12/01/2012

Pedal das Praias Potiguares 2012: Introdução, preparativos e 1º dia.

Caros Rapaduras:
Antes de qualquer coisa necessário pedir desculpas por não atualizá-los acerca de nossa viagem. Foi preciso pedalar vários quilômetros pela costa do RN para constatar o que todos já sabemos: o serviço de telefonia/internet é uma lástima. Em Sagi para conseguir um sinal da Oi a pessoa tem que escalar uma duna e ficar fazendo uma espécie de dança da chuva em busca de sinal. As outras operadoras, nem se fala. Em Natal o acesso a internet estava normal, o problema é que existiam outras prioridades (preparativos para o segundo dia). Em Touros e região consegui acessar via modem, entretanto, cada carregamento de página durava meia hora. Somente para ilustrar quero dizer que precisei usar um telefone público na praia de Cajueiro, mas os três existentes no lugar estavam danificados. Em Caiçara do Norte conseguimos o sinal da Oi, mas não é nenhuma Brastemp.Para nossa surpresa, no lugar mais inóspito (Diogo Lopes) tivemos uma internet razoável, permitindo mandar recados para vocês no Facebook. Na Ponta do Mel também conseguimos acessar a Internet, mas para falar ao celular era preciso sair pulando em cima das camas, fazer bundacanasca e rezar 45 terços.
Feito o desabafo, passemos a compartilhar alguns registros de nossa viagem com vocês.

PREPARATIVOS – 05/01/2012 – HOSPEDAGEM EM SAGI PARA DORMIR RELAXADO:

Às 14h30min deixamos Natal no rumo de Sagi. Os dois carros de apoio iam mais cheios do que corredor do Hospital “Walfredo Gurgel”. Chegamos ainda com o dia claro e ali já encontramos outros ciclistas que iriam sair conosco no dia seguinte. Não demorou muito e outros foram chegando e “engrossando o caldo”. Em pouco tempo a pousada (Condomínio Sagi) estava tomada por ciclistas. O gerente do estabelecimento, Paulo, mais uma vez esbanjou simpatia e nos deixou totalmente à vontade no lugar. Seu pessoal de apoio sempre atento também foi além do esperado.
A noite chegou rápido e nos reunimos para o tradicional jantar apropriado para quem ia fazer esforço físico no dia seguinte. Tudo uma delícia e em quantidade suficiente para saciar nossas fomes.
Após o jantar diversos grupos se espalharam pelos espaços da pousada. Não demorou muito e grande parte dos presentes estava reunida na borda da piscina, conversando amenidades e aproveitando para se conhecer melhor. Aqui foi um dos primeiros momentos interessantes da viagem, pois por iniciativa de Neide e Cláudia Celi formou-se uma “roda”, tendo todos a oportunidade de fazer uma apresentação pessoal. Tudo foi muito espontâneo e rolou de modo descontraído. O grande destaque foi Neide, que superou Cláudia Celi, falando pelos cotovelos, pedindo apartes, fazendo a réplica e a tréplica. Foi necessário a intervenção de seu Kuka para que a mulher calasse a matraca. Depois de quase todo mundo apresentado, reinou o silêncio e a forte brisa marinha (há controvérsias, principalmente para quem dormiu perto de seu Kuka).

1º DIA – 06/01/2012 -  SAGI-NATAL (via Fazenda Estrela) – 83 Km.

