14/01/2012

Pedal das Praias Potiguares 2012: 4º dia – Caiçara-Diogo Lopes - 50 Km.

Caros Rapaduras:

A dormida foi tranquila. Logo cedo já era possível ouvir as conversas no alpendre da pousada. Tomamos café da manhã olhando o mar e acompanhando a movimentação da maré. Às 08h00min julgamos que era hora de partir e assim fizemos.
Pedalamos os primeiros 10 Km pela beira da praia sem parar. Encontramos um barco e um pequeno rancho de pescadores e ali fizemos o nosso primeiro “pit stop”, pois desta feita não seríamos acompanhados pelos carros de apoio em razão da impossibilidade de ser feita a travessia de carro entre Galinhos e Guamaré. Bebemos água, conversamos um pouco e seguimos em frente, pois ainda faltavam 18 Km até Galinhos.
Um pouco adiante recebemos via radio a notícia de que a bicicleta de Jadson tinha sido esquecida na pousada em Caiçara. Ele tinha ido de ônibus fazer uns exames em Natal e somente nos encontraria mais tarde em Diogo Lopes. Paramos para encontrar uma solução e assim foi feito. Cruzamos com um carro no caminho que ia buscar combustível em Caiçara e acertamos um “frete”. Na verdade o motorista não quis nem cobrar, mas insistimos em pagá-lo. Nesse ínterim Roberto Carlos já tinha arquitetado um plano “B”, tendo pego carona em uma motocicleta,  pretendendo voltar até Caiçara, mas não foi necessário. Valeu a iniciativa.
Os últimos 5 Km até Galinhos não permitem pedalar tranquilo. A areia é muito fofa, tem alguns pontas de pedras, sendo preferível e mais seguro empurrar um pouco.
Na chegada em Galinhos paramos no bar/restaurante de uma pousada local e ali reunimos o grupo. Sombra legal, umas cadeiras confortáveis e um lindo visual, inclusive do farol, localizado na foz do rio Guamaré.
Enquanto estávamos relaxando esperando a hora do embarque e a chegada da bicicleta de Jadson observamos André da Bicicletada brincando nas areias da praia com duas crianças nativas. Os meninos empurravam uns carrinhos pela areia e André brincava de igual pra igual. De repente André sumiu do campo de visão com as crianças, voltando em seguida empurrando uma pequena bicicleta. Os meninos viram nossas bicicletas e disseram a André que também tinha uma, mas que estava com uns probleminhas. De imediato foi formada uma equipe (André, Erimar, Professor Raimundo e Jean-Claude) que deixou a bicicleta dos meninos em condições de uso. A cara de felicidade dos garotos é algo que não se descreve com palavras, mas os registros fotográficos foram feitos.
Chegou a hora de embarcar. O nosso contratado não estava no lugar, mas não tivemos dificuldades em conseguir outro barco, pelo mesmo valor: R$ 5,00 por cabeça e bicicleta. A travessia é rápida e muito tranquila. Não demorou avistamos o porto de Guamaré e do outro lado em um mirante estavam Serginho, Neide e Guilherme Lima.
Em terra firme novamente tratamos de almoçar e o pessoal dos carros de apoio já tinha cotado um restaurante próximo ao ponto de desembarque. Comemos bem e resolvemos encarar o restante do trajeto do dia logo que terminamos o almoço.
Saímos de Guamaré e pegamos à direita no rumo do complexo eólico. Teve início uma estrada de barro e pedalamos em direção ao mar. Passamos bem próximos dos aerogeradores e o barulho que eles produzem é algo incrível, parece filme de ficção. Enfrentamos aqui o vento mais forte da viagem e tem um local (onde o vento faz a curva) que a bicicleta só falta levantar voo. Tudo muito bonito, mas ao mesmo tempo intrigante. Fiquei me sentindo um estranho em nosso próprio Estado. Teve um ponto que fomos impedidos de continuar em uma estrada de piçarro (razões de segurança) e tivemos que continuar por uma trilha lateral, utilizada pelos trabalhadores que moram em Diogo Lopes e todo dia utilizam suas bicicletas para acessarem Guamaré. A proibição, no entanto, nos possibilitou um dos momentos mais bonitos da viagem. Pedalamos literalmente em um salar. Sentíamos o vento salgado na boca e o solo correspondia a uma enorme superfície de sal grosso.
Em pouco tempo chegamos em Diogo Lopes, entrando pelo final da praia, mais precisamente pelo local denominado Sertãozinho. Nos deparamos logo na entrada com a Pousada do Elio e ficamos muito impressionados com o lugar. Tudo simples, mas organizado e funcional. O proprietário (Elio) nos recebeu com um sorriso no rosto, sendo bastante solícito e atencioso aos nossos pleitos. Aqui tivemos a oportunidade de desfrutar  uma internet rápida, o que nos causou surpresa. Um parte do grupo resolveu lavar roupa e a outra preferiu ficar conversando amenidades na frente da pousada. Quem desempenhou muito bem o papel de garçom foi Roberto Carlos. Quem chegava de fora pensava que de fato ele trabalhava no lugar.
A noite chegou e quem nos visitou foi Gringo, ciclista de Macau, que nos acompanharia a partir de então. O grupo agora contava com dois gringos: Jean-Claude (França) e Gringo (do Paraguai). Mais tarde chegou outro grupo de Natal (Jadson, Suzy, Jac e Moab). Fomos dormir cedo, pois no dia seguinte teríamos que sair às 05h00min, permitindo assim o embarque de Macau para Porto do Mangue.
Deixamos Diogo Lopes com uma visão maravilhosa. De um lado o sol, do outro a lua. Um vento silencioso levava um barco e no sentido contrário um grupo de ciclistas seguia o seu destino.
Duas coisas merecem especial registro: a) os meninos brincando na praia de bicicleta; e b) os trabalhadores indo e voltando utilizando a bicicleta como meio de transporte. São essas coisas que me estimulam a continuar pedalando. Um dia, não sabemos quando, alguém vai dizer que um grupo de pessoas saiu pedalando por nosso Estado não somente para deleite pessoal, mas para divulgar a bicicleta como um veículo possível.

DADOS DO PEDAL:

Quantidade de ciclistas: 16 ciclistas.
Pessoas nos carros de apoio: 03.
Hora de saída: 08h00min.
Hora de chegada: 14h00 min.
Distância percorrida: 50 Km, sendo 28 até Galinhos, 06 de barco e 16 de Guamaré a Diogo Lopes.

AGRADECIMENTOS: 

- Ao bom Deus por mais um dia superado;
- Aos que pedalaram com o Rapadura Biker;
- Aos que acompanharam nos carros;
- Radiocom, na pessoa de Edimar, pelo empréstimos dos radios tão utilizados e importantes durante toda viagem; 
- Benalva, da pousada Paraiso Florido, pelo carinho; e
- Ao motorista do carro que se dispôs a buscar a bicicleta de Jadson em Caiçara.

Trajeto entre Caiçara e Galinhos: 28 Km.

Trajeto entre Gumaré e Diogo Lopes: 16 Km.


Saída de Caiçara.

Trecho entre Caiçara e Galinhos.

Consertando a bicicleta dos meninos de Galinhos.

Relaxando na espriguiçadeira.

Os meninos de Galinhos.

Embarque para Guamaré.

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