluindo as taxas, saiu por menos de 600 dólares. Acrescente-se despesas com alimentação no aeroporto, transfer e outras despesas ao critério de cada um.
O total pedalado foi de aproximadamente 300 Km e o nível de dificuldade ao meu ver não foi alto. Os principais obstáculos foram o vento contra (em algumas situações) e o terreno no trecho da Cordilheira (muita pedra solta). A época escolhida (primeira quinzena de março) foi muito propícia, pois o frio enfrentado foi suportável. Acho até que fomos preparados para mais frio.
Não tenho o costume de repetir viagens, mas nesse caso acho que voltarei. Quem sabe iremos ao fim do mundo. Que venha Ushuaia.

Quem é quem:

O grupo de Natal foi a grande maioria, mas também tivemos duas integrantes de São Paulo. O pessoal do Staff foi muito dedicado. Vou ficar devendo as fotos dos meninos. Segue a apresentação de cada um. A ordem de apresentação é aleatória e os comentários são frutos das minhas observações:

Keila: A tranquilidade parou aqui. Todo mundo no ônibus preocupado se ela ia chegar a tempo de pegar o avião e ela lendo uma coleção de Machado de Assis.


Seu Kuka. Escreveu uma nova página na história da Patagônia. Analisou cada um dos 7 lagos e deixou suas impressões que para sempre ficarão marcadas no solo argentino. A quem diga que a melhor safra dos vinhos patagônicos será a de 2016, mormente aquelas provenientes dos terrenos adubados por "El Kukon".

Paulo Cabral: Saiu de casa em busca de suas origens andinas e certamente encontrou. Incorporou o idioma rapidamente, tanto é verdade que ao retornar ao consultório e atender o primeiro paciente, foi logo perguntando: lo que sientes? Pretende voltar para comprar mais duas bermudas e completar sua coleção.

Claudia Macedo: A tranquilidade em pessoa. Não abriu mão do seu direito de pedalar e fez todo o trajeto mesmo com uma bicicleta com problema. 

Bal: Outra que encontrou suas origens indígenas, sendo identificada como "Pequena Nuvem". Desceu a Cordilheira como se tivesse em um tobogã do Ma-noa Park. Fique atento quando ela pedir licença, principalmente se for uma descida.

Areli: São Paulo mandou uma representante de primeira. Muito prestativa e independente, entretanto, será multada pelo Comitê de Ética do Rapadura Biker por ter quebrado uma garrafa de vinho.


Cristiane Macedo: Acresceu um laticínio em sua bagagem de retorno, entretanto, não pagou nenhum excesso pois é uma cliente master, plus e vip.

Márcio Leite: Pensava em dançar um tango argentino, mas acabou dançando a boa música brasileira. Revelou-se um excepcional dançarino, sendo merecedor da comenda; "Marcito de Jesus".

Nilo Reis Lanza: O autor da empreitada. Teve a paciência de um índio Mapuche e conseguiu chegar ao final da mesma forma que iniciou: sorrindo.

Virgínia Cabral: Minha Dermato. Começou a pedalar um dia desse e já demonstrou para que veio. Já reservou o Hostel Marcopolo In para comemorar o aniversário de 30 anos de casamento.

Renato Dumaresq: Nosso Abogado. Conseguiu perder o bilhete de embarque e a carteira (17 vezes), teve um desarranjo daqueles de deixar o boga triste, sendo nomeado nosso "abogado" pelo resto da viagem.

Marilia e Laiza: Sempre no apoio e bastante simpáticas, foram essenciais no desenvolvimento dos trabalhos do staff.

Neide Araújo: Certamente voltou mais realizada da Patagônia, pois conseguiu encontrar alguém que a supera no quesito "perder as coisas". 


Márcia Leão: Perdeu a bicicleta, mas não perdeu a classe. Aguarda-se com bastante expectativa a sessão de fotos que irá promover, pois certamente registrou tudo: "o que você está vendo eu também estou vendo".

Pablo Andres: Nosso guia argentino. Tranquilo e bastante centrado. Depois de pedalar com um grupo de brasileiros certamente está pronto para enfrentar o mundo de bike.

Claudia Rocha: Ao infinito e avante. Pedala muito, mas desde já é convidada do Rapadura Biker para passar um mês na vassoura, pois como diria o grande mestre Pranxú: "os últimos são os que chegam no final".

Carlson: Sempre atento aos detalhes e como todo bom Químico é ágil e curioso. Muito prestativo e sempre preparado para enfrentar desafios.

Patrícia: O endereço da simpatia. Conseguiu pedalar com as mãos soltas e sem dormir. Seu desempenho diminuía um pouco nas proximidades das aduanas, mas logo retomava o pique.

