24/05/2012

O reboque do Rapadura Biker começa a virar realidade

Caros Rapaduras:
Conforme já postado anteriormente iniciamos uma campanha para aquisição de um reboque para transporte de bicicletas. Com o crescimento do grupo e o incremento nas atividades ciclísticas o reboque se fez necessário, principalmente para não ficarmos a depender de locações, empréstimos ou outros recursos.
Realizamos no último dia 20 de maio de 2012 o sorteio de uma bicicleta dobrável, um capacete, um par de luvas, uma camisa do Rapadura Biker e uma rede para bagajeiro.
Colocamos à venda 400 (quatrocentos) bilhetes, ao preço unitário de R$ 10,00 (dez reais). Desse total conseguimos vender 367 (trezentos e sessenta e sete), resultando no lucro líquido de R$ 3.670,00 (três mil, seiscentos e setenta reais).
Enquanto não chegava a data do sorteio iniciamos uma pesquisa de preços. Nesse sentido viajamos até Pirpirituba-PB e ali tivemos um primeiro orçamento no valor de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), relativos a um reboque para 10 (dez) bicicletas. Buscamos empresas em outros Estados, especialmente nos Estados de Goiás, Paraná e São Paulo, obtendo orçamentos oscilando entre R$ 3.700,00 (três mil e setecentos reais) e R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), sem o valor do frete, estimado em R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais). Solicitamos também orçamentos em Pernambuco e Ceará, mas não tivemos respostas. Aqui na Capital procuramos três fabricantes e todos, sem exceção, colocaram inúmeros obstáculos, principalmente quando verificavam que o nosso reboque tinha que ter um sistema de fixação para as bicicletas sem desmontá-las. Depois de muitas idas e vindas chegamos a um orçamento de R$ 3.700,00 (três mil e setecentos reais), entretanto, nesse valor estava incluído tão somente a prancha, sendo pago por fora os "transbikes". No final o reboque sairia muito além do nosso orçamento.
Depois de muitas idas e vindas encontramos um reboque ano 2011, portanto, relativamente novo, nas dimensões que procurávamos e pronto para receber pequenas adaptações para fixação dos "transbikes", podendo, chegar até 12 (doze) bicicletas, além de ter lugar para guardar pequenas bagagens e material de apoio, inclusive sendo possível adaptar uma caixa térmica (item muito útil para acondicionar gelo e outras coisitas mais). Adquirimos o reboque por R$ 3.000,00 (três mil reais), já devidamente emplacado e licenciado, pronto para ser transferido. Como o grupo ainda não tem personalidade jurídica a transferência será feita para o meu nome, no entanto, torno público aquilo que já é óbvio,  o bem integra o patrimônio do Grupo de Ciclismo Rapadura Biker.
No mesmo rumo encontramos uma empresa no Paraná que comercializa "transbikes" de teto, no estilho calha, com fixação no quadro da bicicleta. É o modelo que pretendemo utilizar, pois a bicicleta é transportada sem a necessidade de desmontagem. Iremos adquirir 10 (dez) peças ao preço unitário de R$ 68,00 (sessenta e oito) reais. 
O próximo passo agora é aguardar a chegada do material e fazer as adaptações necessárias, inclusive com uma pintura personalizada com as cores e a logomarca do Rapadura Biker.
Agradecemos a todos que ajudaram nessa empreitada, em especial aos que se empenharam em vender os bilhetes, alguns até adquirindo para si, bem como aos que compraram com o simples propósito de ajudar o grupo.
Seguem abaixo as fotos do dia do sorteio, inclusive com o registro do bilhete premiado: PARABÉNS TIA PENHA.
A premiação é a urna secreta.

Auditores da Rapaduration International Association.

Auditores cantando o Hino do Rapadura Biker.
Ministra da Saúde do Rapadura Biker balançando o bisaco.

Metendo a mão na cumbuca.
Verificando a autenticidade do lacre.
Registrando a ganhadora.
Confirmando a ganhadora: Tia Penha.
O filho da ganhadora compareceu para receber o prêmio.
O reboque ainda em fase de arrumação.

