27/11/2011

Pedal João Pessoa-Natal 2011

INTRODUÇÃO:

Alguns chegarão amanhã ao seu local de trabalho e ouvirão as inevitáveis perguntas: como foi o seu final de semana? O que você fez? Alguns responderão que participaram de um churrasco e tomaram todas. Outros dirão que ficaram em casa assistindo um filme. Haverá quem afirmará que passou o final de semana dentro de uma rede, dormindo e sonhando com dias melhores. Existirá, no entanto, quem encherá o peito e dirá com todo orgulho: eu vim pedalando de João Pessoa até Natal, por trilhas e na companhia agradável de pessoas felizes. A reação a tal notícia será inevitalmente  de espanto e incredulidade, pois pouca gente acredita que é possível fazer isso que fizemos hoje. Diante de tal situação só tenho uma coisa a dizer: tá duvidando vá conhecer a galera do Rapadura Biker e se mesmo assim ainda tiver dúvida é só conferir as fotos no Facebook (http://www.facebook.com/media/set/?set=a.181995378559720.41932.104784642947461&type=1).
Com essas palavras é que abro a postagem de hoje para dizer que foi a minha terceira vez fazendo esse trajeto. Foram três caminhos distintos e cada um com suas nuances e encantos. Ouso dizer que dos três esse último foi o melhor de todos. As coisas funcionaram quase que com total sintonia e a energia que moveu o grupo foi muito boa.

1º  e 2º Dias - 25 e 26/11/2011: de carro até João Pessoa-PB:

Necessário explicar antes de tudo por qual motivo seguimos de carro até João Pessoa e somente de lá é que partimos até Natal. O principal é o fator vento, pois em tese pedalamos quase todo o tempo com ele ao nosso favor. O segundo motivo é que o destino final já é nosso local de residência, de forma que chegamos cansados e queremos, via de regra, o aconchego do lar e o nosso cantinho para descansar.
Desta feita 17 pessoas participaram diretamente do percurso, sem falar dos participantes indiretos (esposas chorosas que passaram o final de semana sem os seus amados; filhos manhosos que acham que o(a) pai/mãe são propriedades exclusivas deles; namoradas(o) enfurecidos(a) que pensavam em assistir um show do seu cantor favorito na companhia do escolhido(a), enfim, todos aqueles que de algum modo entenderam as razões dos ciclistas e acabaram concordando que participar do pedal seria algo importante). Os 17 foram: Benilton, Celita, Edgar, Eduardo Campos (carro de apoio), Evandro, Fabiano Lago, Helena, Izabella, Marcelo, Mari, Milton, Neto (carro de apoio), Othon, Roberto Bruno, Serginho, Shirley e Vanda.
O primeiro grupo saiu de Natal às 16h00min, o segundo e o terceiro um pouco mais tarde. Dois integrantes já nos esperavam na cidade. Por volta das 23h00min todo mundo já estava em João Pessoa.
Como no ano de 2009 optamos pela Pousada Manaíra, que é muito simples, mas apta a nos acolher por uma noite e possibilitar um café da manhã regular (www.pousadamanaira.com.br). Quem for esperando luxo é melhor procurar a casa da mamãe.
Por conta de uma falta de precisão no horário do café da manhã tivemos um atraso na saída. O nosso plano era sair às 06h15min para assim embarcarmos na balsa das 07h00min (Cabedelo-Lucena). Não deu certo. Quando deixamos a pousada já passava das 06h30min e mesmo forçando o ritmo, perdemos a balsa. Tivemos que esperar o próximo horário (08h00min).
Em razão do atraso resolvemos não subir no Santuário da Guia, o que acabou sendo uma boa opção, pois certamente a beleza e o visual do local iriam propiciar muitas fotografias e um aumento do atraso já consolidado.
Passamos direto pelo asfalto e logo adiante avistamos os canaviais, que seria a paisagem a nos acompanhar no final de semana.
A primeira entrada no canavial já demonstrou o quão necessário seria o carro de apoio. Era um mormaço só. Paramos numa sombra e abastecemos nossas garrafinhas e mochilas de hidratação. As frutas já começaram a ser devoradas.
Seguimos entre canaviais e em pouco tempo atingimos a comunidade de Pacaré e ali encontramos um pequeno rio com uma ponte no meio. De um lado mulheres lavando roupa e crianças brincando. Do outro lado um rapaz tomando banho solitário. Olhei para Serginho e perguntei: banho? o cabra já foi jogando a bicicleta no chão e deu um tibum na água. Não demorou muito e o rio já estava tomado de ciclistas. Em pouco tempo a água que no início estava bem geladinha ficou quentinha. São duas as versões: a) temperatura elevada dos ciclistas, sendo absorvida pela água do rio: b) mijadeiro dentro da água. Prefiro acreditar na segunda tese.
Refrescados seguimos o pedal e encontramos diversos ciclistas fazendo o trajeto inverso ao nosso. Soubemos que naquela mesma manhã um grupo de aproximadamente 150 ciclistas saiu de João Pessoa com destino ao paraíso da Pipa. Uma ótima iniciativa de uma loja de bicicletas de João Pessoa. Soubemos inclusive que essa é a quinta versão do passeio. Apenas um ponto negativo: acho que em razão do elevado número de participantes muita gente ainda não tem a devida consciência ecológica, pois o rastro de lixo no caminho estava grande. Basta dizer que se alguém não conhecesse o trajeto ou não tivesse gps bastava seguir as garrafas de energéticos, os saquinhos de gel, as latinhas de refrigerantes e outras coisitas mais deixadas na estrada. Estou até agora arrependido de não ter recolhido todo aquele lixo, colocado numa caixa e enviado via Sedex (a cobrar) para os organizadores do evento.
Por volta de 11h00min alcançamos a Praia de Campina. Fomos ao Mercadinho de Júnior e fizemos um lanche rápido. Seguimos até o embarque no barco que faria a travessia da Barra de Mamanguape. No caminho já encontramos o proprietário do barco (Joelson) que nos transportaria. Tudo ocorreu normalmente e com a maré baixa a travessia foi tranquila e sem estresse. Conforme combinado seguimos para a Aldeia Tramataia de barco ao passo que Eduardo e Neto seguiram nos carros de apoio por uma trilha.
A nossa próxima parada foi em Baia da Traição. Paramos num mercardinho e fizemos uma sessão de hidratação. Nesse ponto lembrei que Cláudia Celi tinha preparado uma paçoca para comermos na viagem. Fui vasculhar no local guardado e quando procurei não encontrei nada. Indaguei dos presentes se alguém tinha notícias da paçoca. De início foi silêncio total, mas logo surgiram versões: uma delas atribuiu a Eduardo Campos a façanha de ter comido sozinho o acepipe. A outra disse que foi Helena do Pinto a responsável pelo paçoquicídio (ato de devorar uma paçoca sem dividir com ninguém). A terceira garantia que a paçoca estava dentro do carro, bastava uma boa equipe de busca para fazer um trabalho de garimpagem. Fiquei com a última versão e após vários minutos encontrei o pote com a paçoca guardado dentro de um tênis. Logicamente que essa é uma informação confidencial e que por razões óbvias somente agora pode ser publicada.
Cheguei com o pote de paçoca e algumas colheres descartáveis. Se existisse medalha para a modalidade devoradores de paçoca podem ter certeza que o nosso grupo tinha ficado com o ouro. Marquei no relógio: foram 2min25segundos o tempo que durou o troço na vasilha. Se eu não fosse tão rápido tinham comido até as colheres descartáveis. Para encurtar o assunto suficiente dizer que Eduardo Campos tinha saído para comprar um pão doce e quando voltou somente encontrou o cheiro da paçoca no ar.
Depois da sessão paçoca seguimos por dentro da cidade de Baia da Traição. Enquanto o terreno era calçamento tudo estava uma maravilha. Não demorou muito e começou uma areia mais fofa do que criança da propaganda da Parmalat. Não bastasse isso o relógio apontava para às 13h30min, ou seja, o calor tava quem nem índio aguentava.
Depois da tempestade vem a bonança: deixamos as areias fofas e entramos na Trilha das Fazendas (caminhos das vagens) que vai nos deixar bem pertinho de Mataraca. É um single-track incrível, passando dentro da mata, de um pequeno rio, por três porteiras e uma bela paisagem. Recompensou todo o esforço anterior.
Saímos da trilha e logo adiante encontramos os valentes colegas dos carros de apoio. Não demorou muito e Mataraca já estava na nossa frente. Para entrar na cidade uma ponte com duas traves. Fizemos literalmente um gol de bicicleta. Assim que entramos encontramos uma ladeira que parece coisa de baiano. No meio do caminho encontramos um grupo de biriteiros sentados em torno de uma mesinha com duas garrafinhas (uma de cana e uma de vodka) e um tira gosto estranho. Não sei por qual motivo os caras olharam para mim e ofereceram uma dose. Pra não fazer feio, nem pra ser deselegante, aceitei o convite. Saquei o meu copinho da bolsa e fui agraciado com uma dose gigante de aguardente São Paulo. A danada desceu que parecia desemtupidor de pia. Não tive nem tempo de fechar os olhos e já tinha um pedaço do tira gosto na minha cara. Meti pra dentro e somente nesse  momento descobri que se tratava de kitut de boi, que segundo Professor Raimundo é uma comida inesquecível. De fato ele tem razão, pois são 20h54min do dia 27 de novembro e até agora estou arrotando o danado. Impossível esquecê-lo.
Deixamos Mataraca e seguimos entre canaviais no rumo de Sagi. Às 05h45min entramos na Praia e para não fugir ao regramento fomos recepcionados com uma ladeira que mais parecia uma plataforma de nave espacial americana, de tão alta.
No caminho para o local de hospedagem encontramos Alexandre Pinto (Helena) no Bar de Toreba e o homem me deu um abraço e uma excelente notícia: a vitória do ABC. Disse ainda que estava tomando uma para ter que enfrentar os 103 degraus de acesso ao seu local de hospedagem. Quando ele falou isso eu cansei só de imaginar a subida.
Chegamos no local de pouso (Condomínio Praia do Sagi - Paulo - 843244-5055/353434-1155/359184-7997) e fomos muito bem recebidos. Uma enorme piscina nos aguardava e depois de uma rápida lavagem nas bicicletas fomos tomar um merecido banho e esperar o jantar. Enquanto aguardava a mesa ser posta resolvi fazer uma ligação pra casa. Recebi a informação que o sinal da TIM era imprestável (grande novidade!!!) e que para obter o sinal da OI teria que escalar uma duna situada ao lado da pousada. Tomei um banho e fui encarar a duna. Enchi os pés de areia e depois de 16min consegui um sinal, no entanto, não podia em nenhum momento tirar os pés do chão, sob pena de perder o sinal. Foi a ligação telefônica mais difícil da minha vida, mas valeu à pena. Voltei com os pés sujos e o povo já estava devorando uma deliciosa macarronada à bolonhesa. Soube depois que na preparação foram utilizados 15 pacotes de macarrão, três quilos de queijo parmesão, 117 pães (um para cada quilômetro pedalado) e 17 litros de molho (um litro por ciclista). Quem certamente ficará feliz com essa notícia é Neide de Seu Kuka, pois segundo consta é a pessoa que mais utiliza pacotes de macarrão no Rio Grande do Norte. Acho que agora ela ficou com a medalha de prata.
Depois da ceia o silêncio reinou em Sagi e somente não foi profundo por dois motivos que vou me recusar a comentar: uma parte do grupo roncava mais do que a cachoeira que tem em Pirpirituba; outra parte flatulava (peidava) em diversas tonalidades. Uma verdadeira sinfonia peidorreira.
Finalmente fez-se o silêncio e a paz voltou a reinar.
As mulheres que pedalaram.

