26/05/2014

Rapaduras no Lajedo de Pai Mateus - Cabaceiras/PB

Caros Rapaduras:Os seguidores do blog certamente perceberam a pausa em nossas postagens. Por várias razões desde fevereiro de 2014 nada foi atualizado. Nos dias 23, 24 e 25 de maio de 2014 fomos visitar e pedalar no Lajedo de Pai Mateus, localizado no Município de Cabaceiras, no Cariri Paraibano. De há muito pretendíamos conhecer o lugar, mas a oportunidade certa ainda não tinha surgido.  Alguém viu uma promoção convidativa em um site de compras coletivas e em pouco tempo criou-se um grupo no Whatsapp, de modo que conseguimos quase lotar o hotel somente com Rapaduras.Vou tentar passar para vocês como foi esse final de semana mágico, capaz até de me fazer retomar essas mal traçadas linhas,Um abraço e boa leitura.                              Benilton de Lima Souza, do Grupo Rapadura Biker.


PREPARATIVOS E 1º DIA:

Aproximava-se o dia da partida e uma espécie de frenesi tomou conta dos participantes do grupo de conversa criado para troca de ideias e informações sobre a viagem. Após uma reunião no Bar do Roberto Carlos resolvemos sair em comboio às 09h00min da sexta-feira (23/05). Quinze minutos após a hora marcada fizemos o tradicional registro fotográfico da saída e em pouco tempo já estávamos na estrada. Parte do grupo somente sairia mais tarde em razão de outros compromissos. A fila de carros com bicicletas "penduradas" chamou a atenção das pessoas no caminho. O sistema de comunicação via rádio permitiu uma viagem menos cansativa, pois sempre tinha alguém alimentando a "Rádio Rapadura" com alguma informação de cunho cultural, filosófico e afrodisíaco, ou seja, explicavam aquilo que não podia ser explicado, porém de forma inexplicável. Um bom exemplo da transmissão da rádio foi a seguinte conversa: "Radio 1: Mestre Kuka na escuta; Radio 2: Na escuta; Radio 1: Por gentileza, diga uma frase com o verbo hospedar; Radio 2: os pedá da bicicleta de Cabelo arranharam meu carro; Carro 1: Perfeito".

Deixamos a BR 101 e seguimos pela 230, sendo nesse ponto o comboio acrescido por Paulo Trigueiro, Ana Claudia e respectivas filhas, além do casal Álvaro e Milena, estes vindos de João Pessoa-PB.
Optamos por almoçar na estrada e a escolha foi totalmente aleatória, mas muito acertada. Um restaurante simples, porém com uma comida deliciosa, rápida, limpa e preço justo.
Após o almoço voltamos à estrada e em pouco tempo alcançamos Campina Grande-PB. Optamos por seguir por Queimadas e Boqueirão, permitindo assim passar em Cabaceiras, sendo uma excelente oportunidade para conhecermos a "Roliude Nordestina". A cidade estava em plenos preparativos para a Festa do Bode Rei e seguimos direto para o Centro Histórico, elegendo a "Churrascaria o Rei da Panelada" para refrescar o calor e "nivelar o óleo". Literalmente tomamos conta da cidade e fomos muito bem recebidos pelas pessoas, com especial registro para André e para o carteiro da cidade que interrompeu alguns segundos do seu dia para fazer uma foto conosco.
Deixamos Cabaceiras ainda com o dia claro e enfrentamos mais 14 Km de estradão até o Hotel Fazenda Pai Mateus. Nos hospedamos e o grupo se dividiu em três: o primeiro foi fazer um "pedalzinho" de reconhecimento nas cercanias do hotel, o segundo foi descansar e o terceiro foi açoitar o fígado. Anoteiceu e o restante do grupo chegou de Natal.  Jogamos conversa fora, acertamos os detalhes da programação do dia seguinte e fomos dormir cheios de expectativas.

2º DIA. PEDALADAS NOS LAJEDOS E FORRÓ DE PÉ DE SERRA:

Vou pro campo, no campo tem flores, nas flores tem mel
Mas à noitinha estrelas no céu
No céu da boca, da onça é escura
Não cometa, não cometa, não cometa furo, pimenta malagueta não é pimentão
Vou pro campo, acampar no mato, no mato tem pato
Gato, carrapato, canto de cachoeira
Dentro d'água pedrinhas redondas
Quem não sabe nadar não caia nessa onda, olha que a cachoeira é funda e afunda menino
Não sou tanajura, mas eu crio asa, como os vaga-lumes eu quero voar
Um céu estrelado, hoje é minha casa, fica mais bonito quando tem luar
Quero acordar com os passarinhos, cantar uma canção com o sabiá
Quero acordar com os passarinhos, cantar uma canção com o sabiá
Dizem que verrugas são estrelas que a gente conta
Que a gente aponta antes de dormir
Eu tenho contado, mas não tem nascido
Isso é história de nariz cumprido deixe de mentir
Os sete anões pequeninos
Se te corações de meninos e a alma leve
São folhas e flores ao vento
Do sorriso, do sentimento, da Branca de Neve
Não sou tanajura, mas eu crio asa, como os vaga-lumes eu quero voar
Um céu estrelado, hoje é minha casa, fica mais bonito quando tem luar
Quero acordar com os passarinhos, cantar uma canção com o sabiá
Quero acordar com os passarinhos, cantar uma canção com o sabiá
(Meninos. Composição de Juraildes da Cruz).