Roteiro dos Engenhos 2012

Faltando dois dias para o pedal do "Roteiro dos Engenhos" o meu telefone celular simplesmente apagou. Fiquei praticamente incomunicável na quinta e na sexta e, acostumado a utilizar o despertador do aparelho, esqueci de acionar outro método para auxiliar minha alvorada no sábado.
Acordei com o barulho da chuva na minha janela. Quando olhei para o relógio o danado apontava para às 06h30min. De longe ouvi o toque do meu celular (cujo problema foi resolvido por minhas crias depois de pesquisarem na Internet a origem do bug) e quando atendi era Hiram Coala do outro lado, perguntando gentilmente: "Ministro, cadê você". Respondi não sei o quê, mas disse que estava de saída. Para aumentar a minha angústia, pois odeio causar atraso, Hiram disse que o comboio estava de saída para o local da concentração e que tinham uns doze carros. Tranquilizou-me, porém, dizendo que já tinha levado Professor Raimundo de carona. Lembrei do tempo do Exército e vesti a roupa em trinta segundos, coloquei a bicicleta no carro e fui embora. No caminho ainda passei em Lagoa Nova para buscar Suzy (Primeira Dama das Minhocas), que conseguiu em pouco tempo pedalar mais do que o marido.
Às 07h25min chegamos no Posto Estivas e depois de um breve pedido de desculpas iniciamos o pedal. Tinha muita gente e como ainda estava agoniado com o atraso não tive tempo de memorizar todos os nomes e por tal motivo não postarei.
Saímos de baixo de chuva e logo constatamos que a RN 160, parte do nosso trajeto, estava praticamente quase toda asfaltada até Ceará-Mirim. Fui pedalando e pensando numa alternativa para deixarmos o asfalto, pois isso temos toda semana na Rota do Sol e senti que o grupo queria mesmo era trilha. Um pouco antes de Massangana encontramos um assentamento e optei por entrarmos na trilha. De início tudo tranquilo, cruzamos uma ponte sobre o rio Ceará-Mirim e logo em seguida dobramos à esquerda. Entramos dentro dos canaviais e o terreno começou a amolecer, de forma que o solo escuro muito molhado pela chuva começou a virar uma "papa". A bicicleta chega deslizava. Se você parasse de pedalar metia os pés na lama liguenta. Como dizia um pedreiro que trabalhou lá em casa: "era um verdadeiro barro de loiça".
Terminado o trecho de barro encontramos o rio Ceará-Mirim e fizemos sua travessia. Alguns passaram pedalando e outros preferiram levar a bicicleta nos braços, tal qual se conduz uma noiva ao ninho de amor. 
