19/06/2012

11º Encontro Nacional de Cicloturismo: segunda parte



Pense numa dormida boa!!! O que mais chamou a atenção é que apesar da altíssima umidade em nenhum momento sentimos cheiro de mofo. Outra coisa interessante é que apesar de estarmos literalmente "dentro do mato" não se escuta barulho de cigarras, grilhos ou outras espécies. É uma silêncio que chega a ser "ensurdecedor".
Amanheceu e a sexta-feira não trouxe o sol. Tomamos café e rapidamente deliberamos sobre qual trilha fazer. Vários critérios foram levantados: alguns opinaram pela trilha mais extensa, outros pela mais curta, um segmento optou por trilhar a menos íngreme, mas no final a trilha vencedora foi a "Bairro do Centro" e o motivo foi óbvio: tinha uma bodega no roteiro e, por conseguinte, uma forte probabilidade de encontrarmos algo para "degostar".
Na saída do Espaço Araucária a organização anotou nossos nomes e a trilha que escolhemos. Cada um recebeu uma planilha, mas no nosso caso coube a Serginho o papel de guia. 
Logo no início percebemos o que nos esperava: uma paisagem deslumbrante. Araucárias de um lado e de outro. Barulho de água corrente a todo momento e no alto da Serra da Mantiqueira uma névoa branca mais parecida com o algodão doce do País de São Saruê. Na primeira bifurcação seguimos pela direita e percebemos que estávamos no alto, vendo ao nosso lado a capelinha da igrejinha do Bairro do Centro, nosso destino. Nesse ponto encontramos um casal (Elza e seu esposo) fazendo uma caminhada. Pedimos que tirassem uma fotografia do grupo e logo começou uma agradável conversa. Para encurtar o assunto, paramos tanto no caminho para fotografar que o casal, mesmo a pé, acabou sempre nos alcançando e tirando fotos nossas e conosco.
Depois de uma subidinha intensa chegamos ao Bairro do Centro. Trata-se na verdade do ponto de apoio da região. Ficamos sabendo que ali as crianças estudam até antes do ensino médio e depois são encaminhadas para Campos do Jordão. O local também dispõe de um posto de saúde e ponto de comércio. Uma tranquilidade total. Na varanda alguns senhores sentados e na rua duas crianças brincando, dentre as quais uma de bicicleta. Na entrada um cemitério pintado na cor azul anil, cujo muro segue a topografia do terreno, sendo cheio de altos e baixos. No alto, admirando tudo, uma imponente "igrejinha", como se a observar a vida das pessoas.
Os faros apurados dos nossos batedores (Bebê, Júnior Verona e Kuka) nos levaram rapidamente ao "point" do lugar: uma autêntica bodega mineira, com direito a uma cachaça brejeira, tubaína, sinuca e pebolim, vulgarmente conhecido aqui no Nordeste por Totó. Na condição de clientes exclusivos tomamos assentos nos melhores e únicos tamboretes. Não demorou e Cláudia Celi já tinha feito amizade com a proprietária do estabelecimento, conseguindo inclusive que ela preparasse um tira-gosto. Enquanto o prato era preparado tratamos de jogar umas partidas de sinuca, oportunidade em que fundamos uma nova facção do grupo, o Rapadura Snooker, revelando Suzy e Neide como expoentes da modalidade. As duas conseguiram com 125 tacadas colocar a bola branca 124 vezes na caçapa. Nem no Japão tem tal índice de suicídio.
Não demorou e chegou o nosso tira-gosto: uma linguiça calabresa, que segundo seu Kuka, podia deixar de molho um mês dentro do Rio Potengi que a danada ainda ficaria salgada. Para rebater tomamos uma tubaína, mais doce do que beijo da primeira namorada.
Enquanto nos divertíamos contamos com a dileta presença de William (aquele que ajudou a desatolar a Sprint) e com outro rapaz da comunidade. Este, ao que parece já tinha tomado algumas e talvez na tentativa de ser simpático ou então por mera gaiatice ensaiou dizer uns galanteios com nossas mulheres, entretanto, compreendemos e relevamos, não sendo necessário utilizar nossas peixeiras escondidas dentro dos guidões das bicicletas. Soube depois que ele ainda tentou um galanteio com Claudia Celi, mas ela foi logo dizendo: "cuidado que aquele negão lá fora já saiu no Programa Linha Direta".
Despedimo-nos de todos, inclusive do pudim de cana, montamos nas bicicletas e apontamos para o Espaço Araucária. No caminho encontramos Carlos e Malú, cicloturistas que também participam do Encontro e viajam com os filhos num home car, já tendo feito várias viagens, inclusive internacionais. Abro um parêntese para ressaltar que Malú ao descobrir que tinha uma delegação do RN presente veio ao nosso encontro e revelou que é de Pau dos Ferros-RN, com certeza ela tem um pé no Oiticica Biker. Não bastasse isso, depois de muito confabular com Neide, Malú descobriu que já foi aluna dela, desbancando assim um dos mitos do Rapadura Biker. Refiro-me ao Professor Raimundo, que por onde passa encontra alguém que foi seu aluno. A partir de agora temos também a Professora Neide, encontrando alunas que aprenderam com ela as primeiras letras.
De volta ao Espaço fomos direto para o refeitório. Enquanto esparávamos o sino tocar ficamos admirando a natureza. Aqui tivemos mais uma momento singular da viagem: Evandro Bebê afirmou ter visto um Tucano voando bem próximo ao refeitório. Alguém discordou e disse que era um "sagui". Criou-se então a controvérsia que somente foi esclarecida quando o tucano passou novamente voando e foi confirmada a sua identidade. Com essa proeza chegamos bem perto de quebrar o recorde de Janiara que certa feita confundiu um jumento com um galo.
De barrigas cheias resolvemos fugir um pouco da programação e fretamos uma Kombi para nos levar em Campos do Jordão. Às 14h00min, pra variar debaixo de chuva, deixamos o Espaço Araucária na Kombi pilotada por Andreza, uma simpática moradora do lugar. Não sei quem é mais valente: Andreza por dirigir tão bem naquelas estradas escorregadias; a Kombi por aguentar terreno tão ruim; ou nós, que enfrentamos o desafio.
Depois de muitas subidas e descidas descobrimos que na verdade 22 Km nos separavam de Campos do Jordão. O contrato inicial era somente para nos deixar e buscar mais tarde, mas no caminho contamos com a sensibilidade de Andreza e mudamos o contrato, de modo que ela nos acompanhou durante todo o resto do dia. Fizemos um tour pela cidade, visitando o Morro do Elefante, a Ducha de Prata e o Centro, passando na famosa Baden Baden.
Depois de conhecer rapidamente a cidade resolvemos parar para estabilizar o nível do alcóol, que estava um pouco baixo em razão do tempo frio. Paramos numa cervejaria e para fazer jus ao fato de estarmos no Município mais alto do Brasil pedimos umas torres de chopes. A farra foi grande e quem chegou para compor o grupo foi Zé Bonifácio, Anete, Verinha, Mariane e Paulo Victor. Ao nosso lado tinha um simpático grupo de jovens emborcando todas. Tratamos de avisar que era o aniversário de Zé Bonifácio e eles fizeram questão de cantar parabéns. A essa altura do campeonato as torres gêmeas já tinham caído.
Terminou a farra e chegou a hora de voltar pois tínhamos que assistir a palestra de Danilo Perroti, o homem livre. Pra variar estava chovendo também na saída e Andreza resolveu buscar a Kombi no local estacionado, evitando assim que nos molhassemos. Enquanto esperávamos constatamos um verdadeiro desfile de carrões (BMW, Mercedez, Mitsubishi e outras marcas importadas). Cada motorista mais bossal do que outro. Diante daquela cena não poderíamos fazer feio. Combinamos que na chegada da Kombi fingiríamos uma pane e sairiamos empurrando entre os carrões. Assim fizemos, diante dos olhares atônitos dos "ricos" presentes na passarela de Campos do Jordão. Às gargalhadas entramos na Kombi e seguimos nosso rumo. No caminho uma parada num supermercado para abastecer. Todos os homens desceram para esvaziar a bexiga e foram gentilmente atendidos pelo gerente do supermercado que nos cedeu um banheiro no depósito. Enquanto o serviço era feito alguém (a investigação ainda não foi concluída) soltou um peido dentro do depósito do supermercado, levando o gerente a dizer: "Pra mijar tudo bem, mas jogar merda vai contaminar a mercadoria".
Chegamos ao Espaço e nos dividimos. Alguns foram dormir e outros assistir a palestra. No meu caso fui assistir em homenagem a Danilo, que tivemos a oportunidade de conhecer quando passou por Natal.
Terminou a palestra e chegou a hora de voltar para o sítio. Olhei para um lado e pra outro e só restou eu e seu Kuka. Enquanto tomávamos um vinho para enfrentar o caminho enlameado, a chuva e o frio quem chegou foi Luizão (Luiz Santana) que disse que ia nos acompanhar para conhecer nosso rancho. Passamos no Bambuzal (área de camping) e quem também resolveu fazer a "trilha" conosco foi César e Katy. Saímos numa escuridão total, em fila indiana, seguindo uma mínima luz de uma laterna que de tão pequena é encaixada num cortador de unha que seu Kuka trazia no bolso. Cheguei no chalé com lama até nos olhos. Os colegas ficaram admirados com nossas acomodações e mais ainda com nossa coragem.
Enquanto os amigos voltavam ao Bambuzal fiquei sozinho na varanda sorrindo de mim mesmo. Lá dentro, Claudia Celi que tinha vindo mais cedo com bastante dor de cabeça permanecia acordada, toda encolhida, tremendo de frio e de medo de um bicho que "bufava" na janela. Era um cavalo mantido amarrado no local durante a noite. Fiquei esperando o sono e imaginando: bem feito pra aprender a não arengar mais com seu homem. Às vezes é melhor um burro amigo, do que um cavalo desconhecido.
Na trilha.
Casal caminhando: Elza e esposo.
Bairro do Centro.
Rapadura Snooker.
Claudia Celi despachando na bodega.
Claudia Celi com Andreza.
Uma das torres.
Chegada de Vera Lúcia e Anete.
Galera local.
Os carrões.
Mais carrões.

