19/01/2015

Bicicletas, Castelos e Dinossauros

BICICLETAS, CASTELOS E DINOSSAUROS

COMO TUDO COMEÇOU

O plano era muito simples: montar na bicicleta e sair cortando o Estado do Rio Grande do Norte no rumo do Vale dos Dinossauros, localizado cerca de 450 Km, na cidade de Sousa-PB. Mas somente isso não era suficiente e foi necessário acrescentar um tempero. O que então combina mais com bicicletas e dinossauros? Lógico que castelos! Puxei pela memória e lembrei de outras viagens realizadas, nas quais visitamos dois castelos, um em Sítio Novo e outro em Carnauba dos Dantas, ambos no RN. Lembrei do meu pai falando sobre a suntuosidade do Castelo de Engady, em Caicó e então fechei o trajeto.
O trecho da poesia de Robet Frost - "Diante de mim havia duas estradas, escolhi a estrada menos percorrida e isso fez a diferença" - caiu como uma luva nos meus planos, era o "marketingue" perfeito para "atrair" adeptos (malucos) à empreitada. Para dificultar um pouco mais optei por excluir o carro de apoio, tão presente nas longas viagens do Grupo. A viagem seria no estilo cicloturismo, com alforges, possibilidade de acampamento, dormidas em alpendres e quando possível uma pousada ou casa de amigos.
Traçado o plano, este foi apresentado ao Grupo no WhatsApp e como imaginava a adesão não foi intensa. Aos poucos as confirmações foram surgindo e na data limite prevista fechamos o rol de participantes, com os seguintes nomes: Álvaro, Benilton, Cláudia Celi, Flávio Azevedo, Moab, Neto Palhares, Sérgio e Uilamy. Todos com experiências em pedais mais longos e o mais importante, todos conhecidos e detentores de boas energias.
Agora era só preparar a bicicletas, os equipamentos, relaxar e aguardar o dia da partida.
Margaret Tatcher, codinome da bicicleta de Benilton, pronta no dia 11/01/2015.

Blue Velvet, codinome da bicicleta de Cláudia Celi, quase pronta no dia 11/01/2015. Faltava o estojo de maquiagem.


1º DIA: CASTELO DE ZÉ DOS MONTES - NATAL/RN-SERRA DA TAPUIA (SÍTIO NOVO-RN) - 112 Km.

Trajeto do Primeiro Dia: Natal-Serra da Tapuia (Sítio Novo).


O trajeto inicial já incluia trechos de trilha no primeiro dia, mas intensas chuvas trouxeram a notícia de muita lama no trecho entre Macaiba e Bom Jesus, de forma que os planos foram alterados e resolvemos seguir pela BR 304.
Na hora marcada (05h30min) todos já estavam no Posto Emaús. Pedimos graças ao Senhor Deus, lembramos dos ensinamentos da Professora Neide do Gás acerca da melhor forma de obrar sem sujar muito a bunda e pegamos estrada, com um tempo nublado e muito convidativo para pedalar.
Tradicional foto na saída: Posto Emaús.

Já na Reta Tabajara fomos saudados por Renan e Bob, o primeiro viajando de carro no rumo do Açu e o segundo em direção ao Ceará. Mais adiante encontramos Carlos (Carlinhos Florânia) com sua família. Parece uma coisa simples, mas para o cicloturista esse apoio é deveras importante. 
Às 07h30min já estávamos na Granja dos pais de Uilamy (seu Bira e dona Gileide), na Reta Tabajara. Desnecessário dizer que prepararam um café da manhã digno de reis, com direito inclusive a ovos mexidos no estilo dos melhores hóteis da Costa Amalfitana, queijo de manteiga derretendo no percurso entre o prato e a boca, além de uma deliciosa buchada catabolizadora. Moab era somente alegria, seja pelo preço (0800), seja pela variedade e quantidade. Achou pouco e ainda preparou alguns sanduíches de pão doce com queijo, usados oportunamente, conforme veremos.
Flagrante de Moab preparando o sanduíche anabolizante.

Gente boa que Deus coloca no nosso caminho: Seu Bira e Dona Gileide.

Passamos por Bom Jesus e a viagem seguiu sem problemas. Quando nos aproximamos do trecho de acesso a Eloi de Souza-RN o bagageiro da bicicleta de Álvaro apresentou uma pane. Seguiu-se uma verdadeira conferência entre ele e Flávio Azevedo (Cabelo), os reis da gambiarra. Um entendeu que o parafuso deveria girar no sentido horário em razão da velocidade do vento e da proximidade de uma forte onda de calor, cuja ação poderia comprometer as ranhuras do artefato e consequentemente a sua introdução no oríficio da porca sextavada de alumínio anodizado. O outro discordou com elegância, entendendo, entrementes, tratar-se de um típico caso de falta de pressão na zona zoster bilateral, gerando assim uma folga no sistema cálculo motor. Diante da querela, Neto Palhares deu a seguinte sugestão: "homem, inverta o sentido do parafuso". E assim foi resolvido, tudo debaixo da sombra de um pé de algaroba, no exato momento em que Bruna passava de carro voltando a Natal, reconheceu o grupo pela camisa, parou para tirar uma foto e teve o privilégio de segurar no "pau de selfie" feito de um galho de Baobá Gigante do Vale do Açu.
Bruna segurando no "pau da selfie".