Deixamos a trilha e voltamos ao asfalto. Não demorou e chegamos na cidade. Seguimos direto para o Mercado Público que estava repleto em razão da feira. Como estávamos em vinte e nove todo mundo se espalhou entre os diversos pontos do mercado. Fiquei logo na entrada principal na companhia de Rochinha, Suzy, Abeane, Raiane, Xupeta, Esam, Giovana e outros. Pedi uma comida leve para enfrentar o restante do trajeto: "guisado de carne de boi com cuscuz" e para incentivar o arroto uma boa e velha "Coca-Cola KS". Rochinha fez o mesmo pedido e em pouco tempo chegaram os pratos à mesa. Tinha comida que dava para alimentar uma família. Começamos devagarzinho os trabalhos e em pouco tempo vi que algo não agradava Rochinha. Provoquei e ele respondeu: "pense numa mulher preguiçosa", pois sequer se deu ao trabalho de amassar o cuscuz, de forma que cada pedaço tinha mais ou menos o tamanho de um paralelepípedo. Foi, segundo ele, "o pior cuscuz que já comeu na vida". 
Abastecidos, pousamos para a tradicional foto em frente ao Mercado e tomamos rumo. No caminho deixamos à direita o Museu Nilo Pereira, que pelo jeito continua fechado. Mais adiante nos deparamos com os diversos engenhos (Cruzeiro, Carnauba, Verde Nasce e Mucuripe). A chuva fina insistia em cair.
Novamente deixamos o asfalto e pegamos a trilha. Passamos nas proximidades do "Banho das Escravas", mas como estava ficando tarde optamos por não visitar o banho. Lembro que da última vez que fomos ao local encontramos alguns rapazes suspeitos fumando algo que não parecia cigarro comum e um jumento se preparando para o combate. Para evitar surpresas é melhor deixar o "banho" para outro dia, pois afinal de contas já estávamos todos molhados.
Pedalamos alguns quilômetros e logo recebemos pelo rádio a informação de que o selim da bicicleta de Eduardo Campos (Juarez II, o retorno) tinha apresentado um problema. Enquanto esperávamos a solução do problema algumas sugestões foram apresentadas, mas por razões óbvias não vou publicá-las aqui. Basta dizer que houve até quem dissesse que "esse negócio de selim é luxo". 
Seguimos o trecho e mais adiante uma nova parada em razão de um pneu furado. A chuva continuava e a vegetação nessa região é muito bonita. Encontramos até uma enorme árvore caída no meio do caminho. No fim da trilha uma enorme subida e logo chegamos novamente ao asfalto.
Quem se juntou ao grupo foi João Paulo, ciclista de Ceará-Mirim, que nos viu passar na cidade e fez questão de nos acompanhar. Obrigado. É isso que gostamos de inspirar.
Passamos por Rio dos Índios, Coqueiro, Alto do Sítio e Capim. Nesse ponto o asfalto foi substituído por calçamento e pedalamos por aproximadamente 7 Km com uma horrível trepidação. Segundo um colega: "o melhor remédio para tendinite".
Não demorou e atingimos a BR 101. Fizemos uma parada na feirinha de frutas e ali tivemos a oportunidade de encontrar a laranja mais cara que já encontrei: cinquenta centavos por uma laranjinha. Não, nem que fosse a última vitamina "C" disponível na face da terra.
Às 12h50min chegamos ao Posto Estivas. Todo mundo cansado, as bicicletas cheias de lama, as roupas muito sujas, mas em todos um sorriso de satisfação com mais uma pedalada realizada.
Para quem não foi, ficam as fotos. Um abraço e até a próxima.
O trajeto.

