14/06/2012

11º Encontro Nacional de Cicloturismo: primeira parte.


PREPARATIVOS:

Desde 2010 quando fui juntamente com Cláudia Celi participar do 9º Encontro Nacional de Cicloturismo, em Sacramento-MG, voltamos com vontade de levar mais colegas daqui para compartilhar tão boa experiência.
Assim que saiu a definição da data, local e programação,  tratamos de divulgar nas redes sociais armadas nos terraços das terras potiguares. Não demorou e logo tínhamos dez pessoas confirmadas. Acredito que fomos os primeiros a garantir passagens e providenciar as hospedagens. Contamos com a praticidade de Evandro (Bebê) e em pouco tempo conseguimos a locação de uma Sprint para fazer o traslado de São Paulo até Campos do Jordão, inclusive com um reboque para conduzir as bicicletas. Como do grupo apenas Cláudia Celi e eu tínhamos malas bikes resolvemos encomendar para os demais, resultando na aquisição de 15 (quinze) malas. O homenzinho da capotaria adorou.
Tudo pronto restava agora aguardar o dia da partida. Vejam o time que conseguimos reunir: Claudia Celi e eu, Neide e seu Kuka, Serginho e Suzy, Evandro Bebê e Celita, Júnior Verona e Vera Lúcia. De quebra, ainda tivemos as ilustres companhias de Zé Bonifácio e Anete (cunhado e irmã de Neide) e Paulo Victor e Mariane (filhos dos Veronas). Com uma turma dessa eu viajo até pra Usina de Fukushima pra desentupir pia ou dar banho em cachorro brabo.

O EMBARQUE: dia 06 de junho de 2012

Foi um dia intenso. Deixar tudo organizado no trabalho e ainda cuidar do destino das crias, pois levá-los tornaria a viagem mais onerosa.
Às 22h00min chegamos ao Aeroporto Augusto Severo. Ali já encontramos seu Kuka e Zé Bonifácio. Fizemos o tal do “chiquerim”, ou “check-in”, como preferem os mais lordes. No balcão da empresa aérea uma simpática moça nos atendeu, despachando todas as malas com as bicicletas. Tive que pagar um pouco de excesso de bagagem, pois coloquei dentro da mala bike uma ruma de troçada que poderia precisar por lá (ferramentas, carregadores, rádios comunicadores, pilhas, carne seca, rapadura, um quarto de uma galinha torrada, papel higiênico e farinha). Depois de pagar a taxa de excesso voltei sozinho ao guichê de atendimento e travei uma rápida conversa com a atendente, que perguntou: “Vão sair daqui para pedalar em São Paulo?”. Respondi: “é sempre bom mudar de ares. Vamos participar de um encontro em Campos do Jordão”. Ela disse: “amanhã acho que vou pedalar para a Lagoa do Bonfim”. Perguntei: “ah, com quem você pedala?”. Respondeu: “com os Tartarugas”. Arrematei: “mande um abraço para Edivan”. Despedi-me e a moça desejou boa viagem.
Voltei para junto do grupo que já estava maior com a chegada de Serginho, Suzy, Celita e Bebê. Comentei a minha conversa com a atendente, feliz com o fato de que ela também pedala. Pra que fui dizer isso. Cláudia Celi sacou da peixeira que leva sempre escondida embaixo do cabelo e disse: “essa dai ta mais pra lebre do que tartaruga”. Ia tomar satisfações, mas foi contida. Pense numa galega braba. Não sabe nem reconhecer uma gentileza com um viajante!
Ficamos fazendo hora e chegou a notícia que o avião ia atrasar um pouco. Parece que tinha chovido muito e o céu tava meio enlameado. Diante daquele quadro seu Kuka e Bebê ficaram nervosos e para acalmar pediram umas cervejas geladas. Enquanto tomávamos as “gelas” e ficávamos menos tensos, percebemos a ausência de Zé Bonifácio. Não demorou ele encostou-se ao grupo e trazia consigo um saco de papel cheio de pães de queijos. Tinha aproximadamente uns trezentos lá dentro. Soube que ele ficou com um crédito em razão de mudança no vôo e, para não perder o dinheiro, transformou tudo na iguaria. Cada um comeu uns quinze e ainda guardamos pra comer no caminho, pois afinal de contas seguro morreu de velho.
O avião encostou e os Rapaduras tomaram assento. Como de praxe o comandante da nave fez a sua saudação e apresentação. Até aqui eu estava tranqüilo, mas então o comandante resolveu anunciar seu nome, dizendo: “Boa noite a todos, quem vos fala é o comandante Pupy”. Pensei comigo mesmo: isso não vai dar certo, o nome do piloto é o mesmo nome do cachorro de Júnior Verona. Resolvi fechar os olhos e tentar dormir. O “trem” ganhou o céu e fez-se o silêncio. Dentro do avião um forte “cheiro” de pão de queijo tomou conta do ambiente.

