16/11/2012

Pedal Pitanga-Baia da Traição 2012

Caros Rapaduras:

Estou devendo duas postagens uma contendo o relato de nossa 3ª Viagem de Bicicleta Natal-Bananeiras e outra sobre a trilha das Minhocas + Carrapicho + Mel. Ocorre, no entanto, que participei no feriado do dia 15 de novembro de um pedal muito legal que deve ser compartilhado com vocês.

Via Facebook conheci o Mountain Bike Natal, um galera bem organizada composta dentre outros por Bob, Binho, Ramon e Régua Lucas. Trata-se de um pessoal jovem e com um espírito de organização digno de nota. Vi o anúncio de dois "pedais" organizados por eles (Pedra da Boca e Camaratuba), mas por outros compromissos anteriormente firmados não foi possível acompanhá-los. Desta feita em razão da impossibilidade de "enforcar" a sexta-feira não tive nenhuma dúvida em fazer a minha inscrição, a de Cláudia Celi e de quebra ainda coloquei pilha em Sérgio Teda para que também fosse conosco.

Saímos cedo rumo ao Posto Emáus, nosso local de embarque no ônibus. No caminho encontramos Hiram Lima (Coala) e chegando ao posto nos juntamos aos demais participantes, afora a galera que já vinha no ônibus desde a Zona Norte.

A primeira tarefa foi acomodar as bicicletas no bagageiro do ônibus. Quem olha aquele monte de bikes (50) não acredita que caberão naquele compartimento, mas com muita prática, paciência e principalmente cuidado Bob e Régua se desincubiram da missão muito bem.

Pegamos a estrada no rumo de Pitanga e após aproximadamente uma hora e quinze minutos chegamos ao nosso destino. Desembarcamos e fomos direto tomar café da manhã preparado com muito cuidado pelos familiares de Bob. 

Todo mundo arranchado e após uma breve preleção iniciamos nossa aventura. Uma parada rápida para a foto oficial na frente da igrejinha de Pitanga e seguimos pela BR 101 no sentido sul. Pra começar enfrentamos 2,5 Km de subida (nesse momento o cheiro de ovo dominava o ambiente) e após uns 6 Km atravessamos a rodovia e iniciamos o trecho de trilha. Chegamos em uma comunidade denominada Pirambuçu e ali tivemos o primeiro ponto de hidratação (água, gelo, energético e coca-cola). Chamou a atenção a arquiterura do lugar, com destaque para um antigo casarão, que apesar da idade ainda guarda toda sua imponência. Fiquei imaginando quantos história tem aquele lugar.

Reabastecidos retomamos a trilha por entre canaviais, seguindo no rumo do oceano. O sol estava de matar, mas tínhamos ao nosso favor uma brisa agradável vinda do litoral.

A próxima parada foi ao lado da Usina e ali levamos muita poeira no rosto em razão do acentuado trânsito de treminhões, carros pequenos e motocicletas. Seguimos novamente por meio dos canaviais e enfrentamos alguns trechos de areia fofa, mas nada nos afastaria do nosso objetivo. Chegamos então a uma bifurcação e ali encontramos uma placa indicando o acesso a Baia da Traição. Nesse ponto os carros de apoio seguiram por outro caminho e nós encaramos o trecho tão esperado por todos: um maravilhoso single track, em trecho bastante técnico e com diversidade incrível. Pra resumir vou utilizar uma frase que Bené Lima gosta muito: "Só alegria".

Após a descida paramos na Aldeia São Francisco para reagrupar. Descansamos um pouco e seguimos no rumo da praia, chegando por volta de 12h30min no Mirante natural que oferece uma linda e ampla visão da Baia. Mais adiante um pouco paramos nos canhões e fizemos os devidos registros fotográficos, seguindo então até a prainha, partindo para o enfrentamento de um bom peixe frito e uma cerveja gelada, tudo com o objetivo de compensar o calor imenso que enfrentamos.

Por volta das 17h30min pegamos o caminho de volta e já entramos em Natal quando anoiteceu.

Foi uma ótima experiência vivenciada e fico muito feliz de ver esse tipo de atitude. Parabenizo Bob, Binho, Ramon e Régua Lucas, bem como todos aqueles atores coadjuvantes que se desdobraram para transformar o nosso feriado em um dia cheio de emoções positivas e de alegria ao lado de pessoas divertidas e com propósitos idênticos ao nosso.

Para quem não foi vou deixar alguns registros fotográficos e o convite para prestigiarem a galera do Mountain Bike Natal (http://www.facebook.com/mtbnatal?ref=ts&fref=ts ou mountainbikenatal@gmail.com.br).