O "barro de loiça".

Trilha nos trilhos.

Um dos engenhos.

O cuscuz encalacrado e a cara de Rochinha.

Improvisando bicicletário.

Feirinha na BR 101.

Mais um engenho.

Parte da galera.

Na frente do Mercado.

Na encruzilhada.

Pedalando no Vale.


Travessia do rio Ceará-Mirim.

Trecho asfaltado da RN 160.

Concentrando no Posto.

15/05/2012

ABC para construção de ciclovias

Caros Rapaduras:

Vejam que interessante artigo indicando que o conceito de ciclovia já existe há muito tempo.

A fonte: http://biciclotheka.wordpress.com/2012/05/14/abc-para-construcao-de-ciclovias/

 

ABC para construção de ciclovias

A de Adolf Hitler
B de Berlim
C de Carros

O Ano é 1934. Adolf Hitler já tinha chegado ao poder pelo Partido Nacional-Socialista. Neste mesmo ano, ele tornou obrigatório o uso das ciclovias, sob pena de punição para os ciclistas.
Ciclovias já vinham sendo usadas para melhorar o caminho dos ciclistas desde o final do século XIX. Já por volta de 1860, o Cyclist Touring Club, da Inglaterra,e a League of American Wheelmen reivindicavam ruas com melhor superfície para pedalar.
De fato, antes da política nazista, ciclovias eram melhoramentos feitos em parte da rua, para que os ciclistas não sofressem tanto com buracos e trepidações (era época das bicicletas bonneshaker, penny-farthing, sem pneus de borracha e outras melhorias que só surgiram em meados do século XX). Também haviam ciclovias feitas nas regiões rurais, como incentivo ao turismo.
Por volta dos anos 20, com a crescente indústria do automóvel, cresceu por toda a Europa a pressão para tirar os ciclistas das ruas e favorecer o fluxo dos carros, conforme mostra esta citação, registrada no First Dutch Roads Congress:
After all, the construction of bicycle paths along the larger roads relieves traffic along these roads of an extremely bothersome element: the cyclist.
Afinal, a construção de ciclovias ao longo das ruas principais elimina destas mesmas ruas um elemento extremamente incômodo: o ciclista.
Propagandas dos governos e das entidades de motoristas anunciavam as ciclovias como pró-ciclistas, e pela primeira vez empregaram o argumento da “segurança” para obrigar os ciclistas a usá-las.
Cartaz nazista de 1934.
O título diz: “Ciclovias evitam acidentes de trânsito”
Porém, até 1970, não há registro de reinvindicação de ciclovias, por parte de ciclistas, alegando motivos de segurança.
Em 1926, o uso da ciclovia foi tornado obrigatório, numa Alemanha já fortemente nazista – Hitler publicou Mein Kampf em 1925 e em 1926 foi fundada a Juventude Hitlerista.
Pela segregação, alegava-se também a necessidade de um “controle apropriado do tráfego”.
Em 1930, as primeiras ciclovias na Holanda foram construídas pela ANWB – uma associação de donos de automóveis.
Durante a Segunda Guerra, sob ocupação nazista, o uso de ciclovias foi tornado obrigatório na Holanda.
Na Alemanha Nacional-socialista, a construção de ciclovias tornou-se integrada à propaganda do Estado e do Partido Nazista como pré-requisito para ampliação do tráfego motorizado. Esta política foi apoiada pelo Nationalsozialistische Kraftfahrer-Korps (NSKK) (Corporação Nacional-Socialista dos Motoristas) e pelo Automóvel Clube da Alemanha – Der Deutsche Automobil-Club (DDAC).
Em 1º de outubro de 1934, de acordo com o Reichs-Straßen-Verkehrs-Ordnung (RStVO) – e na mesma linha de segregação e limpeza étnica promovida pelo Führer – para justificar a “limpeza das ruas”, cavaleiros, pedestres e ciclistas foram classificados como cidadãos de segunda categoria.
Juventude hitlerista - Youth Hitler
Fontes:
Geschichte der Radfahrwege (o mesmo texto em inglês, pode ser lido aqui History of cycle tracks, e a tradução em português, aqui)
Automobilverbände bestimmen Fahrradpolitik
A History of Cycle Paths

12/05/2012

Café com Motorista: Felipe Camarão - 12 de maio de 2012.