A Kombi do Rapadura.
Embarcando.
 



14/06/2012

11º Encontro Nacional de Cicloturismo: primeira parte.


PREPARATIVOS:

Desde 2010 quando fui juntamente com Cláudia Celi participar do 9º Encontro Nacional de Cicloturismo, em Sacramento-MG, voltamos com vontade de levar mais colegas daqui para compartilhar tão boa experiência.
Assim que saiu a definição da data, local e programação,  tratamos de divulgar nas redes sociais armadas nos terraços das terras potiguares. Não demorou e logo tínhamos dez pessoas confirmadas. Acredito que fomos os primeiros a garantir passagens e providenciar as hospedagens. Contamos com a praticidade de Evandro (Bebê) e em pouco tempo conseguimos a locação de uma Sprint para fazer o traslado de São Paulo até Campos do Jordão, inclusive com um reboque para conduzir as bicicletas. Como do grupo apenas Cláudia Celi e eu tínhamos malas bikes resolvemos encomendar para os demais, resultando na aquisição de 15 (quinze) malas. O homenzinho da capotaria adorou.
Tudo pronto restava agora aguardar o dia da partida. Vejam o time que conseguimos reunir: Claudia Celi e eu, Neide e seu Kuka, Serginho e Suzy, Evandro Bebê e Celita, Júnior Verona e Vera Lúcia. De quebra, ainda tivemos as ilustres companhias de Zé Bonifácio e Anete (cunhado e irmã de Neide) e Paulo Victor e Mariane (filhos dos Veronas). Com uma turma dessa eu viajo até pra Usina de Fukushima pra desentupir pia ou dar banho em cachorro brabo.

