22/10/2013

III VOLTA DO SANTUMÉ

III Volta do “SANTUMÉ”

"Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades
para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E
esperança suficiente para fazê-la feliz."

PRELIMINARES:

O poema acima é ao meu ver perfeito para descrever a “Volta do Santumé”, uma viagem de bicicleta no entorno da cidade de São Tomé-RN, localizada aproximadamente 112 Km da Capital do Estado.
O sonho na verdade foi de André Medeiros, legítimo filho daquela cidade, que resolveu compartilhá-lo com alguns amigos (malucos). A primeira versão ocorreu em 2011 e a segunda em 2012, ambas relatadas aqui no blog, sempre contando com a colaboração do dublê de repórter Fabiano Silva. Em 2011 participei juntamente com Evandro (Bebê) apenas do primeiro dia e firmei um compromisso comigo mesmo de fazer todo o trajeto em outra oportunidade. Em 2012 não foi possível participar, mas em 2013 me programei, inclusive agendando as férias para o mês de outubro, participando da volta desde a preliminar no dia 03 de outubro, quando a cidade foi invadida por mais de 100 (cem) ciclistas, fazendo dois trajetos na região, um de 20 Km e outro de 40 Km. Nesse dia optei por participar no carro de apoio, poupando-me para os dias vindouros e contribuindo para o bem estar dos ciclistas iniciantes que acorreram ao local e se depararam com uma temperatura altíssima.
O Grupo Rapadura Biker teve esse ano sua maior representação, inclusive contando com uma presença feminina para fazer todo o trajeto, algo até então inédito. Além de mim estiveram presentes os Rapaduras: Erimar (Cabo Dantas), Josias (Sargento), Flávio Romilo (Bombadão), Shirley (Lady do Rapadura), Roberto Carlos (o rei da Limonada), Jadson (Crazy Man). De Barcelona a presença do incrível seu Francisco (o cangaceiro da bike). De Bananeiras contamos com Fernandinho, Chiquinho e Fran. Completando o grupo André Medeiros, Fabiano, Bobil, Lalau, Werley, Bimbo, Wildson, Diego Borges, Vitor e Hesli. Nos registros fotográficos contamos com Ivo PVC (o pirata). Nos bastidores e apoio imprescindível de Verônica Medeiros, Luis Faustino (Shortinho), Alicia, Ponciano, Franknildo e João Forever.

1º DIA: SÃO TOMÉ-INGÁ DE SANTA LUZIA.

A saída foi por volta das 09h00min após um substancioso café servido na residência do clã dos Medeiros. Passamos pela igreja, fizemos o tradicional registro fotográfico e depois ganhamos as ruas da cidade, sempre sob os olhares atentos e palavras de incentivo dos populares.
Passamos pelo pórtico de entrada da cidade, logo em seguida abandonamos o asfalto e seguimos pela RN 023, um estradão com muito arisco. Depois de pedalar em trecho relativamente plano iniciamos o início da subida da serra da Gameleira e ali já foi um prenúncio do que nos aguardava. Chegando ao alto seguimos até o Olheiro da Gameleira, aproveitando para visitar uma formação rochosa bastante interessante, parecendo ter sido cortada com um facão. Apesar de pouca água nessa época o local é muito bonito e compensa uma visitação.
Seguimos pela comunidade de Salgadinho e pedalamos por trechos muito íngremes e com bastante erosão, obrigando-nos a descer das bicicletas e empurrar nas subidas. De um lado e de outro a vegetação seca impera e o calor é infernal. Nesse trecho o apoio não nos acompanhou e a solidariedade do grupo revelou-se com a divisão dos lanches que cada um levava.
Por volta das 13h30min chegamos no ponto de apoio no pé da Serra do Tigre e ali já nos aguardava Luis Shortinho e João Forever, com muita fruta, água e gelo. A hospitalidade dos moradores é incrível e retribuímos com muita simpatia, consertando a bicicleta de uma das crianças da casa.
Depois de abastecidos iniciamos a subida da Serra do Tigre e somente então percebemos o motivo do nome: a subida é voraz e por muito pouco não engoliu Shirley. Nesse ponto destaco a presença de Ponciano, apoiando com motocicleta e levando gelo e água. O homem manteve-se na vassoura e sua presença foi substancial para que todos chegassem ao topo.
Vencido o Tigre iniciamos a descida da Serra das Cachorras, único local do percurso em que avistamos alguns coqueiros.
A tarde já nos deixava quando chegamos no Espinheiro e um pneu furou bem em frente da residência de uma família extremamente simpática. Sem ninguém pedir nos ofereceram água e café, tendo ainda insistido para jantarmos. Nesse ponto teve ciclista com vontade de quebrar alguma coisa da bicicleta somente para ter um pretexto de ficar mais um pouco no lugar.
Já era noite quando alcançamos a RN 203 e finalmente chegamos ao nosso primeiro local de pouso, uma escola na comunidade de Ingá de Santa Luzia. Ali já encontramos a equipe de apoio, com um jantar farto e delicioso. Muito agradável foi a presença de pessoas da comunidade, principalmente as crianças muito solícitas e interessadas em pedalar conosco. Nos acomodamos e dormimos o sono merecido.