Acordamos com o canto dos pássaros vencendo o barulho do ar condicionado. Uma música veio de imediato no pensamento e com ela lembrei do nosso querido Professor Raimundo, fã incondicional de Eugênio Avelino, mais conhecido por Xangai. Dediquei aquele dia de pedalada ao nosso decano e quase eremita, somente deixando de ser em razão da introdução em sua vida da "anja" Maria.
Tomamos café reforçado e conhecemos o nosso guia, o simpático Romero, nativo da região e muito provavelmente com sangue cariri nas veias. Para não fugir ao regramento de imediato batizamos o guia e coube a nossa arquiteta Professora Trícia a sugestão do nome - Romero Cabrito - uma referência ao artista Romero Brito e ao animal mais presente na região.
Ouvimos a preleção do guia e saímos no total de vinte e cinco ciclistas para iniciar nossas trilhas. O relógio apontava 07h50min. Logo na saída da primeira porteira já encontramos uma subidinha para "arrumar" a comida no estômago. Deixamos o estradão e seguimos por uma trilha no meio do mato, passando entre vacas e bois, para desespero de Helena Miranda.
Voltamos novamente ao estradão e já avistamos o nosso primeiro objetivo do dia, a Saca de Lã, uma obra prima da natureza, consistente em pedras perfeitamente empilhadas, formando um paredão enorme e que enche os olhos do visitante. Na parte baixa em que ficamos é visível o curso das águas no inverno, o que certamente torna o lugar mais lindo.
A emoção da Saca de Lã foi tão intensa que antes de deixarmos o lugar o nosso colega Emanuel me procurou em "off" indagando acerca do providencial PH, também conhecido como papel higiênico. Percebi que a emoção do homem seria extravada ali mesmo e sem me fazer de rogado indaguei ao grupo se alguém tinha trazido o referido acessório. De imediato Romero Cabrito apontou para um pé de marmeleiro, legítimo "Neve" folha dupla do Cariri.
Deixamos a Saca de Lã e pelo radio recebi a notícia que Emanuel tinha assumido a dianteira. Na primeira touceira o homem emburacou no mato, parecendo um peba. Fez o serviço, deixando para trás um verdadeiro lajedo sedimentado por muito cuscuz, salsicha, bolo, tapioca e suco, fazendo surgir assim mais um monumento na região: O Lajedo do Pai Manel. As coordenadas do lajedo ainda estão sendo objeto de homologação, entretanto, os corajosos que desejarem visitá-lo bastam seguir o forte fedor de tacaca.
A próxima parada foi uma das casas que serviu de cenário para o filme "Por Trás do Céu", cujas filmagens tinham ocorrido recentemente, de forma que ainda encontramos sinais das gravações. Nesse ponto tivemos um sinal de sorte para os Rapaduras, pois muitos deles pisaram em fezes de gado. Houve até quem afirmasse que a bosta serve para lubrificar os tacos das sapatilhas. Na dúvida, optei por deixar o meus rangendo.
O sol começou a ficar mais forte, mas ainda tolerável. O carro de apoio estava sempre nas proximidades e quando a sede apertava, eis que surgia a F4000 com água, refrigerante e gelo. 
Depois de abastecidos seguimos por trilha e logo nos deparamos com o primeiro lajedo para nosso deleite. Já havia pedalado antes em cima das pedras (Bananeiras, Cerro Corá e no Morro do Martins), mas as pedras do Pai Mateus são diferentes. São rugosas e muito onduladas, exigindo do ciclista total concentração. As trilhas estão marcadas com cal e segui-las é essencial para evitar quedas. No alto encontramos mais um cenário do filme "Por Trás do Céu". Um barraco de madeira repleto de misticismo. Minha atenção voltou-se para um barco ancorado em cima de uma pedra e uma tuba na porta da entrada. Descemos com cuidado, sempre com a orientação do paciente guia e a solidariedade dos colegas.
Registro que nesse ponto os pneus furados já começaram a surgir, porém o número de intercorrências foi bem menor do que imaginei. Ressalto mais uma vez o espírito de corpo do grupo, trocando as câmaras de ar com uma rapidez digna de pit stop de Fórmula Um.