Já passava das 10h30min quando chegamos em Serra Caiada-RN. Seguimos de imediato até uma lanchonete na entrada da cidade, pois o local é conhecido por ter sucos deliciosos, geladíssimos e baratos. Sem exagero, cada um tomou no mínimo três copos de sucos. Teve até quem beslicasse um torrão de carne de porco na brasa.
Aqui não era suco.


Já perto de 12h30min chegamos em Tangará-RN. O sol estava açoitandos nossos couros e fomos "obrigados" a fazer mais uma parada de hidratação, desta feita na lanchonete na entrada de acesso a Sítio Novo. Tomamos muita água de côco, enchemos as garrafinhas, reaplicamos protetor solar e seguimos no asfalto quente, ladeados por uma vegetação seca e sem graça. Qualquer sombra encontrada era motivo de parada. Nessa pisada começamos avistar as casas de Sítio Novo, bem como tivemos a primeira visão do Castelo de Zé dos Montes, só que ainda faltava muito para atingir o primeiro objetivo do dia. 
Logo na entrada da cidade encontramos uma lanchonete, com uma sombra convidativa e uma calçada aprazível. De imediato "invadimos" o estabelecimento e fomos muito bem atendidos pelo proprietário, que aproveitou para compartilhar uma estórias de sua vida. Dali era possível uma visão da subida da Serra da Tapuia e o sol continuava escaldante. Refletimos sobre subir a serra pedalando ou contratar um carro para nos deixar lá em cima, pois até então não tínhamos almoçado e já passava das 14h00min. Fizemos uma votação rápida e por unanimidade resolvemos fretar um carro. Uilamy ficou encarregado de procurar o veículo na cidade e após uma meia hora chegou sorridente com a notícia: "consegui, é uma C10 com carroçeria de madeira". Não demorou e o veículo encostou, deixando de imediato uma péssima impressão. A pick-up era muito antiga e não aparentava ter força suficiente para subir a Tapuia, levando na carroçeria oito bicicletas carregadas, seis ciclistas, além de mais dois na "boléia". Não bastasse isso, o motorista veio fantasiado com uma camisa do Fluminense, o que é um peso enorme.
Sr. Francisco, proprietário da Lanchonete Calçadão.
Parada sensacional para repor as energias.
Olha as figuras.

Colocamos a bicicleta no estrado do carro, fizemos nossas orações para Nossa Senhora da Bicicleta Subidora de Serra e fomos enfrentar a Tapuia. Já no começo o motorista fez uma curva no melhor estilo Niki Lauda, dando a impressão que a C10 levantou duas rodas. Passado o primeiro susto, o homem começou a subir a parte mais empinada da serra. O carro começou a pedir marcha e o torcedor do Fluminense no volante parecia Fred em jogo da Seleção, não acertava uma. Não bastasse isso Cabelo olhou para trás e observou que a caminhonete começou a mijar óleo, deixando o calçamento mais preto do que fumo de Abdias. Como por um milagre a primeira marcha foi engatada e o carro começou a subir todo espremido, parecia uma pessoa com caganeira no meio de uma solenidade. Depois de muita oração, óleo espalhado na estrada, ameaça de pular da carroçeria e de muitos palavrões com o idealizador da viagem, finalmente chegamos na chã da serra e não demorou começamos a avistar o Castelo de Zé dos Montes.
Fomos recebidos pela nora de Zé dos Montes, que juntamente com seu esposo Joseildo administra o Castelo e um restaurante logo na entrada, servindo para atender aos visitantes. Estávamos exaustos e com fome, de modo que "atacamos" o almoço, partindo em seguida para a visitação ao primeiro objetivo de nossa viagem. 
No restaurante no Castelo de Zé dos Montes, com Joseildo e esposa.
Rapaduras no Castelo de Zé dos Montes.

As impressões do Castelo deixo para cada um. Ressalto, entretanto, a força de vontade do senhor Zé dos Montes em edificar, sem nenhum projeto técnico, algo daquele tamanho, em cima das pedras. A localização é altamente privilegiada, permitindo uma ampla visão da região. Merece sim uma visita, principalmente agora com o serviço de restaurante no próprio local. Deixo adiante os contatos para quem desejar visitar.
Após a visita e várias fotografias fomos ao nosso local de pouso, a casa de nosso amigo Júnior da BS - Bike Sport - loja de bicicleta, equipamentos e acessórios em Natal. Tão logo ele soube da nossa empreitada, não hesitou um segundo em colocar sua casa à disposição, revelando-se um local maravilhoso, um bálsamo para o nosso cansativo dia. Das janelas dos quartos você contempla uma linda paisagem, apesar de seca. O silêncio do local e a companhia dos cães e de um gato visitante completam o clima de harmonia e integração com a natureza. Dormimos maravilhosamente bem, regidos por duas sinfonias, uma eólica, outra de flatulência.
Local do primeiro dia de pouso, na Serra da Tapuia.

INFORMAÇÕES ÚTEIS:

- Acesso ao Castelo de Zé dos Montes, na Serra da Tapuia, Sítio Novo-RN: BR 304, BR 226 e RN 093 (na saída de Tangará-RN);
- Contatos para visitação ao Castelo e Restaurante: Joseildo (84)9970-9130/8751-8972. No Facebook procure por Joseildo Gomes de Oliveira.

Continua...
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