2º DIA: INGÁ DE SANTA LUZIA-INGÁ DE RAUL CAPITÃO.

O galo cantou cedinho e nos acordou. Tratamos de fazer os preparativos para continuar o pedal e em pouco tempo a inexorável equipe de apoio chegou com o café da manhã. Alimentados seguimos no rumo do Cruzeiro de Padre Cícero, mas antes passamos na casa de um membro da comunidade para fazermos um registro fotográfico.
A subida do Cruzeiro é avassaladora. São aproximadamente 3,5 Km em terreno com muitas pedrinhas soltas, fazendo a bicicleta derrapar. Existem alguns pontos de descanso, permitindo assim que todos subissem até o topo, inclusive uma criança da comunidade em sua bicicleta sem qualquer marcha.
Descemos o Cruzeiro e seguimos até a Fazenda Novo Mundo, um lugar muito bonito no meio do nada. Nesse ponto nos despedimos de Gaúcho, ciclista-mirim do Ingá de Santa Luzia que nos acompanhou até aquele trecho. Novamente o apoio se fez presente e foi um verdadeiro bálsamo.
Iniciamos a subida da serra da Torre do Celular e lá no topo avistamos o Pico do Cabugi. Dali pra frente foi muita descida e terreno relativamente plano, exceto por um singletrack acrescentado por André, ofertando mais adrenalina ao trajeto, de forma que chegamos ainda com o dia claro no Ingá de Raul Capitão. Na fazenda nos deparamos com uma linda paisagem e um casarão antigo, com enorme alpendre e com cheiro de muitas histórias. Aqui já não contamos com a estrutura da noite anterior e a dormida foi no alpendre, tendo sido possível o banho em razão do banheiro improvisado por André Medeiros. A noite deitamos no alpendre e ficamos jogamos conversa fora, esperando o sono chegar.

3º DIA: INGÁ DO RAUL CAPITÃO-SÃO TOMÉ.

Acordamos eufóricos e com a expectativa de já termos passado pelos trechos mais difíceis. Tomamos café ao mesmo tempo em que os animais da fazenda vinham tomar água. Percebi a organização dos bichos, um cedendo lugar ao outro e permitindo que todos fossem saciados.
Seguimos o trajeto e passamos pelo açude Pica Pau, único ainda com considerável quantidade de água. Nossa próxima parada foi na Fazenda Barra Nova e nesse ponto quem assumiu a dianteira do grupo foi seu Francisco, nos conduzindo por um singletrack arretado, recheado de urtigas. Foi sem dúvida o trecho efetuado com maior velocidade.
Em pouco tempo chegamos em Barcelona e dali seguimos para o terreiro da casa de seu Francisco, onde já nos esperavam membros de sua família e a equipe de apoio. Aqui foi facultado subir a Torre da Embratel e grande parte do grupo optou por subir, enquanto os demais ficaram aguardando para juntos fazermos o trecho final. Por volta das 14h30min entramos em São Tomé, sendo acompanhados por ciclistas da cidade que vieram ao nosso encontro. Fizemos uma rápida volta na cidade e fomos ao Centro de Idosos para o almoço, confraternização, registros fotográficos e sorteio de bicicletas.
Por volta das 17h30min cheguei em casa bastante cansado, porém satisfeito. Foi mais uma experiência incrível e serviu para tonificar em mim um sentimento: somos muito ricos, pois passamos por locais em que água é algo de difícil acesso, mas mesmo assim as pessoas ainda nos ofereceram o pouco que tinham.
Obrigado ao bom Deus por nos dar saúde e disposição para enfrentarmos os desafios. Obrigado André Medeiros por nos incluir em seu sonho. Obrigado aos anjos do apoio, sem os quais a Volta de Santumé, ao menos para mim, não seria possível. Obrigado a todos que nos acolheram com um sorriso e responderam de pronto ao nosso cumprimento: “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo...Para sempre seja louvado”.