Aguardando a balsa: Cabedelo-Lucena

Canaviais

Banho em Pacaré

Barra de Mamanguape.

Travessia da Barra de Mamanguape

Nossa bandeira.

Baia da Traição-PB.

O pão doce que custou uma paçoca.

Trilha das Fazendas.

Single Track na Trilha das Fazendas.

Gol de bicicleta.

Mataraca.

Perto de Sagi.

6 comentários:

  1. Parabéns pelo ótimo final de semana : ) .
    Espero ir com vocês no próximo pedal para João Pessoa.

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  2. Fiquei na vontade, quem sabe da próxima vez os Ciclistas de Natal tem essa oportunidade que é única na vida!! Parabéns a todos os participantes deste maravilhoso pedal.

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  3. Realmente, vocês estão de parabéns!!! Ah, como gostaria de ter participado dessa aventura... isso não é para todos, kkkk só para os especiais. Quem sabe da próxima eu terei a oportunidade de participar dessa grande aventura.

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  4. (...)rastro de lixo no caminho estava grande. Que sirva de lição pra gente tambem, infelizmente é comum vermos ciclistas praticando esses maus habitos...
    .
    Parabéns pela empreitada, muito massa...

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  5. Parabéns pela narrativa e fiquei muito feliz em participar como apoio nessa aventura. Que venha a próxima.

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  6. Muito bom!!! Benilton, caso esteja de pé a proposta de Janeiro estou dentro.
    Valeu. Fabiano Judô

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