O dia amanheceu bonito e se alguém fosse capaz de engarrafar a energia que emanava dos ciclistas, tenho certeza que seria suficiente para abastecer uma nave espacial por aproximadamente um vinte anos.
Às 07h00min deixamos o local de concentração e saímos em busca das areias da praia. Era um colorido diferente, com especial destaque para a nova camisa do Rapadura Biker, muito preferida por grande parte dos ciclistas. Particularmente, usei-a em todos os dias do pedal: considero aprovada.
A maré estava seca e foi quase toda “pedalável” até Baia Formosa. Logo nos 3 Km iniciais recebemos a notícia via rádio de que os dois carros de apoio tinham atolado. Esperamos uma solução, mas como era reduzido o número de pessoas lá atrás, resolvi voltar na companhia de Pedro Brito e Júnior Verona (com uma equipe de apoio dessa eu desatolo até jamanta carregada). A partir de então aconteceu um desencontro, de forma que passamos da condição de procuradores para procurados. O grupo atolado estava do outro lado de uma duna e nós passamos de bicicleta sem que um visse o outro. Foi algo inusitado. Quando conseguimos juntar os atolados e desatoladores, o grupo principal já estava chegando em Baia Formosa.
Conforme tinha sido estabelecido na programação a definição do trajeto seria a partir das condições do terreno. Observamos que o trecho entre Sagi e Baia Formosa tinha muita areia fofa e assim preferimos a trilha por dentro da “Fazenda Estrela”, possibilitando assim fazer todo o trajeto acompanhados pelos carros de apoio, de forma que não faltasse água, gelo e frutas. Nossa conclusão foi que o grupo que resolveu sair sem nos esperar abriu mão de utilizar o apoio, optando por meios alternativos.
Chegamos na balsa de Barra de Cunhaú, fizemos a travessia e reunimos do outro lado. Em pouco tempo já estávamos em Simbaúma e como a maré permitiu levamos as bicicletas nos braços.
Assim que começamos a pedalar em Simbaúma fizemos um “pit stop” na casa da Doutora Ana Maria, também conhecida por “Ana das Botas”. Ali fomos muito bem recebidos, com direito a banho de bica, uma mesa de frutas, sucos, água gelada e um excepcional “caldo da caridade”, mais energético que qualquer produto desse vendido em farmácia. Segundo André da Bicicletada o caldo tinha  ômega 3, opala, maverick e todo tipo de troço.
Depois de abastecidos chegou a hora de enfrentar novamente o sol. Assim que deixamos Simbaúma já encontramos mais areia fofa no caminho, inclusive com duas famílias paradas com problema em um dos veículos. Paramos, ajudamos e seguimos o nosso rumo.
Ultrapassamos o Chapadão de Pipa e mais uma vez fiquei tocado com tão linda paisagem. Entramos em uma das ruas principais, fizemos nova parada de hidratação e seguimos.
Alcançamos Tibau do Sul e para espantar o calorão escolhemos uma boa sombra. Seguimos então até a balsa que nos levaria a Malembá. Aguardando a balsa encontramos o grupo que resolveu se antecipar, mas como a maré já tinha subido demais, tiveram que esperar por nós. Assim é a vida: no final todos se encontram.
Chegamos em Malembá e os carros de apoio foram pela estrada, pois estava impraticável até para eles. Fizemos toda a travessia empurrando as bicicletas, no entanto, alguns mais “experientes” e “audaciosos” insistiram em pedalar, sem, entretanto, muito êxito. No meio da caminhada encontrei Marcelo (pedalou conosco de Jampa até Natal) pescando tranquilo com uma latinha de cerveja na mão. Perguntei se ele tinha uma igual aquela e de imediato o homem passou a cerveja mais gelada que já tomei na minha vida. Passei a notícia via rádio e fiz inveja aos demais radialistas: Fabiano Bad Boy, Erimar Poliglota e Jadson Crazy Man.
Aproximando-se de Barreta ouvimos alguns foguetões. No ponto em que deixamos a areia fofa encontramos o pessoal da ACIRN (Haroldo Mota, Marcos Lemos, Revoredo e outros) com água e frutas. Em pouco tempo os carros de apoio também chegaram. Foi uma excelente iniciativa e merece nosso registro e agradecimentos.
Deixamos Barreta, passamos por Camurupim e Tabatinga e logo já estávamos na nossa velha conhecida Rota do Sol. Às 17h30min chegamos ao objetivo do primeiro dia, o posto de combustíveis em frente ao “Frasqueirão”.
Seguimos em busca de casa, mas antes paramos em uma pizzaria para jantar. Tivemos a agradável companhia de Renato Magalhães, representante dos ciclistas de Mossoró em nossa viagem. Comemos pizzas, conversamos amenidades e finalmente chegamos em casa. Fui tratar de organizar as coisas do carro de apoio para o dia seguinte, Cláudia Celi fica encarregada da lavagem de roupa, Renato cuidou das bikes, Rodolfo foi embora pra sua casa e Guilherme Lima foi dormir.
A novela de "Pereirão" já terminou e todos dormem.

DADOS DO PEDAL:

Quantidade de ciclistas: 55 ciclistas.
Pessoas nos carros de apoio: 07.
Hora de saída: 07h00min.
Hora de chegada: 17h30 min.
Distância percorrida: 83 Km. (inclusas as travessias).

AGRADECIMENTOS: 

- Ao bom Deus por mais um dia superado;
- Aos que pedalaram com o Rapadura Biker;
- Aos que acompanharam nos carros (Luan, Rodolfo, Guilherme Lima, Deyse, seu Itamar e Cleidimar);
- Paulo e sua equipe do Condomínio Sagi, pela simpatia e competência no atendimento;
- Ana Maria das Botas pelo "pit stop" em Simbaúma;
- Marcelo pela loura gelada em Malembá;
- ACIRN (Haroldo Mota e Marcos Lemos) pelo apoio na chegada em Barreta; e
- Aos demais ciclistas que nos aguardaram em Malembá.

Trajeto do 1º dia - 83 Km - Sagi-Natal via Fazenda Estrela.

Concetração na saída: Condomínio Sagi.

Travessia em Barra de Cunhaú-Simbaúma.

Chapadão de Pipa.

Travessia em Tibau do Sul.

Travessia em Tibau do Sul.







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