RESENHAS - “MEI QUE OF”.

É claro que passar três dias dentro do mato com um grupo de pessoas gera muitas resenhas. Algumas foram registradas em nosso HD cerebral e outras foram frutos do Livro Preto do Dublê de Repórter, Fabiano Silva. Vamos então a alguns registros:

PROVA DE FOGO:

No dia antecedente a nossa saída dormimos em São Tomé e para tanto nos foi destinado um apartamento no centro da cidade. Para as mulheres (Shirley e Alícia) foi reservada uma suíte nos fundos do apartamento, de forma que tiveram suas integridades nasais e auditivas preservadas. Para os homens, entretanto, restaram os demais cômodos do imóvel, sendo a concentração da maioria na sala. O problema é que não nos avisaram de uma apresentação de duas orquestras, uma peidônica e outra roncônica, com concertos harmônicos e simultâneos. Para que se tenha uma ideia os peidos e os roncos eram tão altos ao ponto de inibir o locutor do rodeio presente na cidade, bem como de espantar algumas muriçocas ali presentes. Teve ciclista que amanheceu o dia com a venta inflamada, de tanto peido inalado. Há quem diga que esse é o grande desafio da Volta de Santumé, pois quem passa pelas orquestras está capacitado a subir qualquer serra no calor. Vou deixar em segredo os nomes dos maestros, mas quem desejar saber enviarei por e-mail.

CSI SANTUMÉ:

Na Serra das Cachorras alguém encontrou um bico de camel back no chão. Perguntaram se alguém tinha perdido, mas ninguém respondeu nada. Quando já pensavam em deixar o bico no mesmo lugar eis que surgiu a equipe CSI Santumé e tratou de recolher o objeto sob o seguinte argumento: vamos enviar para o laboratório e identificar pela saliva o DNA do proprietário. Soube que o objeto continua no laboratório, mas até o momento somente identificaram muito sal.

NOVOS CONTRATADOS DO DNIT:

A Volta de Santumé também serve para descobrir talentos e encaminhar os participantes para o mercado de trabalho. Foi o caso de Wildson que recebeu uma proposta de emprego do DNIT para trabalhar na reformulação de curvas nas diversas estrada do Brasil. Explico: o rapaz quando descia as ladeiras mudava todo o traçado das curvas, passando na maioria das vezes por dentro do mato. Mais ele não ficou sozinho na tarefa, sendo acompanhado por Flávio (Bombadão), abrindo uma nova estrada e por Bobil ao empenar o guidão no momento da curva.

O OPERADOR DE RÁDIO REVELAÇÃO:
Em determinado trecho foi oferecido um rádio de comunicação a seu Francisco, pois ele estava sempre na vassoura ou na frente e é um profundo conhecedor das trilhas da região. No início o homem ficou meio acanhado e não falava nada. Com o tempo foi provocado pelos demais operadores e desembestou a modular, de forma que a todo tempo se ouvia seu Francisco dizer: “Benito, difurcação na direita...André, aqui atrás a turma tá toda bem...Benito, cuidado que aí na frente tem uma areia fofa, depois dessa vareda”. Dizem que a ANATEL está bastante interessada em conhecer seu Francisco para ministrar um curso para os novos radioamadores.

