28/01/2015

BICICLETAS, CASTELOS E DINOSSAUROS: 5º DIA

QUEM É QUEM?
Álvaro: dinossauro importado de João Pessoa-PB. Depois de atravessar Cuba em uma bicicleta dobrável, achou pouco e trouxe na bagagem para o Pedal dos Castelos uma barraca, três tamboretes, 45 quilos de rapadura, uma churrasqueira e um violino, utilizado para sonorizar as noites nos alpendres.
Benilton Lima: dinossauro maluco que convenceu outros malucos a viajarem com ele. Movido pelo complexo vitamínico Cerveja, é pós-doutor pela Universidade da Rua do Boi Choco e seu estudo assevera que uma cerveja gelada não faz mal a ninguém.
Claudia Celi: com tanto homem para casar na vida ela optou logo pelo maluco acima. Resolveu vir por sua conta e risco, provando mais uma vez que não existe diferença de gênero quando o assunto é pedalar. Merece um dez estrelado e até hoje (28/01) ainda tá com os couros quentes.
Flavio: Diretor do DDGRP (Departamento de Gambiarras do Rapadura Biker) e também Presidente-Sócio Fundador do Pedal Puxado, o mestre Cabelo criou especialmente para a viagem um bagageiro 3D, com wi-fi, máquina de cortar cabelo e com capacidade para armazenar comida por quinze anos.
Moab: Depois de pedalar pela República Tcheca e desbravar as trilhas mais inóspitas da região de São Rafael-RN, o homem veio ao Pedal dos Castelos munido de uma cadernetinha em que anotava todas suas despesas. No primeiro dia o seu orçamento estorou, pois tomou de uma lapada só 3 jarras de suco de laranja. É um verdadeiro dinossauro, quando o assunto é comer.
Neto Palhares: Para não fugir ao regramento, ele novamente beijou o solo sagrado e consagrou-se mais uma vez como Papa do Rapadura Biker. Optou por não levar bagageiro, preferindo um paraquedas, que dessa vez não abriu em tempo hábil.
Serginho: Conhecido como o Rei das Minhocas, ele pedalou o tempo todo sorrindo. Volta e meia o celular dele apitava e ele sorria. Não se sabe se era recado de Suzy e Laura ou se foi alguma carrada de adubo vendida.
Uilamy: O Rei das Montanhas. Não desligou o Strava nem para ir ao banheiro. Subiu e desceu serra como se tivesse saboreando um sorvete de ameixa em Caicó.

5º DIA: POMBAL-PB/VALE DOS DINOSSAUROS (SOUSA-PB) - 62 Km.

"Ei, dor
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou..."


A música acima interpretada pelo Jota Quest nos acompanhou por toda viagem e retrata muito bem nossa aventura.
Costumo dizer que numa viagem de cicloturismo o primeiro e o último dia são os mais interessantes. O primeiro por ser o dia mais aguardado, com maior carga de ansiedade e também uma espécie de termômetro para os demais. O último, pelo fato de que nossas baterias parecem ganhar força, diante da quase certeza de atingir o objetivo almejado.
Trajeto do Quinto Dia.

Propositalmente deixei o menor trajeto para o último dia, servindo também como estímulo para quem estivesse muito cansado ou com pretensões de desistir.
Tomamos café a manhã nas companhias de Mário Sérgio, Fátima e Dona Socorro. Tinha de tudo, inclusive morangos e uvas em pleno sertão paraibano. Agradecemos a acolhida, nos despedimos e seguimos em frente na BR 230, a Transamazônica. Não demorou e já começou o intenso tráfego de caminhões, obrigando-nos a redobrar a atenção e permanecer no acostamento, em alguns trechos aparentemente em obras. É interessante como nos deparamos com dois tipos de motoristas: os que vibram com nossa viagem, acenando e buzinando com alegria; e os que parecem incomodados com nossa felicidade, buzinando com rispidez e tom ameaçador. Para todos desejamos boa viagem.
Despedida em Pombal.

Pedalamos 40 Km sem adentrar qualquer cidade, até que finalmente chegamos em um posto de combustíveis na entrada de Aparecida-PB, com água de côco, sorvetes e lanches.
Não demorou e começamos a ver os prédios anunciando a cidade de Sousa. Em pouco tempo nos agrupamos na placa indicando o Vale dos Dinossauros. Aqui abro um parêntese para agradecer a Odete, ciclista residente em João Pessoa-PB, que nos colocou em contato com Jorginho e Bruno, ciclistas de Sousa que se colocaram à disposição para nos receber e guiar até o Vale dos Dinossauros, mas infelizmente não deu certo, não por culpa deles, mas por opção nossa, pois preferimos não dar trabalho e voltar mais cedo. Em nome do grupo, muito obrigado!
Bandeira do Rapadura chegando em Sousa-PB.

Atravessamos toda cidade de Sousa e seguimos na PB 391. Não demorou e avistamos a placa indicativa do nosso destino final: O Vale dos Dinossauros. Logo na entrada fomos acolhidos por dois vendedores de lembrancinhas e água: Tico e Chico do Vale, muito simpáticos e receptivos.
Posição Rapadura.

Antes de adentrar uma placa chamou a nossa atenção: um investimento de aproximadamente três milhões do Governo do Estado na revitalização do lugar. Observamos que as obras parecem continuar. No início existe um museu, inclusive com guias para acompanhar na visitação ao Vale, informação essa que somente ficamos sabendo depois, por intermédio de um segurança muito atencioso.
Deretorassauro.

Beniltonssauro.

Uiluilssauro

Cabelossauro.

Minhocassauro.

A estrutura física parece pronta para receber visitantes, entretanto, foi unânime a falta de informações humanas, bem como de um ponto de apoio lá dentro, principalmente para venda de água, pois o calor é intenso.
Toda visitação é feita em passarelas de madeiras, das quais você visualiza os fósseis contendo as famosas "pegadas dos dinossauros". Com muita tristeza tomamos conhecimento que alguns fósseis, os maiores, foram levados para outros países.
Passarelas de visitação.

Já passava do meio dia e por mais interessante que seja o lugar, o calor e o cansaço da viagem não nos permitiram ficar mais tempo. Fizemos todos os registros fotográficos e pedalamos até um restaurante, cujo proprietário nos franqueou o banho. Quem compareceu para nos visitar foi Paulinha, uma ex-aluna de Serginho, hoje atuando na vizinha cidade de Cajazeiras-PB. Ela achou pouco nosso trajeto e ainda queria que seguissemos até lá para um lanche. Agradecemos e deixamos para outra oportunidade.
Doutora Paulinha e Claudia.

Almoçamos e ficamos prontos aguardando Wagner para embarcarmos nossas bicicletas e corpos cansados no carro, o que aconteceu em pouco tempo, tudo conforme planejado.
Esfriando o quengo.

A van de Wagner e o reboque novo.

No trajeto de volta todos olhavam admirados os caminhos percorridos de bicicleta. Cada curva e sombra de árvore foi apontado como se fosse um velho conhecido. Ali, no conforto do veículo é que percebemos o quantos fomos ousados. Valeu Rapaduras, obrigados pelas companhias.
Agora vai.


QUEM É QUEM FOTOGRÁFICO:




INFORMAÇÕES ÚTEIS:
- A visitação ao Vale dos Dinossauros é gratuita e o funcionamento é no período matutino e vespertino;
- Para transporte de ciclistas e bicicletas (reboque para até 22): Wagner - (84)8806-6973,