Hoje o Rapadura Biker abdicou de trilhar no Vale do Ceará-Mirim, percorrendo o trajeto denominado "Roteiro dos Engenhos". Mas se assim o fez, foi por uma boa causa. E bote boa nisso!
Desde que conheço Fabiano Silva, um dos integrantes da Bicicletada Natal, que o "Café com Motorista" é sempre pautado em suas conversas. Para ele esse é um importante meio de comunicação entre ciclistas e motoristas de ônibus, uma forma de nos conhecermos e descobrirmos o óbvio: estamos todos no mesmo barco.
Foi por pessoas como Fabiano Silva e por tantos outros que fazem acontecer o "cicloativismo" que os Rapaduras vestiram um dos seus mantos e foram juntar forças com os demais ciclistas, seguindo pedalando até o terminal de ônibus do Bairro de Felipe Camarão. Acredito que para muitos foi a primeira oportunidade de conhecer aquele Bairro, integrante da Zona Oeste da nossa Capital. Ali concentra-se uma grande massa populacional e infelizmente é um bairro estigmatizado, principalmente pelo aspecto da violência.
Quem não foi precisava ver a expressão de espanto das pessoas nas ruas já a partir da Cidade da Esperança. Vi crianças saindo correndo de casa para as calçadas, o que é comum. Vi também trabalhadores de uma oficina e donas de casas admiradas com nossa passagem, o que já não é tão corriqueiro. Conclui e espero que esteja certo que hoje contribuímos de alguma forma para devolver a dignidade daquelas pessoas, pois somente estão acostumadas a receber a visita dos "camburões" e dos "rabecões". Se às pessoas começam a ver que temos a coragem de pedalar pelas ruas do Bairro mais violento da cidade, no mínimo vão refletir e quem sabe concluir que alguma coisa está mudando.
Chegando em Felipe Camarão nos dirigimos ao terminal de passageiros e ali tivemos outra grata surpresa: um local limpo e com boa estrutura para quem vai aguardar o embarque no seu ônibus. Ali tivemos a oportunidade de conversar, ainda que rapidamente, com motoristas e cobradores, ouvindo seus reclamos e fazendo os nossos. Eles ficaram espantados com a nossa presença, muito embora já estivessem avisados. Um dos motoristas confidenciou: "não sabia que vinha tanta bicicleta". Aproveitei a deixa e disse a ele: "isso é por que amanhã é dia das mães e muita gente viajou, senão você ia ver".
Foi uma verdadeira confraternização. Ouvimos atentamente o que foi dito pelos motoristas e também deixamos nossas impressões, tudo feito de forma ordeira, sem agressões e sem desrespeito. 
Com o apoio da SETURN foi servido um delicioso café da manhã e tanto os motoristas quanto os ciclistas comeram à vontade.
Com o apoio da ACIRN ao projeto foi possível sortear uma bicicleta, um capacete e um colete refletivo entre os motoristas e cobradores, demonstrando assim o nosso interesse em trazê-los mais para perto do nosso ciclomundo.
Também foi possível adesivar alguns ônibus com a mensagem da "distância que aproxima" e quem foi nosso parceiro nessa foi Braz Impressões.
Depois de tudo foi a hora de voltar ao lar. Uma parte desfez o caminho de ida e os Rapaduras seguiram pela BR 226, fazendo a trilha do Guarapes só para não deixar passar em branco.
Espero que o projeto continue e que em pouco tempo seus frutos possam ser colhidos. 
Parabéns aos idealizadores do projeto e aos que tiveram coragem de transformá-lo em realidade.
Por fim, quero ressaltar uma frase do Profeta Gentileza, a quem tive o privilégio de conhecer. A frase tem tudo a ver com o que aconteceu hoje: "Gentileza gera gentileza".
Trajeto de hoje.
Ciclistas no meio dos passageiros no terminal de Felipe Camarão.
Mulheres ciclistas.
Parte da galera.
Adesivando.
Mais adesivo.
Pedro Brito falando em nome da ACIRN.
A bicicleta, o capacete e o colete sorteados com os motoristas e cobradores.
O café da manhã.
Quero viver sempre nessa sombra.



01/05/2012

III Pedal do Pico do Jabre: Os Rapaduras foram.

PALAVRAS NECESSÁRIAS:

Antes de iniciar o relato da nossa viagem sinto-me na obrigação de registrar a ousadia e coragem do colega Emano em organizar o evento. Digo isso pelo simples fato de já ter sentido na pele todas as agruras de ter organizado um passeio de bicicleta, sendo, portanto, sabedor que por mais simples que seja o "pedal", sempre está em jogo uma série de responsabilidades, que para muitos passa despercebida. 
É muito bom tomar conhecimento do evento pela Internet, fazer a inscrição por e-mail, o pagamento por TED, ver as imagens do terreno no Google Earth, reservar o hotel online, enfim, tudo no mundo virtual, esquecendo, no entanto, que no mundo real existem pessoas preocupadas com o bem estar de todo e qualquer ciclista participante do evento. 
No caso específico do III Pedal do Jabre alguns pontos negativos foram detectados, mas nada que tenha eliminado os aspectos positivos, os quais faço questão de destacar: os kits foram entregues conforme previamente estabelecido; o café da manhã foi de acordo com aquilo que os ciclistas estão acostumados (frutas, sanduíche, sucos e cereal); o trajeto não foi surpresa para ninguém , pois desde o início foi colocado o grau de dificuldade; os pontos de apoio atenderam às expectativas; o almoço não deixou a desejar; a organização do evento estava sempre disponível para ouvir e buscar soluções para os problemas apresentados.
Não é preciso ser experto para saber que esse tipo de atividade envolve diversos riscos e como ainda não atingimos um nível de profissionalização ideal, pequenos problemas continuarão acontecendo, mas nada que tire o brilho e o objetivo maior: confraternizar os ciclistas e incentivar o interesse pelas belezas da nossa região.
Parabéns Emano, sua esposa e todos que contribuíram para o sucesso do III Pedal do Pico do Jabre. Saiba desde já que os Rapaduras Bikers estarão na quarta edição.

