12/07/2011

Trilha em São Tomé-RN: ver para crer

O pedal já estava combinado há muito tempo, faltava tão somente encontrar um horário nas nossas agendas atribuladas.
Para quem não sabe a cidade de São Tomé, localizada na microrregião da Borborema Potiguar, é a terra natal do nosso colega André da Bicicletada e desde que travamos amizade na "Viagem do Elefante" ele vem cantando loas sobre o lugar, dizendo que só perde pra Nova Iorque e São Paulo.
Depois de muitos adiamentos chegamos a um acordo em relação a data: 03 de julho de 2011. A ideia original era formar um pequeno grupo (aproximadamente 15 pessoas) para fazer um reconhecimento na área, marcando um trajeto para um evento maior planejado por André, que é uma volta em toda região serrana que circunda São Tomé.
No dia marcado acordei cedo depois de dormir tarde. Quando cheguei no local de concentração não tinha mais ninguém, mas palavra dada vale mais do que dinheiro em banco. Não contei conversa e segui no rumo da BR 304. Logo chegou uma mensagem de Fabiano e Neide dizendo que já estavam no caminho e fariam uma parada técnica em Cajazeiras (distrito). Acelerei e quando cheguei antes de São Pedro do Potengi de longe avistei dois carros na minha frente "carregados" de bicicletas. Já não estava mais sozinho.
Após aproximadamente 100 Km de asfalto bom, mas sem acostamento (RN 203), chegamos na simpática São Tomê-RN. Tudo verdinho, o tempo nublado e ótimo para pedalar.
Fomos direto para a residência dos pais de André, Dona Regina e Seu José: um verdadeiro paiol de simpatia. Ali já estavam os irmãos de André (vou citar somente Régia e Lulú, pois a família é muito grande e vai faltar espaço no blog), o próprio André, sua filha Alicia, Fabiano, Leopoldo, Jadson, Neide, Helena, William, Beth e Well (sobrinho de Fabiano).
Enquanto fazíamos os preparativos para o pedal somente se via o movimento da mãe e da irmã de André e mais do que de repente prepararam um verdadeiro banquete. Café da manhã típico do homem nordestino: farto, nutritivo e de boa aparência. Comemos muito e a mesa ainda ficou repleta.
De buchos cheios fomos tirar o retrato oficial da largada e os pais de André não se fizeram de rogados e trataram de colocar os equipamentos. Nesse momento uma cena rara de se ver: Lulú, irmão de André, mais desconfiado do que cachorro do BOPE fica sempre olhando atravessado as roupas coladinhas do ciclista, entretanto, desafiado por Fabiano o homem vestiu uma camisa do Rapadura Biker e colocou o capacete, mostrando que nem tudo está perdido. O pior de tudo é que o cabra ficou bem na foto e quando cheguei em casa e Claudia viu a foto foi logo perguntando: "Trocasse de roupa lá em São Tomé?". Pois é, a mulher jura que Lulú é parecido comigo quando tá fantasiado de ciclista.
Encerrada a sessão fotográfica e depois que Jadson afirmou mais uma vez que estava se sentindo em casa e que Dona Regina (mãe de André) era como se fosse sua segunda mãe (acho que já ouvi essa estória antes!!!), resolvemos pegar a trilha, iniciando com uma volta dentro da cidade.
A cidade é simpática e aparentemente bem cuidada. Deixamos a zona urbana e iniciamos a trilha já passando por dentro do Rio Potengi. É isso mesmo que você leu. O nosso Potengi nasce lá em Cerro Corá-RN e viaja 176 quilômetros até Natal-RN. Pois o danado passa no quintal da casa de Dona Regina e Seu José.
Depois de cruzar o rio iniciamos um trecho em terreno arenoso e com muitas pedras. Discretamente estávamos subindo e Helena que tinha amanhecido o dia pedindo "subidas" a André, pois queria treinar para uma prova, logo começou a ensaiar uma reclamações. André e Fabiano (nossos guias) não cansavam de dizer: "É SÓ DESCIDA!!!".
Após uma descida em terreno cheio de pedras vinha uma motocicleta em sentido contrário e Alícia (estreando nas trilhas de bicicleta) assustou e foi ao chão. A bichinha arranhou o joelho e foi prontamente atendida com um spray antisséptico que levo comigo. Constatamos depois que a maior preocupação de Alícia não era com o machucado, mas com o rasgão que ficou na calça novinha da Tia Régia. Depois disso Alícia não quis mais pedalar e fez "de a pé" o restante do percurso até o local de apoio.
Quando chegamos no entroncamento entre Serra Preta de Baixo e Serra Preta de Cima uma parte do grupo foi por baixo acompanhando Alícia e outra foi por cima, pela trilha mais "selvagem". Soube que Fabiano fez às vezes do Papa e beijou o solo da região.
Mais adiante o grupo estava novamente junto e paramos nas proximidades de um lajedo. Aqui aconteceu algo incrível: Beth resolveu subir no lajedo e foi avisada sobre os espinhos que tinha no lugar. Pois bem, ela conseguiu a proeza de se furar e foi mais além, conseguiu pisar numa cusparada que um ciclista tinha deixado para marcar o lugar. Foi uma meleca só!
Chegamos então no ponto de apoio - Nezinho Cesário. Ali foi o local combinado para o carro de apoio encontrar o grupo e resgatar Alícia. No local fomos recebidos pela simpática Dona Maria que nos ofereceu uma água tão gelada que chega doeu no juízo. O carro de apoio demorou a chegar e pra não perder o ritmo uma parte do grupo resolveu mostrar que também sabe jogar futebol. No campo participei de um treino com André, Jadson, Fabiano, William, Beth e Well. Para resumir: foi um vasto material para o quadro "Bola Murcha". O grande destaque foi André com suas jogadas ensaiadas. O mais incrível de tudo é que no jogo de ciclistas não houve uma bicicleta.
Enquanto alguns jogavam a Comissão Técnica (Helena, Neide, Alícia e Leopoldo) dormia o sono dos justos, enquanto eram pastorados por Dona Maria e pelo cachorro da casa. O destaque desse momento foi que André jogou o capacete/apito no chão e o danado caiu em cima de uma tuia de bosta de galinha.
Depois de quarenta e cinco minutos de bom futebol e de muito sono chegou o carro de apoio: O Jorginho = Fiat Oggi de André. Junto veio tudo que sobrou do café da manhã, ou seja, muita coisa boa.
Abastecemos e resolvemos voltar. No caminho descidas incríveis, muito gado e algumas porteiras. André e Fabiano seguiam nos guiando e de vez em quando fingiam que estavam perdidos, levando Helena ao desespero. Enquanto isso Neide estava no terceiro sono no banco traseiro do Jorginho.
Passamos na propriedade da família de André e voltamos a São Tomé pelo trecho em obras da RN 203. No caminho passamos dentro de um rio e sem querer antecipei o banho de William e Beth.
De volta ao ponto de partida recebemos uma intimação para almoçar. Não poderíamos fazer desfeita e aceitamos de pronto o convite. Durante a refeição conhecemos o Prefeito da cidade e acertamos com ele um apoio para um pedal/social em outubro na cidade, mas esse é assunto pra depois.