16/11/2011

Pedal do Rio do Fogo: 3º ano

Dentre os diversos pedais que realizamos durante o ano alguns são emblemáticos e fazem parte do nosso calendário. São por assim dizer "pedais obrigatórios".
O de Rio do Fogo é um deles. Quem o idealizou foi o colega Bezerrão, à época ainda solteiro, mas já com uma galega na sua cola.
A ideia principal é pedalar por parte do nosso litoral norte e ao final participar de um almoço feito com carinho pelas maricultoras da praia de Rio do Fogo.
Esse ano trinta e um ciclistas toparam o desafio, pois afinal são 77 Km para quem sai do ponto de concentração (praça Augusto Leite) e para aqueles que moram mais distante o trajeto aproxima-se dos 87 Km.
Saímos com apenas quinze minutos de atraso, o que pode ser considerado razoável, tendo em conta a quantidade e a heterogeneidade de pessoas.
Acordamos com a cidade, que apesar de comemorar um feriado nacional estava bastante movimentada. Passamos na Praia do Forte e encontramos muitas pessoas fazendo atividade física, o que somente reforça a constatação de que existe uma preocupação maior com a saúde.
Subimos e descemos a Ponte Newton Navarro (nossa ponte) e por mais que eu faça aquele trajeto é sempre como se fosse a primeira vez. Sempre tem uma beleza diferente a ser apreciada.
Seguimos pela Redinha, Santa Rita e Genipabu, sentindo de perto a brisa do mar. É incrível como uma fila de ciclistas atrai a atenção das pessoas e como todo mundo acha que estamos participando de uma competição.
Atravessamos Barra do Rio e o pessoal da balsa como sempre muito atencioso. Pela quantidade de ciclistas tivemos que utilizar duas balsas e eu fui na última, passando por um momento de tensão. Explico: Todo mundo começou a ocupar o seu espaço na balsa e quem ficou por último foi Fabiano GG. O nome já diz tudo. O cara quando colocou os pés na balsa a danada deu uma empinada que mais parecia com lancha do programa "Miami Vice". O coitado do rapaz da balsa comentou comigo que era preferível transportar três carros de uma vez do que levar aquele ciclista tamanho família. Recomendou inclusive que da próxima vez reservasse uma balsa somente para Fabiano GG.
Passado o susto e novamente com os pés no chão seguimos o trajeto passando por Graçandu e chegando finalmente a Pitangui, local do tradicional café da manhã de Dona Biluca. Dessa vez a mulher se superou e assim que adentramos o estabelecimento o café foi servido. Comida boa, preço acessível, simpatia no atendimento e ambiente higienizado. O cardápio foi a base de frutas, macaxeira, ovo, pão, queijo, café, leite e suco. Teve ciclista que levou até um lanche no bolso da camisa já precavendo-se para o que vinha pela frente.
Todo mundo de barriga cheia retomamos o pedal num ritmo mais lento. Devagar vencemos as dunas de Pitangui, passamos por Jacumã e quando chegamos em Porto-Mirim paramos numa sombra de cajueiro bastante agradável. Nesse momento chegou o nosso carro de apoio aos cuidados do Ministro Afonso Severo. Todo mundo na maior expectativa de que o homem trouxesse uma caixinha de isopor cheia de gelo e água. Que nada, a única coisa gelada dentro daquele carro eram as cervejas que Afonso insistia em exibir para cada um dos ciclistas no momento em que passava por eles. O homem era todo pose na direção do "vitarinha" de Bebê e ainda tirava onda com os ciclistas dizendo que somente participava de pedais de mais de 100 Km. É o fraco!!!
Não demorou e chegamos em Muriú. Parada no posto para abastecer com gelo. Aqui tivemos o primeiro e único (segundo soube) pneu furado do trajeto. O problema foi rapidamente resolvido e logo retomamos o caminho.
Em Barra de Maxaranguape soube que houve um grupo que parou para chupar dindins e o desmantelo foi grande. A contabilidade final indicou que cada um chupou cerca de 77 dindins, um pra cada quilômetro rodado. Se alguém duvidar é só conferir com Neide do Gás, pois soube que ela guardou todos os saquinhos pra quando passar novamente no local ver se a mulher da bodega recebe o casco e fornece um desconto.