O EMBARQUE: dia 06 de junho de 2012

Foi um dia intenso. Deixar tudo organizado no trabalho e ainda cuidar do destino das crias, pois levá-los tornaria a viagem mais onerosa.
Às 22h00min chegamos ao Aeroporto Augusto Severo. Ali já encontramos seu Kuka e Zé Bonifácio. Fizemos o tal do “chiquerim”, ou “check-in”, como preferem os mais lordes. No balcão da empresa aérea uma simpática moça nos atendeu, despachando todas as malas com as bicicletas. Tive que pagar um pouco de excesso de bagagem, pois coloquei dentro da mala bike uma ruma de troçada que poderia precisar por lá (ferramentas, carregadores, rádios comunicadores, pilhas, carne seca, rapadura, um quarto de uma galinha torrada, papel higiênico e farinha). Depois de pagar a taxa de excesso voltei sozinho ao guichê de atendimento e travei uma rápida conversa com a atendente, que perguntou: “Vão sair daqui para pedalar em São Paulo?”. Respondi: “é sempre bom mudar de ares. Vamos participar de um encontro em Campos do Jordão”. Ela disse: “amanhã acho que vou pedalar para a Lagoa do Bonfim”. Perguntei: “ah, com quem você pedala?”. Respondeu: “com os Tartarugas”. Arrematei: “mande um abraço para Edivan”. Despedi-me e a moça desejou boa viagem.
Voltei para junto do grupo que já estava maior com a chegada de Serginho, Suzy, Celita e Bebê. Comentei a minha conversa com a atendente, feliz com o fato de que ela também pedala. Pra que fui dizer isso. Cláudia Celi sacou da peixeira que leva sempre escondida embaixo do cabelo e disse: “essa dai ta mais pra lebre do que tartaruga”. Ia tomar satisfações, mas foi contida. Pense numa galega braba. Não sabe nem reconhecer uma gentileza com um viajante!
Ficamos fazendo hora e chegou a notícia que o avião ia atrasar um pouco. Parece que tinha chovido muito e o céu tava meio enlameado. Diante daquele quadro seu Kuka e Bebê ficaram nervosos e para acalmar pediram umas cervejas geladas. Enquanto tomávamos as “gelas” e ficávamos menos tensos, percebemos a ausência de Zé Bonifácio. Não demorou ele encostou-se ao grupo e trazia consigo um saco de papel cheio de pães de queijos. Tinha aproximadamente uns trezentos lá dentro. Soube que ele ficou com um crédito em razão de mudança no vôo e, para não perder o dinheiro, transformou tudo na iguaria. Cada um comeu uns quinze e ainda guardamos pra comer no caminho, pois afinal de contas seguro morreu de velho.
O avião encostou e os Rapaduras tomaram assento. Como de praxe o comandante da nave fez a sua saudação e apresentação. Até aqui eu estava tranqüilo, mas então o comandante resolveu anunciar seu nome, dizendo: “Boa noite a todos, quem vos fala é o comandante Pupy”. Pensei comigo mesmo: isso não vai dar certo, o nome do piloto é o mesmo nome do cachorro de Júnior Verona. Resolvi fechar os olhos e tentar dormir. O “trem” ganhou o céu e fez-se o silêncio. Dentro do avião um forte “cheiro” de pão de queijo tomou conta do ambiente.

A CHEGADA: 07 de junho de 2012

Depois de muita turbulência e muita chuva o avião pousou em Garulhos. Pegamos nossas tralhas e já encontramos Júnior Verona que tinha seguido dois dias antes. Fomos direto para a Sprint que já nos aguardava com o simpático motorista Celso. Assim que ocupamos nossos lugares Júnior Verona tratou de abrir uma caixa de isopor cheia de cerveja, queijo e uma lingüiça do tamanho de uma jeba de jumento. A farra reiniciou e o carro seguiu viagem. No caminho uma rápida parada para encontrar Neide, que também tinha viajado dias antes.
Por volta das 07h30min adentramos em Campos do Jordão. A região é linda, o tempo continuava chuvoso, mas mesmo assim a beleza do lugar continuava presente.
Paramos num posto de gasolina para colocar pra fora as cervejas tomadas e já percebemos o frio que enfrentaríamos. Seu Kuka colocou a cabeça para fora do banheiro e solicitou um alicate, pois somente assim ia conseguir desenrolar o bigolin. Problema resolvido e todo mundo mijado, segue o passeio.
Liguei o GPS, coloquei no trajeto anteriormente marcado do local do evento e foi só seguir o caminho. Enquanto estava no asfalto tava tudo maravilhoso. De repente a estrada começou a estreitar, surgiram subidas e descidas intermináveis e o caminho que era de aproximadamente 20 Km, parecia que tinha 100.
Ah, enquanto isso Zé Bonifácio e Anete nos seguiam em veículo de passeio.