Algumas Resenhas:

É claro que um pedal reunindo mais de cinquenta pessoas teve um razoável número de resenhas. Como não conheço todos os participantes vou me limitar a fazer alguns apontamentos sobre algumas coisas que vi e ouvi:

- PEDAL DOS ARTISTAS: De todos os pedais que já participei esse sem nenhuma dúvida foi o que reuniu mais "artistas" e "personalidades", dentre os quais tiveram especial destaque: Juscelino Kubitschek Mola (que segundo uma fonte inoxidável foi o principal responsável pelo forte cheiro de ovo na primeira subida, bem como na volta do ônibus); David Brasil que de gago não tem nada; Vera Verão em  uma versão sem batom; Raul Gil, que veio procurar algum talento para o seu programa de calouros, mas pelo jeito não encontrou nada, pegou o seu banquinho e saiu de mansinho; Toinho Silveira distribuindo "aplausos" para todos; Benito de Claudia (na falta de Paula serve uma Claudia mesmo, principalmente quando ela já aguenta ele há 21 anos);

- PAPA NA TRIBO: Assim que entramos na área indígena nos deparamos com uma placa "terra protegida". Pois bem, não consegui me conter e pedalando forte no meio da areia fofa ´perdi o controle e fui ao chão, beijando-o e sentindo na boca o forte sabor da terra protegida;

- PISANDO EM BOSTA: Quando saímos do single track e chegamos na Aldeia São Francisco paramos para descansar na sombra de uma árvore. Teve um ciclista que vinha tão cansado que não observou uma tuia de bosta que também estava se refrescando na sombra. O fato é que ninguém aguentou mais pedalar ao lado da figura, pois a catinga de merda era grande.

- O CAPACETE MÁGICO: Em determinado momento depois de uma parada para reagrupar o grupo Ivo PVC, que nos acompanhava de motocicleta, foi colocar o seu capacete para retomar o percurso. Na hora que ia colocar o capacete na cabeça encontrou dentro do equipamento duas cascas de banana e três copos vazios de sucos rainha. Após consultar Flávio Ortigão, grande autoridade em Biomassa e coisas do Alabama, chegamos a conclusão que aquilo foi alguma magia indígena feita pelo Pajé Cara de Piroca, cuja área de atuação compreende desde a Aldeia São Francisco até o quinto poste do lado esquerdo na entrada da praia de nudismo de Tambaba.

- SEGUINDO AS ORDENS: Os Rapaduras costumam ser disciplinados (quando querem) e na preleção do pedal recebemos a orientação que o guia seria Ramon, de forma que ninguém podia passar do cara. Seguimos direitinho a orientação. Ramon parava e os Rapaduras paravam juntos. Ramom seguia e os Rapaduras já estavam na cola dele. O fato é que se não tivessem avisado que o pedal tinha terminado os Rapaduras tinham seguido o rapaz até a casa dele. Vai ser obediente assim lá em US Point.

- A COZINHA DO ÔNIBUS: Notícias nos chegaram que na viagem de volta a parte de trás do ônibus estava dominada. Várias versões surgiram, mas a que mais se aproxima da verdade é que naquela região do veículo estava concentrado um resquício do Furacão Sandy, sendo certo que o danado rodopiou em várias poltronas, atacando de forma avassaladora os incautos ciclistas, pois os mais prevenidos já estavam posicionados no frontal todos munidos de um talismã indígena comprado na Aldeia Galego: segundo a lenda quem usar o tal apetrecho tem total proteção contra essas coisas. Dizem até que Bob comprou duas caixas do amuleto e se na próxima expedição observar a possibilidade do furação vai distribuir um para cada participante. O grande problema dele é que tem gente que vai preferir enfrentar o furacão.

- OS CANHÕES DE NAZARENO: Em Baia da Traição estão assentados alguns canhões coloniais. Paramos para admirá-los e Hiram Lima disparou: "Ministro, são os Canhões de Navarone". Respondi: "Não Ministro, esses são do primo dele - Os Canhões de Nazareno".

- O PINGA-PINGA NA VIAGEM DE VOLTA: Enquanto a viagem de ida até Pitanga demorou pouco mais de uma hora a de volta durou uma eternidade. Foi uma verdadeiro pinga-pinga na melhor acepção da palavra. Desculpa para fazer o paciente motorista parar foi o que não faltou: "para pra comprar absorvente pra uma menina acabou de menstruar", "para pra comprar hipoglós que tem ciclista com o anel viário avariado", "para pra respirar ar puro que a catinga de peido aqui dentro tá horrível". Enfim, foram várias desculpas, mas o objetivo era somente comprar hidromel para aplacar a sede.

- MATERIAL ESCOLAR COMPLETO: Nosso repóter de campo que atua muito bem disfarçado descobriu que na família de Régua ele não é o único maaterial escolar. A fonte jura de pé junto que o homem tem dois irmãos: Transferidor e Compasso, bem como uma irmã chamada de Taboada.

O ENIGMA DA CALCINHA: Na viagem de volta surgiu um enigma que deixou todos "encafifados". Em determinado momento nas proximidades de Goianinha alguém abriu uma janela e entrou uma lufada de vento que mais parecia um redemoinho. Pois acreditem vocês que o ventou trouxe com ele uma calcinha que foi se alojar a exatamente um palmo e meio da venta de um ciclista. Foi um verdadeiro alvoroço e várias opiniões surgiram. A organização do evento resolveu por bem apreender a peça e solicitar ao Professor Ortigão, recém nomeado Químico dos ciclistas, para que ele faça um exame e identifique resquícios de DNA, possibilitando assim chegar à proprietária.

O trajeto: 38 Km.

Foto oficial; saída em Pitanga.

Cláudia Celi com Bob Mãe.
Cláudia Celi com Bob Pai e os motoristas.
Casarão em Pirambuçu.
Baia da Traição-PB.



Os Canhões de Nazareno.

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