31/10/2011

"I Volta do Santumé": 1º e 2º dias.

1º Dia - 29 de outubro de 2011

O comboio de carros saiu do Posto Emaús cedinho e seguimos no rumo da venta para concluir a "I Volta do Santumé" e aproveitar para participar dos festejos do aniversário da simpática cidade de São Tomé-RN.
Ao chegarmos em frente ao lar de Dona Regina e Seu Josa, pais de André, encontramos um enorme palco armado e um amontoado de descartáveis e garrafas de vidro espalhados na rua anunciando que na noite passada houve um show da Banda Grafith, ou seja, não precisa dizer mais nada. Pelo que soube desta vez não houve nenhuma briga de facas.
Enquanto fazíamos os últimos preparativos para iniciar o pedal os garis faziam o trabalho de limpeza da área e um bêbado remanescente da noite anterior fazia "discursos" efusivos, misturando política, futebol, agricultura e internet. Ouvi atentamente quando ele disse que ao chegar em casa ia entrar no "Facebukson" e no "Orkutio". Só lamento por não ter anotado os dados dele para quem desejasse segui-lo.
Tudo pronto, a rua mais ou menos limpa e o bebum incansável na sua falação, seguimos no pedal até a Vila de São Francisco e ali participamos da largada da corrida de bicicleta e de pedestres, Acompanhamos os atletas locais e compartilhamos com eles desse momento esportivo.
Um fato interessante que ocorreu foi quando precisamos montar um painel alusivo ao evento. O negócio era muito grande e precisava de uma escada. Todo mundo começou a procurar algo que servisse como escada, mas de repente apareceu um caboclo chamado Fabiano (Cabotelecom) que sozinho resolveu o problema. O homem é maior do que armário de quarto de rico e mais largo do que o sambódromo. Em um minuto o painel estava amarrado. Só pra vocês terem uma ideia da altura do cidadão, Angelike em pé fica mais ou menos na altura do joelho dele.
Chegamos no centro da cidade e nos juntamos com o povo que esperava os atletas. O locutor oficial do evento fez questão de nominar cada ciclista que chegava e em alguns casos o homem caprichou nas informações, dizendo inclusive o número do CPF, de quem o(a) cabra era filho, quantos cachorros tinha em casa e qual o número de série do quadro da bicicleta. O homem é uma espécie de "wilkipédia" de São Tomé.
O próximo desafio foi a corrida de jegues. Foram quatro ou cinco competidores e cada um era mais "bonito" do que o outro. Refiro-me logicamente aos jumentos. O que ganhou parece que usava aquela gasolina power. O bicho passou tão ligeiro perto de mim que não tive nem tempo de apertar o botão do play da filmadora. Segundo seu Cuca o jegue vencedor já era do modelo 2012, total flex, com airbag duplo, freio abs e suspensão full. De acordo com Júnior Verona o manual do bicho indicava que ele fez todas as reuniões na autorizada. Eu mesmo não cheguei nem perto pra conferir, pois não tenho essa coragem de fazer vistoria num bicho que não tem pena nem da própria mãe.
Teve ainda uma corrida do ovo e as mulheres ciclistas participaram com toda força. Cada uma das comoetidoras correu aproximadamente cem metros equilibrando um ovo em uma colher segura nos dentes. As danadas demonstraram bastante perícia no assunto e arrancaram aplausos da população. Soube depois que uma das ovoatletas disse que já estava acostumada com esse negócio de ovo. Não entendi direito sobre qual ovo ela se referia e preferi ficar calado para não gerar polêmica.
Dali seguimos para um prédio público recém inaugurado e fomos tomar café da manhã. Nesse momento já passava das dez horas e o café nos esperava desde às sete, ou seja, tava tudo bem "quentinho". Enquanto a maioria tomava o café tradicional formou-se uma dissidência composta por Júnior Verona, Bené e Cuca que optaram pelo café amarelo (cevada), acompanhado de petiscos interessantes, dentre os quais mereceu destaque um sanduíche de pão com cuscuz, mamão e folhas de algaroba. Cuca tirou uma foto e disse que ia mandar para o programa de Ana Maria Brega, mas Bené discordou e achou melhor mandar para o Globo Rural, pois o acepipe mais parecia com lavagem de porco.
Iniciamos então a trilha e digo a vocês que o sol estava no volume máximo. Enquanto aqui em Natal dizemos que chegou a primavera, lá em São Tomé o povo diz que a estação do ano é o "estopô balaio". Pra vocês terem uma ideia da quentura basta dizer que fui passar protetor solar e li na embalagem do produto que ele não se aplicava ao sol de São Tomé, pois ali tinha que ser o de fator de proteção 5500. Teve um colega que foi mijar por trás de uma macambira e segundo ele o mijo evaporou antes de chegar ao chão.
Fomos então a um dos pontos de apoio programados: a casa de Lulu, local em que ocorre o famoso forró do Lampião. Ali fomos recebidos com uma carrada de água de côco extremamente doce, mais parecia o "mel" que um dia aplacou a sede da família de viajantes da  região. Um verdadeiro "santo mé".
Na casa de Lulu ainda tivemos uma demonstração feita pelo próprio de como andar com pernas de pau e tivemos um verdadeiro show do boi de carreto que sozinho pega o seu instrumento de trabalho e segue pra labuta. Aquele boi é muito mais inteligente do que muito ser humano que vagueia nesse mundo.
Deixamos a casa de Lulu e fomos no rumo da casa do pai do Prefeito Babá, pois ali seria o local previamente agendado para o nosso almoço. Chegamos e fomos muito bem recebidos pelos pais e irmãos de Babá. Almoçamos no alpendre da casa e tudo foi do bom e do melhor.
Voltamos a São Tomé e seguimos até o Colégio Monsenhor e ali um grupo de estudantes nos esperava. Fizemos uma breve apresentação do que foi a "I Volta do Santumé", falamos sobre a importância da bicicleta, fizemos uma homenagem ao Prefeito que nos acolheu e encerramos com o sorteio de uma bicicleta.
No final da tarde chegou a delegacão da Paraiba (Agnaldo, Felipe, Fernando Amaral, Fernandinho e Robertinho). Os caras deixaram o frio da serra para pedalar no calor intenso daqui. Valeu a consideração.
Acomodamos todo mundo e fui ao meu local de pouso tomar um banho, pois tinha a promessa de Fabiano que um galo nos esperava na panela pronto para ser devorado. Demorei um pouco mais no meu banho e quando cheguei já encontrei o desmantelo feito: os caras já tinham devorado o galo, a galinha e os pintos, restando-me tão somente um pedaço de aproximadamente meio centímetro do pescoço do bicho, ou seja, não era nada.
A noite foi livre e eu tratei de me recolher com Claudia Celi. Nos hospedamos na casa de Fátima e Jair, irmã e cunhado de André. A mulher faz salgadinhos de encomenda e pediu a minha ajuda e a de Cuca para comermos as peças que não passaram no controle de qualidade. Eu comi uns 150 e Cuca deve ter beirado uns 200. No outro dia o homem tava com todo gás.
Soube que rolou um show dos Nonatos na praça, mas eu preferi o show de Morfeu. Ouvi muitos comentários sobre o que rolou na festa, mas por uma questão de ética blogueira e para não ganhar a pecha de "cafona" vou evitar tratar do assunto. Digo , porém, que na manhã seguinte vi muitos olhares felizes, tudo indicando que o "santo mé" realmente é revigorante.
Acordei às 04h00min da madrugada com um galo safado cantando. Parece coisa do destino, pois além de ter levado bolo na hora de comer o galo, a alma do bicho ainda veio atanazar o meu sono. Só assim eu descobri o verdadeiro sentido da expressão "alma penada".