CHEGANDO AO ESPAÇO ARAUCÁRIA: A Fazenda

Por volta das 08h30min chegamos ao Espaço Auracária, debaixo de chuva e com um frio de rachar. Quando o motorista da Sprint tentou aproximar-se um pouco mais para desembarcamos em um local mais tranqüilo, eis que o carro atolou. Foi então hora de tirar a ressaca. Desatrelamos o reboque e começamos a empurrar aquele monte de ferro ladeira acima. Por sorte apareceu William, típico mineiro morador da região, que fez uso de uma enxada e ajudou a desatolar.
Iniciamos a busca pelo local de hospedagem. Fomos recebidos por Marcos, gerente do lugar,  e este nos deixou ciente que dois dos cinco apartamentos reservados ficavam em um sítio nas proximidades. A idéia não nos agradou nenhum pouco, mas o que é um peido para quem está cagado. Estávamos todos molhados, cansados, com fome e loucos para relaxar. Resolvemos primeiro matar a fome e seguimos para o refeitório. Lá chegando sentimos uma saudade enorme do café da manhã de Luiz do Mendes, Dona Biluca de Pitangui e Dona Diva de Vera Cruz. Corremos o olho e não vimos um bife do oião. Buscamos alguma sombra de cuscuz, mas nada. Assoei o nariz e respirei fundo para sentir o cheiro do guisado, novamente nada. Como não tinha jeito mesmo e partindo do primado constitucional que o melhor tempero é a fome, fechei os olhos e resolvi encarar o que tinha na mesa, beliscando uma fatia de pão integral com um copo de chá de camomila. Ainda bem que não optei pelo café, pois segundo Celita foi o café mais gelado e sem gosto que ela tomou na vida. Senti-me o próprio Brad Pitt, no filme Sete Anos no Tibet. Pensei comigo mesmo: vai melhorar, onde tem galinha tem ovo.
Depois do “café” seguimos para ultimar nossas inscrições, oportunidade em que reencontrei amigos do último encontro, dentre os quais Marcelo (VIRAMESA) e Fábio (FES).
Chegou então a hora de seguir para nossas acomodações. Fiquei desconfiado quando Marcos chegou e insistiu que fossemos de carro. Fiquei mais cismado ainda quando ele disse que teríamos que dar duas viagens. Lembrei então de uma célebre frase do ciclista-fotógrafo Luciano Cambraia: “isso é igual a limpar a bunda com canjica”.
Dividimos assim: na primeira viagem eu iria com Claudia Celi e depois seria a vez de seu Kuka e Neide. Subimos na Toyota Bandeirante e a danada começou a deslizar no barro que desce da Serra da Mantiqueira. Desce ladeira, sobe ladeira e depois de aproximadamente 1,0 Km chegamos ao local que nos foi reservado. Um verdadeiro paraíso bucólico, mas ao mesmo tempo distante dos demais participantes do encontro. A essa altura do campeonato eu já estava “médio puto”, mas lembrei dos ensinamentos do Mestre Lunga, fui lá fora, soltei umas duas bufas na natureza e fui tomar um banho. Pra minha sorte a água era quente, pois se fosse gelada eu voltaria pra Natal naquele momento, de bicicleta, pra deixar de ser burro.
Enquanto isso na Fazenda: Doutora Vera Lúcia ao ver as acomodações e colocar por duas vezes o pé na lama, pediu arrego e disse que ia voltar pra Campos de Jordão com Zé Bonifácio, Anete, Paulo Victor e Mariana. Tivemos então os primeiros eliminados no Reality Show a Fazenda, ao passo que também tivemos o primeiro “obondonado” da viagem: Júnior Verona.
Despedimos-nos de Celso, motorista da Sprint, presenteando-o com uma camisa do Rapadura Biker e combinando o horário de retorno no domingo.
Voltei para o meu sítio e fui tratar de montar as bicicletas. Precisei de um alicate e nesse momento descobri que tinha ficado no banheiro em Campos de Jordão, na hora da mijada de seu Kuka. Olhei para o sítio ao lado e vi um carro parado. De repente apareceu gente e pela primeira vez na vida fiquei muito feliz em saber que tinha vizinhos. Tratava-se do casal de São Paulo, Altair e Gabi, também participantes do encontro. Muitos simpáticos, de pronto emprestaram a ferramenta.
Já passava das 10h30min quando ouvi um grito. Lá no alto da serra um grupo de ciclistas passava. Busquei o binóculo e visualizei Serginho, Suzy, Júnior Verona (Obondonado), Celita e Bebê. Estavam saindo para uma trilha, ao passo que nós ainda terminávamos nossos preparativos.
Às 12h00min seguimos de bicicleta até o local das palestras. Já chegamos lá cansados e alguém teve o disparate de perguntar qual a trilha que fizemos. A resposta foi imediata: “a trilha do meu sítio pra cá”. Cada vez que venho aqui de bicicleta já fiz minha tarefa do dia.
Chegou a hora do almoço. Com uma fome de leão nos dirigimos ao refeitório e logo na entrada ouvimos uma frase que nunca deveria ter sido pronunciada: “o almoço somente será servido quando o sino tocar”. Ah, vocês não imaginam a minha vontade de mandar aquele cidadão pegar aquele sino e... Contive-me, lembrei novamente dos ensinamentos do Mestre Lunga e fui até o refeitório. Claudia Celi não se fez de rogada e apesar de ainda não ter sido aprovada totalmente na OAB fez o seu primeiro requerimento: “Minha senhora eu posso tomar uma cerveja agora ou somente depois que o sino tocar?”. O pleito foi deferido e logo outros cicloturistas chegaram para partilhar algumas gelas, esperando ansiosamente o tal do sino. Não demorou muito e finalmente o troço tocou. Diferentemente do café da manhã o almoço estava gostoso e abundante. Enquanto almoçávamos os colegas iam chegando das trilhas e juntando-se no refeitório. Abraços e apertos de mãos foram trocados.
No resto do dia houve a abertura oficial, seguindo-se com as palestras programadas.
A noite chegou e os Rapaduras enfrentaram o frio com vinho chileno e cachaça São Francisco. Quando tudo parece que ia terminar ainda ensaiamos uma roda de samba no apartamento de Júnior Verona (Obondonado) e ali o Maestro Cipó e os Rapaduras Sem Ritmo tocaram um clássico do cancioneiro, em homenagem às empreguetes de todo Brasil. Ao longe, quem passou pelos caminhos da Mantiqueira com certeza ouviu: “is my Love, is my Love...”.