PRIMEIRO DIA: 28 de abril de 2012.

Claudia Celi anunciou a desistência na 5ª feira e não questionei, pois sei que ela no momento tem outras prioridades. Ainda na noite da quinta, no pedal da Rota do Sol, uma passarinha me contou que Abeane Flávio, mais conhecido no submundo do ciclismo como "Flavinho", estava num pé e noutro para conhecer o Pico do Jabre. Cheguei em casa e catuquei os botões do teclado, deixando um recado no Facebook, que os mais chiques chamam de "Face". Não demorou muito e a resposta estava na tela: "estou dentro". Estava assim definido o grupo que representaria o RB no III Pedal do Pico do Jabre: Abeane (Flavinho), Benilton (campeão mundial de manter a respiração em locais confinados - mais adiante eu explico), Erimar (seu Berenilson) e Fábio Vale (O Barbeiro de Patos).
Saímos de Natal-RN às 14h00min e a expectativa era tão grande quanto a nossa alegria. Durante todo o trajeto um silêncio sepulcral dominava o carro, pois como se sabe homens conversam pouco.
Por sugestão de Abeane resolvemos fazer uma parada em Currais Novos-RN para experimentar a famosa maxixada, evidentemente comercializada no "Bar do Maxixe". Como o autor da ideia não lembrava o endereço do local paramos para perguntar ao primeiro morador com "cara" de que sabia das coisas. Fábio Vale fez uma verdadeira preleção e depois de cinco minutos conseguiu perguntar ao homem onde ficava o "Bar do Maxixe". O cidadão fez uma cara esquisita, parecia até que estávamos procurando o endereço do finado Bin Laden. Colocou uma mão na cabeça e resolver recorrer a outro homem que estava sentado na calçada numa cadeira de balanço de fios de plástico. O outro deu algumas informações e o nosso primeiro entrevistado voltou todo sorridente, dizendo: "você vai direto, entra no negócio da yamaha, segue em frente e vai". Ou seja, continuamos na mesma. Mais adiante tinha um ponto de mototaxistas e Fábio Vale foi logo dizendo: "Quero ver ali ninguém saber!". Paramos o carro e um mototaxista com uma pochete rosa choque veio ao nosso encontro. Quando indagamos sobre o bar o cabra foi logo dizendo: "vai ser muito difícil chegar lá uma hora dessa". Fiquei imaginando que ou tinha uma procissão no caminho ou o bar ficava no "Canyon dos Apertados". Nesse momento a minha vontade de comer maxixe já tinha ido embora. Mesmo com essa afirmação o mototaxista explicou o lugar: "esquerda, direita e esquerda". Não deu outra e em menos de dois minutos chegamos ao local sem nenhuma dificuldade. Não tinha um pé de cliente e o bar estava aberto tão somente para nós. Fomos atendidos pelo proprietário, seu Manoel, que fez questão de dizer que o tempero era seu e às vezes a mulher também fazia. Não demorou muito e chegaram as tigelas com as maxixadas. Comemos tudo e para aumentar o estrago ainda bebemos umas seis cocas KS. De panças cheias, deixamos a terra da xelita.
Passamos em Acari, Jardim do Seridó e chegamos em Ouro Branco-RN, oportunidade em que Fábio Vale fez um comentário sobre a fauna abundante da cidade, especialmente os cervídeos de duas patas. De fato observamos algumas espécies nas calçadas.
Não demorou em chegamos na Paraíba, passando por Várzea e na entrada de Santa Luzia. Dali em diante seguimos pela BR 230 e por volta das 18h40min chegamos em Patos, seguindo direto para o hotel, cuidando da hospedagem.
Depois de alojados fomos ao local de entrega dos kits e após algumas informações truncadas chegamos a Ducks Bike, uma loja muito bonita, com um atendimento muito simpático. Recebemos nossos kits, encontramos o pessoal dos Oiticica Bikers de Pau dos Ferros-RN (Lafaeite e esposa, Márcio e Danilo), a galera de Bananeiras-PB e Solânea-PB. Conversamos um pouco e saímos para jantar. A opção foi pizza e o estrago foi grande. 
Quando estávamos quase terminando o jantar quem chegou foi Fernando Amaral e Picolino, vindos também da terra das bananeiras. Ficamos conversando um pouco mais e Fábio Vale pediu licença para voltar ao hotel, pois tinha acabado de receber um e-mail da maxixada, de forma que um download se fazia urgente. 
Depois da saída de Fábio ainda ficamos cerca de uma hora conversando e comendo mais uns naquinhos de pizzas para não "estruir". Quando chegamos no hotel fomos diretos para os quartos e já no corredor a catinga de maxixe processado estava no ar. Quando abrimos a porta do 305 é que o fedor tava grande. Fizemos contato verbal com Fábio Vale, que ainda estava trancafiado dentro do banheiro, tendo respondido que estava fazendo a barba. Foi então que concluímos: ainda bem que ele não está cortando o cabelo, pois senão Patos iria abaixo. Fechei a porta do apartamento e acompanhei Abeane e Erimar até o quarto deles, ficando lá por uma meia hora, na esperança que o odor dissipasse. Quando voltei o maxixe ainda rendia, mas como eu estava com sono, o jeito foi encarar a catinga e lembrar da época do Exército quando tinha que encarar as câmaras de gás. Fazer o quê!!!!