A CHEGADA: 07 de junho de 2012

Depois de muita turbulência e muita chuva o avião pousou em Garulhos. Pegamos nossas tralhas e já encontramos Júnior Verona que tinha seguido dois dias antes. Fomos direto para a Sprint que já nos aguardava com o simpático motorista Celso. Assim que ocupamos nossos lugares Júnior Verona tratou de abrir uma caixa de isopor cheia de cerveja, queijo e uma lingüiça do tamanho de uma jeba de jumento. A farra reiniciou e o carro seguiu viagem. No caminho uma rápida parada para encontrar Neide, que também tinha viajado dias antes.
Por volta das 07h30min adentramos em Campos do Jordão. A região é linda, o tempo continuava chuvoso, mas mesmo assim a beleza do lugar continuava presente.
Paramos num posto de gasolina para colocar pra fora as cervejas tomadas e já percebemos o frio que enfrentaríamos. Seu Kuka colocou a cabeça para fora do banheiro e solicitou um alicate, pois somente assim ia conseguir desenrolar o bigolin. Problema resolvido e todo mundo mijado, segue o passeio.
Liguei o GPS, coloquei no trajeto anteriormente marcado do local do evento e foi só seguir o caminho. Enquanto estava no asfalto tava tudo maravilhoso. De repente a estrada começou a estreitar, surgiram subidas e descidas intermináveis e o caminho que era de aproximadamente 20 Km, parecia que tinha 100.
Ah, enquanto isso Zé Bonifácio e Anete nos seguiam em veículo de passeio.

