22/09/2016

Rapaduras no Circuito do Vale Europeu em Santa Catarina

Caros Rapaduras:

Os dez anos do Grupo Rapadura Biker coincidiram com os dez anos de criação do Circuito do Valeu Europeu Catarinense e não poderíamos deixar passar a oportunidade de conhecer o lugar.
O roteiro elaborado foi de oito dias de pedaladas, de modo a possibilitar a todos integrantes concluírem todo o trajeto.
Formamos um grupo inicial de doze pessoas (Benilton, Cláudia Celi, Carlson, Fabinho, Helena, Jodrian, Kuka, Neide, Paulo Cabral, Patrícia, Rosana e Virgínia Cabral) e tratamos de escolher a data da viagem, fazendo em seguida as reservas das hospedagens e contratação do transfer entre o aeroporto de Florianópolis e Timbó, tudo com cinco meses de antecedência, pois depois da reportagem exibida pelo Globo Repórter a procura pelo Circuito teve um incremento. No meio da preparação tivemos o acréscimo do casal Railton e Lilian ao grupo, pois estavam com um viagem planejada de carro e aproveitaram a presença dos Rapaduras em terras catarinenses para a realização de um sonho de Railton, ao passo que Lilian acompanharia de automóvel.
O relato a seguir será bastante resumido, mas vou tentar apresentar as informações mais interessantes para quem desejar fazer o Circuito sem o apoio de guia ou agência especializada, como foi o nosso caso.
O primeiro aspecto a ser considerado é o tamanho do grupo. Quanto maior, mais difícil é a obtenção de hospedagem, mormente na parte alta, pois ali as opções são mais restritas. Em segundo lugar considero a questão de pedalar ou não com alforges. Se for uma viagem solo ou em dupla, certamente os alforges caem bem, entretanto, no caso do grupo o melhor é contratar um serviço de transporte de bagagens, alugar um carro ou, como no nosso caso, ter a sorte de contar com um participante acompanhando de carro. Um terceiro fator a ser considerado é a escolha da época do ano. Fomos na primeira quinzena de setembro (primavera), mas mesmo assim ainda enfrentamos um pouco de frio e chuva fina, principalmente nas primeiras horas da manhã.
Mais adiante vou postar quais foram nossos custos, servindo assim de referencial para quem pretende fazer o Circuito.
Vamos então ao relato.

NATAL-SÃO PAULO-FLORIANÓPOLIS-TIMBÓ - Dia 09 de setembro de 2016

Deixamos Natal na madrugada do dia 09/09/16, voamos até Guarulhos e dali fizemos uma conexão até o aeroporto de Florianópolis. A viagem foi tranquila e sem nenhuma intercorrência. Nos semblantes de cada um era perceptível uma certa ansiedade, mas a alegria era bem mais nítida.
Parte do grupo no aeroporto de São Gonçalo do Amarante-RN
Chegada em Floripa. Tempo bom.
Após um pequeno atraso oportunamente justificado o veículo que nos levaria até Timbó chegou ao aeroporto. Apesar de ser um carro para 15 passageiros, foram necessários alguns ajustes para acomodarmos os doze ciclistas, as respetivas bicicletas e bagagens. Tinha tudo para gerar um estresse, mas a vontade de chegar era tanta que superamos aquela primeira adversidade, compensada com uma parada para o almoço em um restaurante de excelente astral e excelente comida.

Na Van no rumo de Timbó. Olha a minha cara de felicidade, o cansaço de Cláudia e Neide dormindo de boca aberta.

Parada para o almoço.

As irmãs Cajazeiras.
Depois de enfrentarmos muito trânsito, chegamos finalmente ao Timbó Park Hotel, local escolhido para nossa hospedagem do início e fim do Circuito. De imediato chamou a atenção o fato do hotel ser voltado a atender o cicloturista, com um local exclusivo para as bicicletas, inclusive com estrutura para montagem, desmontagem e lavagem. Ah, também tem um serviço de aluguel de bicicleta para quem não trouxe a sua e resolva conhecer a cidade pedalando.
Local destinado às "magrelas".

Aluguel de bicicletas no hotel.
Após hospedados, adquirimos o nosso passaporte, deixamos as bicicletas prontas para o dia seguinte, descansamos um pouco e fomos conhecer o Restaurante Thapyoca, que também é um local de credenciamento e o ponto final do Circuito. Para nós nordestinos foi um pouco frustrante, pois a única tapioca que tem lá é o nome do local. Afora esse pequeno detalhe, o cardápio é bem variado, com a típica culinária catarinense, além de excelentes opções de bebidas para quem quiser "aguar as palavras".

Uma taça de vinho e um chopp somente para dormir mole. 