SEGUNDO DIA: 29 de abril de 2012.

O despertador tocou às 04h00min e começamos os preparativos. Soube que no apartamento de Abeane e Erimar o despertador tocou às 03h00min da madrugada com uma equação matemática que pirou o cabeção de Erimar. Não sei se resolveram o problema com a resposta ou quebrando o despertador.
Às 05h00min já estávamos no local do café da manhã - Avelino Bike - juntando-nos aos demais ciclistas. Aos poucos foi chegando mais gente e o dia foi clareando. Soube depois que Erimar foi cobrado por não ter feito serviço de segurança direito, de modo que quase ia havendo um assalto em Patos-PB. Esse é outro assunto que sozinho vai render uma postagem em outro momento.
Depois de servido o café saímos com um pequeno atraso, mas tudo dentro dos limites do razoável. Os primeiros 20 Km foram num ritmo bem intenso, mas o terreno era bom e o pedal fluiu com tranquilidade. Tínhamos combinado de pedalar juntos, pois na hipótese de algum problema um ajudaria o outro. Emparelhamos com o pessoal dos Oiticica Bikers e logo no primeiro ponto de apoio sentimos a falta de Fabio Vale. Analisamos a situação e concluímos que ele tinha ficado com um colega de Patos-PB, pedalando na retaguarda do grupo. Sempre que tinha uma ponto de apoio procurávamos Fabio, mas nada do homem. Começamos a ficar preocupados, principalmente pensando no efeito maxixada. 
Depois de aproximadamente 18 Km de trilha começou a subida da Serra do Teixeira, no asfalto. Quanto mais você sobe, mais subida tem. Após uns 3/4 da serra deixamos o asfalto e pegamos novamente trilha à direita, parando antes num ponto de apoio. Depois dali as subidas continuaram e começaram a aparecer as placas indicando o Pico do Jabre. Não demorou muito e avistamos de longe as torres de metal imponentes em cima do pico. De olho no altímetro eu só via o danado indicando subida e mais subida. Acho que ficamos com crédito de subida até 2015.
Em determinado momento encontramos um ciclista parado numa sombra reclamando de cãibras nas duas pernas. O homem parecia que estava com pernas de pau. Parei e ofereci a ele uma milagrosa pomada, dizendo, no entanto, que se tratava de um medicamento importado e produzido por uma cacique de uma tribo Cheyenne, direto dos Estados Unidos. O cabra besuntou a pomada nas pernas e em poucos segundos disse que já estava bom. Concluímos então o seguinte: "exatualmente doutor, essa pomadinha tem tecnologia norte-americana". 
Por volta de 11h30min chegamos ao local do almoço - o Casarão do Pico do Jabre - um restaurante instalado num casarão antigo, no sopé do pico. Vários ciclistas já tinham chegado e muitos ainda estavam por vir. Tratamos então de almoçar e aguardar as diretrizes da organização. 