Claudia Celi: Deu um exemplo de superação. Acidentou-se um um concurso de frevo no carnaval, mas conseguiu tratar-se e cumprir o seu objetivo.
Seu Lanza e senhora Laura Lanza: Simpáticos por natureza. Ela adepta da Internet e ele o Rei do Violão, sem falar nos quitutes por eles preparados.
Beto Tifuca: O grande personal do staff. Sempre com um sorriso guardado no bolso.
Samuel: Mestre do acampamento. Altamente solícito e com disposição de um trator Valmet.
Gaúcho Frajola: Conseguiu colocar o ônibus ao lado do Osorno.
Benilton Lima: Discípulo de Pranxú, acredita que a vida é uma bola. É só chutar.






22/03/16

Rapaduras na Patagônia - parte IV - Bariloche ao Vulcão Osorno (Chile)


Caros Rapaduras:

Dia 11 de março de 2016.

Depois da longa pedalada de ontem o dia foi merecidamente livre. Alguns optaram por fazer rafting em um passeio sugerido pelo hostel. Soube que foi bastante satisfatório e os participantes ficaram bastante impressionados com a organização. Optei por acompanhar o grupo que ficou na cidade, "batendo perna" e descansando para o dia seguinte, o tão esperado cruce nos lagos andinos.
Andamos muito na cidade e constatamos uma diferença muito grande entre os preços cobrados pelos bares/restaurantes e os supermercados. Somente para fazer um comparativo uma garrafa do vinho Postales Del Fin Del Mundo Malbec (750 ml) e uma garrafa da Cerveja Quilmes (970 ml), custaram, respectivamente, nos bares/restaurantes 130 e 80 pesos, ao passo que nos supermercados saíram por 55 e 29 pesos. Os chocolates também possuem uma disparidade de preço grande, mas nada que uma boa peregrinação nas diversas lojas não resolva.
Total pedalado no dia: 0 Km. Total de botellas de vinho e cerveja: perdi a conta.

Dia 12 de março de 2016.

Acordamos de madrugada e tudo ainda estava escuro. Havia uma certa tensão no ar, pois nesse dia iríamos pedalar com hora marcada, pois teríamos que embarcar para realizar as travessias dos lagos, tendo que obedecer aos horários dos barcos (http://www.cruceandino.com/). Saímos logo após às 06h30min pelo asfalto e o frio estava intenso. Pedalamos pela Avenida Exequiel Bustillo, passando por uma região repleta de hotéis, chalés e restaurantes. Em determinado ponto chegamos em uma região Militar e quando passávamos nas proximidades dos lagos o frio aumentava mais ainda. Após 25 Km pedalados em um ritmo muito bom o grupo chegou todo junto ao estacionamento do Porto Pañuelo. Chegamos com tempo de sobra e foi possível utilizar o wi-fi do lugar e fotografar a região. As bicicletas são embarcadas em lugar próprio e os ciclistas seguem para a zona de embarque dos passageiros. Tudo muito organizado e funcional. 
Puerto Pañuelo.

Ainda Pañuelo.

Dentro do barco fomos anunciados como "ciclistas valientes que se cruzaríam los Andes", gerando aplausos dos demais passageiros e uma emoção especial para nós. Conhecemos um casal de argentinos que também fariam o trajeto de bicicleta, sendo que o destino final deles seria diferente do nosso. Aproveitamos o ensejo e entregamos uma bandana do Rapadura Biker para acompanhá-los.
O barco é muito confortável e tem um excelente serviço de bar, rapidamente descoberto pelos Rapaduras. Em determinado ponto soou avassalador o apito do barco e o rapaz do bar nos informou que estávamos passando no túmulo do Perito Moreno e aquela era uma homenagem prestada pelos marinheiros. Rendemos nossas condolências ao Perito e aproveitamos para também homenagear o nosso querido Raimundo Bezerra, tomando um "cálice" de vinho em sua homenagem.
Bikes arrumadas no barco.

Gaivotas.
Muito lindo.


Desembarcamos em Puerto Blest, sempre com a prioridade destinada aos ciclistas, e seguimos por cerca de 3 Km até o Puerto Alegre, local em que passamos pela Aduana Argentina e iniciamos o maior desafio do dia, pedalar até Puerto Peulla, devendo chegar às 16h00min, horário de saída do barco. Aparentemente teríamos tempo de sobra, mas o terreno que teríamos pela frente não era dos mais fáceis: de início uma subida de 3,5 Km e depois uma descida de mais de 20 Km. O problema é que é tudo pedra de seixo e em alguns pontos é complicado manter o equilíbrio. Estávamos na Cordilheira dos Andes e o único barulho que se houve é da água e dos pássaros. Uma paisagem linda, mas infelizmente com pouco tempo para registros fotográficos.
Entre Argentina e o Chile.

Alegria é o nosso nome.

Olha quem achamos.

