23/01/2015

BICICLETAS, CASTELOS E DINOSSAUROS: 4º DIA.

4º DIA: CAICÓ-RN/POMBAL-PB - 98 Km.

Trajeto do dia.

Ao contrário do calor do dia, a noite em Caicó é agradável. Após o jantar recebemos de Neto Palhares a notícia da sua necessidade de retorno a Natal, por motivos pessoais. Ficamos tristes, mas respeitamos a vontade do colega.
Acordamos cedinho e partimos para o café da manhã no Restaurante Sassá & Santana, que abre às 05h00min e tem um cardápio bastante variado. Deixamos Neto na Estação Rodoviária e seguimos pela BR 427, novamente em busca do chão paraibano. O acostamento é muito bom e a pedalada rendeu bem até Serra Negra do Norte. Antes da cidade tem um posto de combustíveis com água gelada, uma lanchonete e atendimento muito bom.
Restaurante Sassá Mutema em Caicó.

Passamos por fora de Serra Negra do Norte, mas foi possível observar, aparentemente, tratar-se de uma cidade bem cuidada. Tinha chovido nos dias anteriores e a terra ainda estava úmida e a vegetação com um verde intenso. Foi seguramente um dos trechos mais tranquilos de pedalar. 
Trecho antes de Serra Negra do Norte.

Chegamos ao Km 0 e uma placa indicava a Divisa entre os Estados do Rio Grande do Norte e da Paraiba. Após uns 5 Km encontramos um garoto na estrada e perguntamos se existia alguma comunidade próxima e se lá existia uma bodega. A resposta do menino não foi muito encorajadora: "não é muito perto não". De imediato captei a mensagem e tive a certeza que ainda iríamos pedalar um bom pedaço até chegar a um ponto de apoio. De fato, somente após quase 10 Km chegamos a uma comunidade chamada Ipueira e alí encontramos um Mercadinho (São Sebastião), cujos proprietários foram bastante atenciosos. O lugar tem de tudo, inclusive câmara de ar para bicicleta aro 26.
Mercadinho em Ipueira.

Com Bastos, proprietário do lugar.

Saímos de Ipueira e o sol retomou o seu lugar com valentia. Quanto mais nos aproximávamos de Pombal, mas quente ficava e a seca começou a mostrar sua cara. Novamente ficamos à mercê de uma boa sombra, coisa muito difícil de encontrar. Para nossa sorte achamos uma palhoça na beira da estrada e ali "esfriamos" um pouco o corpo. O calor era tão medonho que tiramos nossos capacetes e bonés, o que levou Claudia Celi a esquecer seu capacete pendurado no abrigo de palha, sendo necessário Serginho voltar uns 3 Km para recuperar o danado.
Foi aqui que Claudia esqueceu o capacete.

Quando faltavam uns 5 Km para chegar em Pombal fiz uma ligação para Mário Sérgio, nosso anfitrião na cidade, tendo ele informado que um ciclista pombalense iria nos recepcionar na entrada da cidade e nos guiaria até um restaurante. Nesse momento já passava das 13h00min e o sol estava impiedoso. Fiquei curioso para saber qual ciclista teria coragem de vir nos recepcionar naquela "lua". Assim que atingimos a zona urbana já avistamos um ciclista solitário, todo paramentado, vindo ao nosso encontro. Apresentou-se pelo nome de Gildeci, mas conhecido por Deci. Encaminhou o grupo até o centro da cidade, até o restaurante de Fátima, esposa de Mário Sérgio, local em que fizemos uma excelente refeição e fomos recebidos com extrema simpatia. Após o almoço fui com Deci procurar uma borracharia, pois o pneu traseiro da minha bicicleta já tinha furado quatro vezes. Na borracharia o profissional deu três diagnósticos, mas o pneu continuava vazando. Depois de uns quarenta minutos ele concluiu que era a "valva". Nesse momento resolvi ir ao encontro do pessoal, pois já estavam apreensivos com minha demora. Quando cheguei cada um me olhava com uma cara mais feia que a outra. E olhe que já estavam alimentados!
Novamente o nosso guia Deci nos conduziu pelas ruas da cidade, levando-nos até a residência de Mário Sérgio, onde já estavam Fátima e sua sogra, Dona Socorro (mãe do nosso falecido colega Joaquim Carneiro e avó de Arthur Carneiro), uma senhora com uma energia muito intensa, um exemplo de vida. Já foi nos deixando à vontade e fez questão de colocar um capacete para sair na foto.
Dona Socorro: simpatia em pessoa.

O calor de Pombal é algo impossível de relatar com palavras. As folhas das árvores parecem petrificadas e um bafo quente parece vir de todas as direções. Já passei por muitos locais quentes, mas igual aquele ainda não tinha visto. Foi no meio dessa agonia que surgiu Mário Sérgio com um proposta irrecusável: conhecer a Gleba da família e tomar um banho nas águas geladinhas do rio Pombal ou Piancó. Nossos olhos brilharam com aquela notícia e sem hesitar embarcamos no carro de Mário e seguimos no rumo da Gleba, antes porém, compramos algumas cervejinhas para dissipar o calor e fomos buscar Deci, que já estava tomado banho e sem as roupas de ciclista.
Conhecemos rapidamente a Gleba e automaticamente seguimos na direção do rio, com águas cristalinas e muito convidativas. Entramos e ali ficamos, ouvindo as estórias de Mário Sérgio e Deci, este um verdadeiro comediante de "Stand Up", contando "causos" engraçadíssimos, todos, segundo ele, "reais e verdadeiros". Falou de tudo: viagens de bicicleta, aventuras com motocicletas, caximblema, peidos (notas falsas), figuras folclóricas de Pombal e, principalmente, suas experiências na época que trabalhava na Promotoria de Justiça. Contava uma estória atrás da outra, com um jeito peculiar e performático, de forma que esquecemos as agruras do dia. Foi seguramente um dos melhores momentos de nossa viagem.
Santo banho de rio.

Quando finalmente saímos do rio e fomos nos secar no alpendre da casa, eis que Dona Socorro nos reservava uma surpresa: tinha preparado uma panela com um tira gosto delicioso, daqueles que você lambe o fundo da panela. Ficamos no alpendre ouvindo a prosa boa até anoitecer.
Não bastasse a tarde maravilhosa, o povo ainda ofereceu jantar e mais uma vez agradecemos ao bom Deus as amizades boas que temos nessa vida. Enchemos o bucho e fomos dormir no luxo do ar-condicionado. O cansaço era tão grande que o sono chegou rapidinho.



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