De Barra até Caraúbas foram 8 Km bem rapidinhos. Ali tivemos o excelente ponto de apoio na casa do nosso amigo Evandro (Bebê). O homem parece que fez mestrado em ser anfitrião e quando chegamos lá já encontramos uma mesa posta com melancia cortada, um garrafão de água mineral e um isopor com gelo. Não bastasse isso ainda tivemos uma excelente ducha e um maravilhoso banho de piscina. O detalhe é que a piscina não era das maiores, de forma que só cabia um pé de cada vez. Teve um momento que contei dez pessoas dentro da piscina e mesmo assim ainda tinha lugar para Hiram Lima e para Fabiano GG.
Todo mundo tomado banho chegou a hora de continuar o caminho. Passamos em frente ao Ma-noa Park e deu uma vontade enorme de comprar um passaporte e passar o resto do dia mijando dentro daquelas piscinas, mas lembrei que não chegam nem aos pés da piscina da casa de Evandro e Celita.
Alcançamos Pititinga e desta vez não tivemos nenhuma parada no cabaré. Não foi por falta de vontade, mas pelo fato de que as "meninas da casa" estavam comemorando a proclamação da República e pelo que soube foram visitar os parentes em Brasília.
No trecho entre Pititinga e Punaú tivemos um episódio interessante. O nosso amigo Rochinha, que segundo Afonso estava tão cansado que merecia ser chamado de pedregulho, resolveu lembrar o seu ofício de aviador e fez uma aterrisagem forçada. Desequilibrou da bicicleta e beijou o solo de Punaú e achou de encontrar um cardeiro para apoiar suas mãos. Quem viu o movimento disse que se a luva não fosse boa ele estaria até agora arrancando espinhos.
Mais adiante encontramos a ponte do rio Punaú e justamente embaixo da ponte seu Osvaldo achou de instalar um bar. A mesa do "bar molhado" é uma porta e segundo Helena do Pinto foi ali que tomamos a cerveja mais gelada da vida dela. Segundo seu Cuca (Kuka) Helena ficou tão satisfeita que sacou do bolso uma nota de cinco contos e pagou a conta sozinha. A grande luta foi tirar Júnior Verona de dentro do bar.
Passamos por Zumbi e em pouco tempo encontramos o asfalto de acesso a Rio do Fogo.
Seguimos direto para o local do almoço, um bar na beira da praia. A comida era franca e de boa qualidade. A simpatia das maricultoras, tendo a frente Luzia, fez com que o cansaço fosse esquecido na hora.
Como das outras vezes procuramos um contato com o Prefeito de Rio do Fogo para fazermos uma ação social na cidade, mas diferentemente dos outros ele sequer quis ouvir nossa proposta, não sendo assim possível sortear bicicletas e falar sobre a importância do veículo para uma sociedade equilibrada. No entanto, tivemos um curso básico de dança latina ministrada pelo terceiro bailarino do Ballet de Bolshoi, Erimar (também conhecido por Estive em Marte ou Steve Martin dos pobres) e uma demonstração de como reciclar sandália japonesa, cujo ministrante foi um bebum da cidade que se intitulou de papel higiênico, dizendo-se bastante desenrolado.
Outra novidade desse ano foi a presença da SAMU, representada por Roberto Bruno e Mari. Sobre o primeiro não ouvi muita conversa, mas percebi que o cabra é sangue bom. Sobre a segunda tenho a dizer que é deveras simpática e que tem muito ciclista querendo passar mal pra ser atendido pela ambulância dela.
Depois do almoço um bom banho e uma roupa limpa. Arrumamos as bicicletas nos carros, nos despedimos e voltamos já pensando no próximo ano.
Concentração na Praça Augusto Leite
Nas ruas de Natal.
As Guerreiras do Fogo em Genipabu.
Na balsa empinada: o ângulo da foto não mostra muito, mas que empinou, empinou.
Café da manhã em Dona Biluca - Pitangui.
Não é a piscina que é pequena, o povo é que é muito.
Bar Molhado do Osvaldo - Punaú.
Erimar (Estive em Marte) dançando com uma aluna.
O desenroaldo.
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