Em determinado trecho eu descia cautelosamente e de repente escutei um barulho de pedras rolando. Olhei para trás e só tive tempo de ver nossa colega Bal passando igual a um foguete, entoando uma espécie de mantra, mais ou menos assim: "ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus...". O homem lá de cima ouviu as preces e ela chegou intacta.
Uma paradinha na ponte para abastecimento de água. Na descida até o rio uma informação de Nilo chamou atenção: "senti cheiro de mijo de puma". De fato, ao lado de uma samambaia gigante tinha um local molhado. Analisei e percebi que era de um puma macho, da pata branca, donzelo, com aproximadamente 7 anos de idade e cego do olho esquerdo.  
Foi ali que o puma mijou.

Mais adiante encontrei o Mestre Kuka todo lambuzado de areia e com uma maça verde na mão. Soube de uma testemunha ocular que ele desceu a ladeira "virado num tetéu" e ao perceber a plantação de maça, deu um tríplice mortal andino, recolheu o fruto, deu um rolamento (lembrando da época em que fazia judô no Salesiano) e "caiu em pé", fazendo jus a sua fama de frequentador assíduo do "Morre em Pé" da Antônio Basílio.
Cheguei na Aduana Chilena às 16h07min e depois dos trâmites legais (inclusive tendo que comer 3 maças, 18 ameixas e 4 sanduíches) segui direto ao porto, pois o horário do barco já estava estourado. Para nossa sorte o nosso grupo era bastante versátil e dentre as participantes duas delas eram fluentes no espanhol e conseguiram com "argumentos firmes e impactantes" convencer o capitão do barco a aguardar por 15 minutos os demais ciclistas que ainda cavocavam pedras na Cordilheira.
Enfim, às 16h20min adentramos no barco, sob os olhares de reprovação dos demais passageiros, alguns com hora marcada para chegarem do outro lado e seguirem para o aeroporto. Se outrora fomos ovacionados como heróis, agora quase levamos uma surra de ovo podre.
Travessia realizada e desembarcamos em Puerto Petrohue, local bonito e com muita poeira. O plano seria seguir pedalando até o próximo destino, mas a organização mudou os planos, optando por contratar um veículo para nos deixar no próximo ponto de hospedagem, na base do Vulcão Osorno. Embarcamos no ônibus e percebemos que a subida seria muito exaustiva. Uns 12 Km ladeira acima, numa estrada estilo caracol. Já estava escuro quando chegamos ao Refúgio e lá já encontramos uma parte do grupo que tinha seguido no carro de apoio. Agora é hora de relaxar e admirar o lindo visual abaixo de nós.
Total pedalado do dia: aproximadamente 57 Km.
Petrohue
Do alto do Osorno.


Dia 13 de março de 2016.

Assim que olhei para o vulcão Osorno achei familiar e depois de pesquisar foi que percebi a sua semelhança com o Monte Fuji (https://pt.wikipedia.org/wiki/Osorno_(vulc%C3%A3o)). O lugar é muito lindo e o fato de ver as nuvens do alto é mais incrível ainda. Nos hospedamos no El Refugio Teski Club, local aconchegante e com atendimento de primeira, com ênfase para o recepcionista Cristóvão, sempre paciente, sorridente e atencioso.
Adicionar legenda



Após uma boa noite de descanso, tomamos o café da manhã e saímos para explorar a região, seguindo até uma estação de esqui e aproveitando para fazer os respectivos registros fotográficos.
Sem comentários.

Uma parte do grupo foi pedalar e outra ficou descansando. Enquanto estava trocando ideias com Mestre Kuka acerca da influência da altitude no consumo de vinho e a possibilidade de erupção do Osorno naquele dia, eis que surge o Masterchef Lanza com o seu violão. De imediato perguntamos ao garçom se tinha algum instrumento musical disponível, tendo ele ido até a cozinha e voltado com um ralador, um garfo e duas baquetas, instrumentos mais do que suficientes para fazer a percussão. A tarde então seguiu com muita cantoria e com o esvaziamento da adega do lugar.
Acompanhando Mestre Lanza na viola.


A noite tivemos o encerramento oficial do Pedal da Patagônia - Fogo de Conselho - um momento de expressão dos sentimentos, tendo cada um dos participantes a oportunidade de colocar pra fora suas impressões.

Dia 14 de março de 2016.

Acordamos cedo e fomos transportados até Puerto Varas, local em que tomamos um ônibus de linha até Bariloche. No caminho duas paradas nas aduanas do Chile e Argentina e finalmente por volta das 17h00min chegamos ao nosso destino. A noite foi para os últimos preparativos e no dia seguinte iniciamos nosso retorno ao Brasil. Após quase 24 horas de viagem chegamos em Natal às 10 horas do dia 16 de março de 2016.
Como é bom ser recebido por amigos: Valeu Cabelo, Verinha e Júnior.
Valeu. Que venha o próximo.