PRA ONDE TU VAI VALENTE:

No dia que antecedeu à volta de Santumé o ciclista Vitor foi destaque empinando sua bike nas ruas da cidade. O menino era pura energia e pelo jeito ia subir as serras com uma roda só. Quando começou a volta propriamente dita, logo na Serra da Gameleira, veio a notícia no rádio: “acabaram-se as pilhas de Vitor e ele arregou no carro de apoio”. Soube, porém, que ele voltou e dormiu na cidade, tendo passado a noite carregando as pilhas na companhia de outros caboclos, retornando no dia seguinte e arrebentando.

TOME NO FOREVER:

Não é nada disso que você está pensando, é do energético que estou falando. Um dos apoiadores do evento foi João, tendo levado um significativo estoque do energético FAB da Forever. Pois bem, o produto foi testado e aprovado, de forma que os cabras tomavam uma latinha do bicho e subiam as serras na maior potência. Quem estava distante só escutava o grito: “Chaaaaaama no Forever!!!!!”.

ADUBANDO A TERRA:

No pouso do Ingá do Rau não tinha banheiro disponível, de forma que o número 2 teve que ser efetuado no velho estilo dos cangaceiros. Foi muito comum ver de vez em quando um ciclista seguindo no rumo do mato, levando consigo um facão na mão e um rolo de papel higiênico na outra. Teve um cabra que resolveu aproveitar a escuridão pra fazer sua necessidade e procurou um local estratégico, perto de uma casa abandonada. Estava lá o cidadão fazendo a sua obra, quando de repente ver aproximando-se uma luz de uma lanterna. Deixou chegar mais perto e quando viu que era mais um ciclista cagão, disse: “amigo, se você não quiser pisar em bosta mude sua direção”. O outro entendeu a mensagem e foi cagar em outro lugar. Diz a lenda que no outro dia a vegetação da fazenda amanheceu mais verde e o gado o tempo todo pisoteava bosta de gente.

O FASTIO DO CABO:


Não é novidade pra ninguém a força comilônica do Cabo Dantas. O homem é conhecido como corrosivo e no Exército Brasileiro dirige uma forrageira. Pois bem, quando anoiteceu e estávamos perto do Ingá de Santa Luzia, sem almoçar, deu um rói-rói na barriga do Cabo e o homem tomou a dianteira do grupo, chegando ao ponto de descanso com meia hora de vantagem. Segundo uma fonte segura o cabra comeu num cocho daqueles utilizado para alimentar gado.

LUIS SHORTINHO:

Após o pedal incorporamos uma nova peça ao vestuário do Rapadura Biker. Trata-se do short vermelho utilizado por Luis Faustino durante toda a Volta de Santumé. Diz a lenda que Verônica ao chegar em casa tentou lavar o short, mas não teve sucesso e somente resolveu com gasolina e uma caixa de fósforo.

ALVORADA DO SARGENTO:

Na noite de quinta-feira, aquela da apresentação das orquestras, alguns inquilinos do apartamento que somente conseguiram dormir às 03h00min da madrugada foram despertados às 03h40min pelo despertador do telefone celular do Sargento Josias. Acontece que o homem tinha tirado serviço naquela semana e colocou o aparelho para despertar durante a madrugada, garantindo assim a ronda no quarto de hora. A partir daquela noite ninguém mais quis dormir perto do Sargento e muitos ficaram à espreita, aguardando apenas uma oportunidade para fazer sumir o telefone despertador.


O trajeto.

Concentração.

Olheiro da Gameleira.

Lajedo da Gameleira.

Luis Shortinho,

O tigre e o caçador no pé da Serra do Tigre.

Consertando a bicicleta de uma criança da comunidade.

Preliminar.

A bandeira do Rapadura.

Pouso no Ingá de Santa Luzia.

Pouso no Ingá de Raul.

André também come bem.

Com a representação de Bananeiras-PB.

Escola que nos acolheu,

No Padre Cícero.

Com orgulho.

Moto de apoio.

Missão cumprida e comprida.

Shirley flagrada em um momento de cansaço.

Luis Shortinho e Franknildo.

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