Aquela ponte ao fundo será o término do Circuito.

Cláudia Celi no Thapyoka.
Agora é só dormir e acordar com disposição para iniciar o Circuito.


TIMBÓ-POMERODE - 50 Km.

Acordamos cedo e tomamos o excelente café da manhã do Timbó Park Hotel. Ao término recebemos lanche a ser consumido durante o trajeto.
Ainda com sono.

Logo na saída uma primeira notícia boa: Carlos Beppler e família (Malu e as meninas) e Sergio Luiz Nones, pessoas que foram peças fundamentais na criação do Circuito, estavam presentes, oferecendo assim um significado maior ao nosso momento. Não bastasse isso, Carlos nos acompanhou pedalando até Pomerode. Também conhecemos um simpático casal de São Paulo (Luiz Carlos e Cláudia), que nos acompanhou por um bom tempo.
Rapaduras com Carlos e Sérgio: precursores do Circuito.


Fomos até o ponto inicial e seguimos pela ciclovia, percebendo então que a cidade de Timbó não é tão pequena. Logo deixamos de lado a urbe e começamos por um estradão que nos acompanharia por vários dias. Quando passava um carro subia uma poeira fina que adentrava nossas narinas. Foi imprescindível o uso da balaclava e de uma bandana fazendo às vezes de lenço. Outra coisa importante é que para amenizar a poeira, tem sempre um carro pipa molhando a estrada. Logo encontramos a primeira ponte, de muitas pelo caminho. Ao longe avistávamos os morros encobertos por nuvens e até aquele momento não tínhamos dado conta de que iríamos subi-los em algum momento. 
Uma das várias pontes do caminho.


De olho nos morros.

Foi unânime a admiração de todos: as belezas dos jardins e as pessoas trabalhando intensamente em suas propriedades. As primeiras casas com arquitetura enxaimel já começaram a surgir, sempre tendo como plano de fundo uma linda paisagem verde e muita água.
Não demorou e chegamos em Rio dos Cedros, fizemos uma parada em um supermercado e abastecemos com água, aproveitando para carimbar o passaporte.
Quando avistamos a placa do Rio Ada e chegamos a uma comunidade com uma linda igreja ocorreu do pneu dianteiro da bicicleta de Fabinho rasgar no contato com uma pedra. Foi um rasgo considerável e como era pneu sem câmara, o selante não resistiu. Rapidamente retiramos todo o líquido selante que restou, fizemos uma boa limpeza, aplicamos um manchão e colocamos uma câmara de ar nova. Problema resolvido e excelente trabalho em equipe.
Paradinha para consertar o pneu. Aproveitamos para conhecer a igreja.

Deixamos a pequena comunidade e logo na saída encontramos uma ponte de madeira coberta, também muito típica da região. Até então a subida do Rio Ada ainda não tinha mostrado todo o seu corpo, apenas os pés. Chegamos a uma pequena comunidade e encontramos um mercadinho e foi aí que a proprietária salientou: "vocês vão começar a subir agora".
Muito comum esse tipo de ponte na região.

Muito verde e muita água.

Paradinha para abastecer o tanque.

Depois do aviso, chegou então o momento de conhecer as subidas do Circuito - o Rio Ada - ela começa bem sutil e de repente vai ganhando corpo. Quando você olha para trás e observa o colega lá embaixo é que percebe o tamanho da "brincadeira". Devagar e sempre, parando, sorrindo, curtindo a paisagem, subimos todos. Confesso que senti um pouco de saudades da ladeira de Tabatinga.

Vamos subir.
Como dizia Pranxú: "Toda subida tem a descida que merece". Depois de um boa subida e um clima gostoso, sem  o calor escaldante típico aqui do Nordeste, tem início o processo de descida. Nada de relaxar, pois apesar de não existir erosões no terreno, qualquer desatenção pode resultar em queda. 
Descemos, fizemos uma rápida parada para reagrupar e verificar o que restou de ar nos pulmões. Tudo em ordem e seguimos as plaquinhas amarelas, logo chegando na zona urbana de Pomerode. 

Casas típicas da região.


Chegando em Pomerode.


Não demorou e encontramos uma ciclovia, adentrando o centro da cidade e finalmente encontrando o Hostel Stettin, nosso local de hospedagem na cidade. Local limpo e agradável, com atendimento muito bom pelo simpático casal de proprietários. Feito o chek-in e após um banho merecido partimos para conhecer um pouco da cidade, conhecida como a "Pequena Alemanha". Não demorou e encontramos um local para comer, beber e resenhar sobre o nosso primeiro dia. Todos cansados, porém inteiros e satisfeitos.
Nossa hospedagem em Pomerode. 

Hora de relaxar.

Jodrian no WhatsApp.









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