CHEGANDO AO ESPAÇO ARAUCÁRIA: A Fazenda

Por volta das 08h30min chegamos ao Espaço Auracária, debaixo de chuva e com um frio de rachar. Quando o motorista da Sprint tentou aproximar-se um pouco mais para desembarcamos em um local mais tranqüilo, eis que o carro atolou. Foi então hora de tirar a ressaca. Desatrelamos o reboque e começamos a empurrar aquele monte de ferro ladeira acima. Por sorte apareceu William, típico mineiro morador da região, que fez uso de uma enxada e ajudou a desatolar.
Iniciamos a busca pelo local de hospedagem. Fomos recebidos por Marcos, gerente do lugar,  e este nos deixou ciente que dois dos cinco apartamentos reservados ficavam em um sítio nas proximidades. A idéia não nos agradou nenhum pouco, mas o que é um peido para quem está cagado. Estávamos todos molhados, cansados, com fome e loucos para relaxar. Resolvemos primeiro matar a fome e seguimos para o refeitório. Lá chegando sentimos uma saudade enorme do café da manhã de Luiz do Mendes, Dona Biluca de Pitangui e Dona Diva de Vera Cruz. Corremos o olho e não vimos um bife do oião. Buscamos alguma sombra de cuscuz, mas nada. Assoei o nariz e respirei fundo para sentir o cheiro do guisado, novamente nada. Como não tinha jeito mesmo e partindo do primado constitucional que o melhor tempero é a fome, fechei os olhos e resolvi encarar o que tinha na mesa, beliscando uma fatia de pão integral com um copo de chá de camomila. Ainda bem que não optei pelo café, pois segundo Celita foi o café mais gelado e sem gosto que ela tomou na vida. Senti-me o próprio Brad Pitt, no filme Sete Anos no Tibet. Pensei comigo mesmo: vai melhorar, onde tem galinha tem ovo.
Depois do “café” seguimos para ultimar nossas inscrições, oportunidade em que reencontrei amigos do último encontro, dentre os quais Marcelo (VIRAMESA) e Fábio (FES).
Chegou então a hora de seguir para nossas acomodações. Fiquei desconfiado quando Marcos chegou e insistiu que fossemos de carro. Fiquei mais cismado ainda quando ele disse que teríamos que dar duas viagens. Lembrei então de uma célebre frase do ciclista-fotógrafo Luciano Cambraia: “isso é igual a limpar a bunda com canjica”.
Dividimos assim: na primeira viagem eu iria com Claudia Celi e depois seria a vez de seu Kuka e Neide. Subimos na Toyota Bandeirante e a danada começou a deslizar no barro que desce da Serra da Mantiqueira. Desce ladeira, sobe ladeira e depois de aproximadamente 1,0 Km chegamos ao local que nos foi reservado. Um verdadeiro paraíso bucólico, mas ao mesmo tempo distante dos demais participantes do encontro. A essa altura do campeonato eu já estava “médio puto”, mas lembrei dos ensinamentos do Mestre Lunga, fui lá fora, soltei umas duas bufas na natureza e fui tomar um banho. Pra minha sorte a água era quente, pois se fosse gelada eu voltaria pra Natal naquele momento, de bicicleta, pra deixar de ser burro.
Enquanto isso na Fazenda: Doutora Vera Lúcia ao ver as acomodações e colocar por duas vezes o pé na lama, pediu arrego e disse que ia voltar pra Campos de Jordão com Zé Bonifácio, Anete, Paulo Victor e Mariana. Tivemos então os primeiros eliminados no Reality Show a Fazenda, ao passo que também tivemos o primeiro “obondonado” da viagem: Júnior Verona.
Despedimos-nos de Celso, motorista da Sprint, presenteando-o com uma camisa do Rapadura Biker e combinando o horário de retorno no domingo.
Voltei para o meu sítio e fui tratar de montar as bicicletas. Precisei de um alicate e nesse momento descobri que tinha ficado no banheiro em Campos de Jordão, na hora da mijada de seu Kuka. Olhei para o sítio ao lado e vi um carro parado. De repente apareceu gente e pela primeira vez na vida fiquei muito feliz em saber que tinha vizinhos. Tratava-se do casal de São Paulo, Altair e Gabi, também participantes do encontro. Muitos simpáticos, de pronto emprestaram a ferramenta.
Já passava das 10h30min quando ouvi um grito. Lá no alto da serra um grupo de ciclistas passava. Busquei o binóculo e visualizei Serginho, Suzy, Júnior Verona (Obondonado), Celita e Bebê. Estavam saindo para uma trilha, ao passo que nós ainda terminávamos nossos preparativos.
Às 12h00min seguimos de bicicleta até o local das palestras. Já chegamos lá cansados e alguém teve o disparate de perguntar qual a trilha que fizemos. A resposta foi imediata: “a trilha do meu sítio pra cá”. Cada vez que venho aqui de bicicleta já fiz minha tarefa do dia.
Chegou a hora do almoço. Com uma fome de leão nos dirigimos ao refeitório e logo na entrada ouvimos uma frase que nunca deveria ter sido pronunciada: “o almoço somente será servido quando o sino tocar”. Ah, vocês não imaginam a minha vontade de mandar aquele cidadão pegar aquele sino e... Contive-me, lembrei novamente dos ensinamentos do Mestre Lunga e fui até o refeitório. Claudia Celi não se fez de rogada e apesar de ainda não ter sido aprovada totalmente na OAB fez o seu primeiro requerimento: “Minha senhora eu posso tomar uma cerveja agora ou somente depois que o sino tocar?”. O pleito foi deferido e logo outros cicloturistas chegaram para partilhar algumas gelas, esperando ansiosamente o tal do sino. Não demorou muito e finalmente o troço tocou. Diferentemente do café da manhã o almoço estava gostoso e abundante. Enquanto almoçávamos os colegas iam chegando das trilhas e juntando-se no refeitório. Abraços e apertos de mãos foram trocados.
No resto do dia houve a abertura oficial, seguindo-se com as palestras programadas.
A noite chegou e os Rapaduras enfrentaram o frio com vinho chileno e cachaça São Francisco. Quando tudo parece que ia terminar ainda ensaiamos uma roda de samba no apartamento de Júnior Verona (Obondonado) e ali o Maestro Cipó e os Rapaduras Sem Ritmo tocaram um clássico do cancioneiro, em homenagem às empreguetes de todo Brasil. Ao longe, quem passou pelos caminhos da Mantiqueira com certeza ouviu: “is my Love, is my Love...”.

No aeroporto.
Na Sprint, com Celso o motorista.
Chegando em Campos do Jordão.
Mais de Campos do Jordão.
Com seu Kuka e Neide arrumando as bikes.
Estacionando as bikes.
Bandeira do RN presente.
Esperando o sino tocar.
Tentando chegar ao Nirvana, improvisando com Brahma.
Pessoal do Clube de Cicloturismo do Brasil.
Palestra.

2 comentários:

  1. Benilton, como sempre muito engraçadas as suas crônicas de viagem. E eu não conhecia essa funcionalidade dos cabelos de Claudia Celi rsrsrsrsrsrsr. E esse café da manhã ninguém merece: "uma fatia de pão integral com um copo de chá de camomila" :(.

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  2. Angelike, Benilton só esqueceu de mencionar que enquanto embarcávamos 4 bicicletas no balcão
    ( Eu,benilton, serginho e suzi) A Tal atendente sequer fez menção de gostar de pedalar. Justamente quando Benilton voltou sozinho para mostrar o valor pago do excesso de bagagem foi que ela dibulhou todo o terço e ainda vem dizer pra mim que faz parte do grupo das tartarugas......kkkk. Claro que ela tá mais pra lebre, não acha? tenho paciência pra essas coisas não, amiga!!!!! Ass.: Claudia celi

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