No aeroporto.
Na Sprint, com Celso o motorista.
Chegando em Campos do Jordão.
Mais de Campos do Jordão.
Com seu Kuka e Neide arrumando as bikes.
Estacionando as bikes.
Bandeira do RN presente.
Esperando o sino tocar.
Tentando chegar ao Nirvana, improvisando com Brahma.
Pessoal do Clube de Cicloturismo do Brasil.
Palestra.

No maior São João do Mundo: de bicicleta

Imagine juntar duas coisas que você gosta muito e fazer num dia só. Pois bem, o pessoal do Grupo "Tô nem ai" de Campina Grande-PB conseguiu. No último dia 03 de junho de 2012 participamos na terra do maior São João do Mundo do 1º Forró Bike, um evento ciclístico muito animado e dos mais organizados que o Rapadura Biker já participou.
No meu caso saímos (Cláudia Celi, Guilherme Lima e eu) de Natal na sexta-feira (01/06) e fomos aproveitar o friozinho bom de Bananeiras-PB para esperar o dia do pedal. Quando chegou o sábado (02/06) recebemos em nossa casa o grosso da tropa do Rapadura Biker (Abeane, Erimar, Fábio Vale, Juliana Cantero, Rochinha e Shirley) que seguia no rumo de Campina. Atenderam meu convite e pararam com o simples propósito de comer uma jaca, tomar um suco de juá e colocar água no radiador do carro de Rochinha, pois o danado esquentou demasiadamente quando Erimar assumiu o comando do volante e imprimiu a velocidade extravagante de 65 Km/h.
Pois bem, o povo chegou lá em casa e começou a comer uns gomos da jaca e entornar o suco de juá. Nesse interim quem se fez presente foi o Presidente do Banana Bike, Fernando Amaral, que não se contentou com o suco e resolveu tomar algo mais caliente, iniciando com umas cachaças produzidas na serra, entrelaçando com umas garrafas de Samanaú, abandonadas lá em casa na última passagem de Júnior Verona.
O tempo foi passando, a jaca diminuindo de tamanho, a cachaça esquentando o frio, mas o motor do possante de Rochinha continuava tão quente como uma caeira, de forma que por razões técnicas a viagem para Campina naquele dia parece que ia ser interrompida.
Quando finalmente o motor do carro resolveu esfriar, os sapos já estavam beirando a calçada da casa e quando os homens se deram conta perceberam que Claudia Celi, Juliana Cantero e Shirley tinham saído para compra bolacha e até então não tinham voltado. De repente um carro foi se aproximando e qual não foi a nossa surpresa: os "Lindos", Alex Alcoforado e Thaise, surgiram inopinadamente, guiados pelo cheiro da jaca. Saíram de Natal às 15h00min e percorreram os 150 Km de distância com uma média de 1 beijo por Km.
Com a chegada dos "Lindos" veio uma novidade: Alex Alcoforado tinha aprendido uma receita de risoto e queria experimentar a danada. De imediato nos colocamos na condição de cobaias.
A noite chegou e com ela o frio aumentou. Comemos o tal do risoto, que na minha terra é conhecido como "grolado" ou "mistura de arroz" e o danado do troço realmente estava gostoso. Se o "Lindão" tiver com as rochas os mesmos dotes que tem na cozinha, sem dúvida dará um ótimo geólogo.
Arrumamos as dormidas, garantindo que ninguém ficasse desconfortável. Rochinha foi o primeiro a "pegar no sono", dormindo feito uma rocha. Fábio Vale montou num colchão inflável e passou a noite sonhando com Aninha. Erimar escolheu dormir ao relento, pegou um cobertor de pele de mamute e fez carreira para o terraço, passando a noite progrramando o seu noivado. Juliana Cantero e Shirley dormiram no quarto de Amanda e Guilherme Lima. Abeane, esse eu não sei onde dormiu. Segundo soube, parece que andou meio sonâmbulo e somente foi acordado quando Rochinha levantou se mijando e saiu abrindo tudo que era porta da casa procurando um banheiro. Dizem que por muito pouco ele não mijou dentro da geladeirinha vermelha.
Às 04h15min o despertador tocou. Lembrei dos tempos do Exército quando acordava "p" da vida com o som da corneta. Às 05h00min já estávamos prontos para pegar estrada, cada um com uma cara de sono pior do que o outro.
A viagem foi tranquila e dessa vez o possante de Rochinha conseguiu atingir a velocidade de 70 Km/h, o danado chega "flotoava" na estrada. Houve quem dissesse que era melhor ter ido de bicicleta, pois com certeza chegaria mais rápido. Pura intriga da oposição.
Chegamos em Campina Grande e depois de um pequeno erro de navegação alcançamos o local da concentração. Tudo já estava pronto e só faltavam os Rapaduras. Desamuntamos dos carros, colocamos os cabrestos na bicicletas e nos juntamos ao grupo de mais de cem ciclistas.
Iniciamos o pedal pelo asfalto e não demorou chegamos na trilha. O clima agradável da serra e uma paisagem linda possibiltou um pedal suave e de bom rendimento. Chamou a atenção a presença de muitos casais e a alegria contagiante do pessoal durante todo o trajeto.
Logo nos primeiros 10 Km tivemos uma parada para hidratação, com frutas, água e muita coisa boa para repor as energias gastas nas subidas.
Chegamos então ao Parque Maria da Luz e ali já nos esperava um carro-palanque com um trio de forrozeiros, daqueles que somente a Paraiba produz. Tinha de tudo no ponto de apoio (frutas, água de côco, água sem coco, sucos, bolacha, coalhada, enfim, tinha de tudo e um pouco mais). Enquanto todo mundo hidratava o forró falava no centro. Fui dançar uma parte com Claudia Celi, mas descobri que esse negócio de dançar com calça colada de ciclista é muito perigoso, pois fica o tempo todo parecendo que o cabra tá dançando armado.
Uma pausa no forró e o passeio continuou. Mais adiante outro ponto de hidratação. Juntamos os Rapaduras e ficamos esperando Rochinha, que vinha lá atrás admirado com a paisagem da Borborema. Quando nos demos conta aproximou-se uma motocicleta do apoio e na garupa vinha Rochinha agarrado na sua bicicleta. Ah, outro ponto positivo do evento: motocicletas de apoio e da SAMU acompanhando todo o trajeto.
Seguimos então pela margem da linha do trem e logo atingimos novamente a zona urbana de Campina Grande. Logo na entrada da cidade paramos em um barzinho para tomar um suco de juá, mas como não tinha optamos por uma cachaça brejeira e uma cerveja litrão (tese da Universidade de Salamanca) para repor os sais e afastar as ingrisias. O local escolhido foi o bar de Dona Carminha e quem estava lá era Jucélio, um simpático conterrâneo que nos recebeu com um sorriso no rosto e tinha uma olhar de um antílope tibetano.
Por volta de 12h15min chegamos ao nosso destino. Antes, porém, fizemos a tradicional foto do grupo perfilhado e depois adentramos o local. Almoçamos e dançamos forró até a hora que foram gastos três triângulos e quatro zabumbas. Somente para ilustrar, dançei tanto que a minha bota esfarelou o solado e tive que voltar somente de meias.
Registre-se que durante todo o forró Fábio Vale permaneceu macambúzio encostado numa "pilastra". Diz a lenda que era saudade do Sargento.
A festa terminou e agradecemos aos organizadores, enaltecendo o brilho do evento. O melhor de tudo é que senti no pessoal do "Tô nem aí" o mesmo espírito do Rapadura Biker: liberdade, alegria e vontade de fazer as coisas certas.