2º Dia - 30 de outubro de 2011

Acordei com a zuada do papagaio da casa de Fátima. Depois descobri que Cuca passou perto do bicho e não o viu, de modo que teve um susto e assustou o falante.
Tomamos café e fomos ao colégio encontrar o restante do grupo. Empós fomos até a casa dos pais de André, pois os planos mudaram e o café seria servido ali. Não demorou muito e chegou o ônibus de Natal com uma ruma de ciclistas. Muitas caras novas e muitas conhecidas. Quem comandou o ônibus foi a Smurfete e Aldemário, os quais trouxeram três smurfs para prestigiar o evento. De carro veio Rochinha, sua esposa Lúcia (próxima ciclista), Valentina e Márcio. Em outro automóvel quem veio foi Erimar com um ciclista internacional, um francês muito simpático.
Enquanto o café era preparado ficamos nos preparativos das bicicletas. O sol tava com a bexiga e o vento (quando tinha) era mais quente do que bafo de dragão. Em determinado momento o francês olhou pra cima e soltou a seguinte pérola: "Vai chooover". Quem estava ao lado dele era justamente Bené que de imediato respostou: "Acho melhor você levar um guarda-chuva".
Às 09h00min iniciamos o pedal no rumo da serra. Paramos antes no pátio da igreja matriz e fizemos a foto oficial. Seguimos pela trilha e a previsão do francês começou a se concretizar, só que do avesso. O sol de hoje tava mais quente do que o de ontem. Até passarinho tava evitando voar com medo do calor.
Pedalamos alguns quilômetros no rumo da serra e percebemos que seria inviável seguir em frente com aquela temperatura. Mudamos então o trajeto e seguimos a orientação de um morador (seu Manoel) para irmos até a Bica de João de Bia. Foi uma excelente sugestão. O local era pertinho, tem um banho bom e serviço de bar. É bem verdade que a água só cheira a ferrugem, mas como diz o poeta: "o que é um peido para quem já tá cagado". Tomamos banho, umas cervejas (tese da universidade de Salamanca) e o dono do bar ainda nos apresentou um caldo que mais parecia óleo de lubrificar corrente de bicicleta. A iguaria além de oleosa era quente feito a sala do cão.
Quem deu show de bola no carro de apoio número dois foram os "smurfs". Os meninos organizaram a distribuição de água por iniciativa própria.
Seguimos novamente até a residência de Lulu e ali o almoço foi servido. Teve ciclista que de tanto comer parecia aluno ruim, isto é, só fazia repetir.
Almoçamos e iniciamos os preparativos de retorno.
No caminho ainda paramos na casa de seu Francisco, em Barcelona, pois uma galinha nos aguardava. Desta feita eu cheguei na hora certa e comi a titela, uma coxa e o sobreânus.
Chegamos em casa por volta das 17h00min e fomos tomar um banho de piscina pra relaxar,
Foi bom demais contribuir para mais esse evento e espero que todos tenham gostado. Foram diversas cestas básicas arrecadadas, alguns livros doados ao Município e quatro árvores plantadas.
Não posso terminar sem mencionar duas coisas legais que ocorreram: a primeira foi que Fátima, uma ciclista de São Tomé, nos acompanhou nos dois dias. A segunda é que foi dado o apoio para criação de um grupo de jovens ciclistas da cidade e a garotada tá empolgada, tendo batizado o grupo com o nome de Tigres, em homenagem a uma das serras do lugar.
Vou dormir agora e o melhor de tudo é que amanhã não terei expediente.









Quando começou a trilha
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