Quando terminamos o almoço recebemos a notícia de que um ciclista do RN tinha se acidentado. Ficamos então apreensivos, pois Fabio Vale, conforme já disse, tinha ficado na retaguarda. Procuramos então um motociclista com a camisa da organização e indagamos se ele sabia sobre o acidente. Foram essas as palavras do cidadão: "O negócio foi muito grave. O cara caiu, quebrou a clavícula, desmaio e vomitou". Perguntamos as características do ciclista e todas batiam com as de Fabio. Perguntamos qual era a bicicleta e a resposta foi que era uma Merida, então não tivemos mais dúvidas: foi Fábio. Procuramos mais informações e soubemos que o ciclista tinha sido socorrido para o hospital de uma cidade próxima. Como não tínhamos sinal de celular, restou-nos tão somente aguardar o retorno de Emano para saber qual a real situação. Por volta de 13h00min vi a motocicleta de Emano aproximar-se e fui ao encontro dele, recebendo a notícia que o ciclista acidentado era na verdade de Campina Grande-PB, tinha sido socorrido e estava bem. Logo em seguida vinham os dois últimos ciclistas chegando e um deles era Fabio Vale, dizendo com a cara mais lisa do mundo que tinha procurado muito por nós, mas como não encontrou parou em um barzinho na serra, tomou uma cerveja bem geladinha e ainda jogou duas partidas de sinuca. Para nós foi um alívio, mesmo sabendo que outro ciclista tinha se acidentado.
Embarcamos as bicicletas em um caminhão e tomamos assento no ônibus que nos levaria de volta a Patos. Na hora de sair descobrimos que algumas pessoas ainda estavam em cima do Pico e somente com o retorno destas é que o ônibus sairia. Às 14h00min o motorista do ônibus finalmente ligou o motor e saímos para enfrentar a descida da Serra do Teixeira. Para nossa sorte o motorista era muito habilidoso e soube conduzir o veículo com maestria, mesmo diante da "zuada" desnecessária feita por alguns ciclistas.
Quando faltava uns cinco quilômetros para entrar na cidade estourou um pneu do ônibus e não era possível trocá-lo. A opção foi seguir a pé e não há mal que não venha para o bem, pois aquele infortúnio fez surgir uma nova vertente do Rapadura, o grupo de Trekking Rapadura de a Pé. Encaramos o asfalto quente e parecíamos um grupo de escoteiros mantendo erguida a bandeira de Natal-RN. No caminho alguns conseguiram carona e no nosso caso fomos socorridos por Fernando Amaral e Picolino que vieram nos resgatar. Antes de sermos socorridos pela briosa equipe do Banana Bike ainda tivemos ao nosso lado uma legião de meninos que insistiam o tempo todo em pedir qualquer objeto que conduzíssemos. Começaram pedindo a bandeira de Natal, depois um capacete, um manguito, uma garrafinha, uma camisa e quando perceberam que não levariam nada se contentaram com um copo de refrigerante que paramos para tomar em um bar muito suspeito no caminho.
De volta ao hotel, tomamos banho, arrumamos nossas tralhas, nos despedimos de Patos e encaramos novamente a estrada, chegando em casa por volta das 23h00min.
Enfim, foram aproximadamente 53 Km pedalados, sendo que a maioria de subida, em uma paisagem muito bonita e já castigada pela falta de chuva. No caminho ainda encontramos várias pessoas transportando água nos lombos dos jumentos e constatamos que somos muito "ricos" e temos muito que agradecer ao bom Deus.
Para mim foi mais uma experiência maravilhosa e incentivadora para participar dos próximos.
Deixo aqui alguns registros fotográficos para deleite daqueles que não foram.
A pé ou de bicicleta, valeu Rapaduras!!!!