Sonolentos, mas dispostos.
Concentração do 1º Forró Bike.
Na trilha.
Posição Rapadura.
Trio Berenilson.
As Rapaduretes: is my love.
Procurando a máquina.
Saudades de Aninha, ou será do Sargento!
Com a galera da organização e outros ciclistas.

06/06/2012

Aviso aos Seguidores

Caros Rapaduras:
O tempo conspirou contra e tendo retornado de Bananeiras-PB somente na segunda-feira (04/06) não foi possível atualizar o blog e compartilhar com vocês todas as resenhas do Forró Bike em Campina Grande-PB, seguramente um dos eventos mais organizados que participamos. Assim que sobrar um tempinho contarei tudo o que vi e ouvi.
Não bastasse isso, estamos embarcando hoje no rumo de Campos de Jordão-SP com a finalidade de participar do 11º Encontro Nacional de Cicloturismo. Desta feita teremos 10 (dez) representantes do Estado, que farão valer o slogan do Rapadura Biker: "rapadura é doce, mas não é mole".
Logo mais juntamente com Claudia Celi encontraremos no aeroporto com seu Kuka, Evandro, Celita, Serginho e Suzy, embarcando para "Seu Paulo", juntado-nos a Júnior Verona, Vera Lúcia e Neide do Gás.
Aguardem cartas!!!

28/05/2012

O Pedal da Perua 2012


Do Dicionário Aulete Digital surrupiamos as seguintes informações:


" (ra.pa.du.ra) . sf.  1  Bras.  Açúcar mascavo em forma de pequeno tijolo. 
  2  Rapadela. 

  3  Bot.  Árvore (Licania utilis) nativa da Amazônia; CARAIPÉ. 
 [F.: rapar + -dura.].e 
ntregar a rapadura.

1   Bras.   Pop.  Dar-se por vencido, entregar os pontos, desistir de um plano, de uma competição etc. 
2  Morrer. "


"(munganga) s. f. (Bras., Nordeste) || mogango; caretas; esgares; momices: "Quando me encontrassem com os dentes de fora, fazendo munganga ao sol... " (Graciliano Ramos, S. Bernardo, c. 3, p. 19, ed. 1938.)   F. cp. Mogango."

As definições acima refletem bem o espírito de dois dos grupos que pedalaram juntos no sábado passado. Acho que esse é o segredo de tudo que fazemos. De nada adianta iniciar o final de semana acordando cedinho, deixar a família em casa e sair para trilhar de bicicleta todo equipado se você não levar os principais componentes: disposição e alegria.
Que sejam bem vindos os Mungangas e quantos outros grupos quiserem pedalar conosco.