Evoluímos um pouco mais e chegamos ao pátio da Fazenda Salambaia. Ao fundo nos aguardava o enorme lajedo com o mesmo nome e um açude com águas escuras altamente convidativas. Fomos aos poucos vencendo o lajedo, subindo com atenção e contemplando um visual magnífico da região. Foram 7 Km totalmente em cima das pedras, com um sol forte, mas uma brisa incrivelmente agradável.
Deixamos Salambaia e iniciamos um single track na trilha Guerreiro Tapuia, com trechos de areia solta, mas com sombras maravilhosas.
Voltamos ao estradão e dali até o hotel foram mais 7 Km, vencidos rapidamente. Chegamos todos juntos por volta das 13h00min e seguimos direto para a convidativa piscina, passando assim a relaxar e compartilhar nossas impressões.
Às 16h00min seguimos (um grupo de bicicleta e outro de carro) até o Lajedo Pai Mateus para contemplarmos o incrível por do sol, marca registrada do lugar. Lá conhecemos a casa do Pai Mateus e ouvimos um pouco da sua história. Também visitamos a Pedra do Capacete, a do Sino e a do Pão. 
A hora do por do sol chegou e todos sentamos para admirá-lo. Lembrei de Shirley e nesse momento compreendi quando ela enfatizou sobre a "energia do lugar".
Totalmente energizados voltamos ao hotel já com a presença da noite. Às 20h00min começou o forró e fiquei muito feliz com os resultados da academia de dança, pois verifiquei não somente minha evolução no forró, mas também os passos leves, cadenciados e milimetricamente elaborados dos colegas Galego Cabelo, Paulo Rodinha, PC e Manel do Lajedo, sem falar no forrópedalada de Jr. Verona. Não gosto de fazer propaganda de nenhum estabelecimento comercial, mas no caso da academia tenho que recomendar. Trata-se da TriunfoDance, não exigindo mensalidade, sendo necessário tão somente o investimento de R$ 15,00 (valor de três garrafinhas da cachaça Triunfo), as quais, depois de ingeridas transformam qualquer um em exímio dançarino.
O forró foi tão organizado que teve até dançarino contratado para acompanhar as mulheres desacompanhadas. O nome do pé de valsa é Bibi e fez a alegria de algumas Rapaduras, dançando mais do que carrapeta em cima de azulejo. O homem gostou tanto da festa que no dia seguinte já estava logo cedo no hotel, vestido com camisa de mescla e aromatizado no cashmere bouquet.
O fechamento da festa foi a comemoração do Sargento Josias (Vigia Rodinha), com direito a bolo e parabéns pra você sem microfonia. Uma festa maravilhosa, com muita alegria e compartilhada inclusive pelos moradores da região.
Foi assim a primeira passagem dos Rapaduras no Lajedo do Pai Mateus: alegria, energia, irreverência, solidariedade e integração. Certamente voltaremos.
Agradecimentos:
1) aos Rapaduras presentes (Claudia Celi e Guilherme Lima; Galego Cabelo e Mãe Jurubeba (deve ter encontrado muito material para fazer suas mandingas); Andréia e Manel do Lajedo (a natureza também agradece o adubo proporcionado ao lugar); Ana Claudia, suas filhas e Paulo Rodinha; Margareth e Othon; Edivania e Josias;  Lívia, João Victor e Sebastião da Terral; Virgínia (dessa vez deve ter ganhado o 10 estrelado, pois perdeu até o por do sol) e Paulo Cabral (pisou em quinze quilos de bosta durante o trajeto); Vera Lucia (infelizmente voltou menos culta, pois apesar de abrir o livro, não conseguiu nenhuma leitura), Ana Maria das Botas (dançou muito com Bibi e ainda tilou no braço do carteiro) e Jr. Verona (ainda tá com o joelhos estropiados em razão do forró da bicicleta); Milena e Álvaro (só na lua de mel); Helena e Pinto (só no sapatinho); Celita e Evandro; Raira e Kasila; Professora Trícia; Uilamy (divulgador do forró do canguru - só pulando); Neide do Gás e seu Kuka (depois da 29, chega "flotoa"); e Enéas e Selma.
2) ao Hotel Fazenda Pai Mateus, na pessoa de Paulo Eduardo, pela atenção e presteza no atendimento. A todos os funcionários pela simpatia e vontade de atender bem. Superou as expectativas.
3) ao guia Romero (atencioso, paciente e profissional), seu Sebastião na moto de apoio (sempre com a bomba na mão) e o pessoal da F4000 (faltou anotar alguém???).
Seguem alguns registros fotográficos.


















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