A ORIGEM DA PERUA:

Desde 2007 fazemos a trilha da linha ou trilha do maquinista, como preferem alguns ciclistas.
Em uma das oportunidades tivemos a participação do inoxidável Júnior Verona, o ciclista que é feito de uma material diferente, pois passa a semana inteira envolvido em trabalho intenso e estressante, toma umas e outras, mas quando comparece na trilha apresenta uma condição física invejável, deixando para trás muita gente que “treina” toda semana na Rota do Sol. Estávamos praticamente no meio da trilha, tínhamos atravessado uma pequena ponte sobre a linha férrea quando paramos em um pequeno sítio para descansar. Ali fomos recebidos por Totinha, um velho conhecido de Júnior Verona. Não demorou muito e Júnior identificou o lugar, reconhecendo logo em frente ao sítio de Totinha a granja do seu amigo Ricardo Mota. Desse dia em diante sempre que fazíamos a trilha da linha a granja era parada obrigatória, sempre sendo muito bem recebidos pelo proprietário ou por “Chico”, o gerente.
Conversando com Júnior na última quinta-feira observamos que nunca mais tínhamos feito a trilha da linha e ele disse que já estava na hora e ia falar com Chico para ele arrumar uma perua gorda para comermos na tradicional parada no local.
Combinamos que manteríamos em segredo a existência da perua e somente aqueles que resolvessem encarar integralmente a trilha descobririam o segredo da perua. Assim foi feito.

A TRILHA:

A intenção era formular um trajeto que contemplasse diversos tipos de terreno, fugindo o quanto possível do barulho e da fumaça dos automóveis. Idealizamos um percurso com o mínimo de subidas e sempre com áreas de sombra e possibilidade de retorno ao ponto de origem de forma mais rápida e pelo asfalto. Apesar de ser um trajeto de 51 Km, a grande maioria do grupo conseguiu cumpri-lo integralmente e, quem não o fez, foi provavelmente pelo fato de ter outro compromisso e teve que voltar mais cedo.
A concentração foi a partir das 06h30min em um posto de combustíveis localizado na BR 101, entrada da rodovia de acesso ao Município de Monte Alegre-RN. Ao chegar já me deparei com diversos carros de ciclistas e muita gente já ultimando os preparativos. Uma contagem rápida apontou aproximadamente cinquenta ciclistas, dentre integrantes do Rapadura Biker, Ciclistas de Natal, Mungangas Bike e ciclistas recém iniciados e ainda sem identificação com grupo específico.
Às 07h00min subi na bicicleta e fiz a chamada para o início. Não pedalei cinco metros e a corrente da bicicleta rompeu, tal qual tinha acontecido na quinta-feira à noite na Rota do Sol. Fiquei bastante chateado, pois tinha “resolvido” o problema no dia anterior, de forma que fiquei surpreso com a segunda quebra da corrente em menos de 72 horas, considerando que se trata de uma corrente adquirida há menos de dois meses, ou seja, é praticamente nova. Respirei fundo e fiquei pensando numa alternativa rápida, pois emendar a corrente estava fora de cogitação, já que tinha perdido a confiança naquele componente. Sugestões foram apresentadas, todas muito bem vindas, entretanto, optei por pegar emprestada a bicicleta de Montinny, pois sabia que ele estava prestes a chegar e que não tinha a intenção de fazer a trilha. Foi a melhor solução, pois além de resolver o meu problema, contribui para utilizar a bicicleta de Montinny na trilha, pois a conversa com que se acalenta menino na Rota do Sol é que o homem só pedala no asfalto.
Problema resolvido iniciamos o trajeto. De início seguimos pelo asfalto na RN 316. Pedalamos alguns quilômetros e logo entramos à esquerda, trilhando entre canaviais. Devido às chuvas recentes a terra estava ainda umedecida e o pedal fluiu bem, exceto por alguns trechos de areia fofa, que exigiram um pouco mais de esforço do ciclista. No caminho mais uma corrente quebrada, problema rapidamente resolvido entre os Mungangas. 
Não demorou e adentramos na cidade de São José do Mipibu e para nossa surpresa descobrimos que a “menor vila do mundo” está sendo demolida. No local uma placa de “vende-se”.
Após consultar o grupo resolvemos que não faríamos parada para café da manhã em São José, pois isso certamente iria atrasar o pedal. Atravessamos a principal rua da cidade e logo seguimos no rumo do Engenho Olho D´água, entrando novamente na trilha entre canaviais. Não demorou e chegamos ao Rio Mipibu, cuja travessia não deu muito trabalho.
Chegamos novamente ao asfalto, desta feita na RN 315. Pegamos à esquerda e fizemos a travessia da BR 101 no rumo de Georgino Avelino. Aqui tivemos um problema em um dos pneus da bicicleta de Job, mas um ciclista precavido andava com um tubo de "spray de pimenta", apertou no pneu e fomos embora. De acordo com a esposa de Job, após a injetada do spray o homem ficou turbinado, dando trabalho para acompanhá-lo. Após a comunidade de Golandim e antes de Currais voltamos à trilha, entrando à esquerda na placa indicativa da Fazenda Papary, seguindo no rumo de Nísia Floresta e ali tivemos a oportunidade de tomar banho de bica, lanchar e hidratar, cada um ao seu estilo. Antes de chegar em Nísia o pequeno grupo que vinha na retaguarda teve uma oportunidade ímpar. Pela primeira vez na vida viram o Lindão, vulgo "Alex Alcoforado", fazendo um trabalho de força. O homem nos levou à fazenda de um tio e ali tomamos a segunda melhor água de coco do mundo (a primeira é do coqueiro de Guilherme Lima). Cada coco tinha aproximadamente quatro litros de água, sendo suficiente dizer que Jac tomou água, encheu duas garrafinhas e ainda deu o "restinho" pra Moab terminar. Mas o melhor de tudo foi que os cocos foram partidos pelo Lindão, movido aos elogios da Linda. Dentre os presentes alguém fez um comentário que considerei equivocado: "se os Lindos fossem depender das habilidades do Lindão como abridor de cocos, estavam lascados". Pura intriga da oposição. Continue assim Lindão, mas cuidado pra não decepar os dedos.
Em Nísia Floresta duas ciclistas resolveram ficar na rodoviária, ao passo que o restante do grupo seguiu novamente pelo asfalto no rumo da BR 101. Nas imediações da fábrica de móveis rústicos  alguns ciclistas resolveram seguir pelo asfalto, ao passo que o grande grupo entrou à direita, passando no bairro mais antigo de São José de Mipibu, o Bairro Novo. Parece contraditório, mas é a pura verdade. Fomos margeando a linha do trem e ao chegarmos numa bifurcação as pilhas do GPS arriaram. Troquei os "elementos", mas na ânsia de continuar o pedal não esperei o aparelho atualizar e seguimos por aproximadamente cem metros fora da trilha. Percebi rapidamente e tomamos o rumo certo, não sem antes ouvir todo tipo de gracinha e por muito pouco não levei uma vaia.  O que me aliviou é que no grupo estava presente a maior navegadora/orientadora dos Ciclistas de Natal e do Rapadura Biker, Neide do Gás. Soube também que do lado dos Mungangas também tinha Abel, cujo senso de orientação é tão apurado quanto o de um cego no meio de um duelo com metralhadoras. Cruzamos o trecho inicial da RN 316 e não demorou muito chegamos ao nosso objetivo. Quando entramos na propriedade nos deparamos com uma mesa posta em baixo da sombra de uma enorme árvore. Muitas frutas, refrigerantes e um almoço com comida mais do que suficiente para todo o grupo. Não demorou muito e o prato principal foi apresentado: Júnior Verona trazia nas mãos dois pratos enormes repletos de perua, carinhosamente preparada por Rosa, esposa de Chico, gerente da propriedade.
Entre surpresos e admirados os colegas ciclistas não foram cerimoniosos, fazendo valer todo o esforço da pedalada, comendo a perua que deu nome ao pedal. Ao final o que se viu foram os pés da perua e uns pedaços da carcaça. Fonte fidedigna confidenciou-me que viu um(a) ciclista enrolando um naco do pescoço da perua num guardanapo e guardando no bolso da camisa, não sei se para comer no restante do caminho, para servir de tira-gosto mais tarde ou se para provar ao esposo(a) que de fato teve perua no pedal.
Enquanto o almoço era servido chegou um ciclista esbaforido. Soubemos depois que o cabra atrasou um pouquinho e quis dar um passamento, somente recuperando o fôlego quando sentiu o cheiro da perua espalhado no ar.
Fizemos a tradicional foto no lugar, oportunidade que agradecemos aos proprietários Ricardo Mota e sua esposa Katalina, que nos receberam com muita simpatia e nos acompanharam durante todo o almoço. Foi feito o desafio e pelo que ouvi parece que eles vão pedalar conosco.

O FINAL:

Depois de todo mundo alimentado e tomado banho de mangueira chegou a hora de voltar ao ponto que deixamos os carros. Vocês precisavam ver as expressões de alguns ciclistas quando souberam que ainda tinham que pedalar por mais um 3,5 Km. Teve gente que fez cara de choro, mas foi só começar a pedalar que tudo voltou ao normal. 
Às 13h00min chegamos ao nosso destino final, nos despedimos e tomamos nossos rumos.

PÓS FINAL:

Para quem pensa que acabou por aqui, sinto informar que não. Quando fui consultar o meu telefone celular verifiquei que tinha 51 chamadas (uma para quilômetro percorrido), todas feitas por Hiram Coala. O homem informava que os caranguejos que ele tinha comprado no começo do mês estavam quase atingindo o prazo de validade, de forma que se fazia imprescindível uma reunião da “Deretoria” do Rapadura Biker para decidir o destino dos carangas. Seguimos então, desta vez de carros, até o Bar do Chiquinho, no Parque Industrial e ali decidimos que o melhor a fazer seria comer os caranguejos para evitar desperdício de comida. Surgiu então uma questão de ordem: será que não fazia mal misturar peru com caranguejo? Depois de muita discussão, com argumentos prós e contras, foi lembrado por alguém que chegou mais cedo ao bar que já havia um precedente, pois já tinha comido o osso do patinho + caranguejo, ou seja, se não fez mal misturar pato com caranguejo, mal não fará com perua.
Seguiu-se uma ruma de cerveja gelada com as resenhas da pedalada. Ouvi muita coisa e uma especialmente chamou a atenção: de acordo com um informante credenciado pela CIDBDRB – Central Internacional de Boatos do Rapadura Biker há uma séria possibilidade de haver uma miscigenação entre Rapaduras e Mungangas. O assunto carece de maiores investigações e tão logo o banco de dados seja alimentado deixaremos vocês atualizados. 
Para quem não foi seguem as fotos.
Canaviais de São José do Mipibu.

Trilha após o Engenho Olho D´água.

Os tomadores de coco para que eu não passe por mentiroso.

É profissional!!!

Travessia do Rio Mipibu.

Mais travessia.

Erimar limpando a bicicleta.

Professor Raimundo no banco da menor vilar do mundo.

Na BR 101.

Depois da perua todo mundo pesado.

Olha o banquete.

Foi  aqui que achamos a perua.

Foto com os anfitriões.
Foto com Chico da Perua - o gerente.

Com Dona Rosa , a mulher que preparou a perua.


O trajeto.