O que o Código de Trânsito diz sobre nós ciclistas
As bicicletas e os ciclistas são classificados sob os seguintes termos: bicicletas, ciclos, ciclistas ou veículos de propulsão humana (VPH). Abaixo cito todos os trechos que encontrei citando esses termos, sempre com um comentário tentando explicar de forma simples o blá blá blá legal.
Os órgãos de trânsito têm obrigação de se preocupar com os ciclistas:
Art. 21. Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:
(…)
II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veícuslos de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e segurança de ciclistas.
(o Art. 24 dispõe o mesmo sobre os órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios)
Pedestres têm prioridade sobre ciclistas e ciclistas têm prioridade sobre motos e carros:
Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:
(…)
§ 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.
Os carros não devem nos fechar:
Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes lindeiros, o condutor deverá:
(…)
Parágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem.
Devemos andar na rua, no sentido dos carros e nos cantos da via (inclusive no esquerdo em caso de vias de mão única, embora geralmente isso seja bastante perigoso, sobretudo em avenidas de fluxo rápido):
Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.
Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.
Bicicleta na calçada, só com autorização da autoridade de trânsito e sinalização adequada na calçada:
Art. 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios.
Quer passar pela calçada ou atravessar com a bike na faixa? O CNT manda desmontar:
Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios (…)
§ 1º O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.
Buzina, espelho e “sinalização” na frente, atrás, dos lados e nos pedais (que pode ser entendida por refletivos) são obrigatórios pelo Código, mas capacete não:
Art. 105. São equipamentos obrigatórios dos veículos, entre outros a serem estabelecidos pelo CONTRAN:
(…)
VI – para as bicicletas, a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.
Obs.:O Projeto de Lei 2956/2004 pretende cancelar a obrigatoriedade do uso de “campainha” e espelho retrovisor, mas está em tramitação desde 2004. Em 2008, foi encaminhado ao Senado.
Os fabricantes e importadores são obrigados a fornecer as bicicletas com os equipamentos citados acima:
Do mesmo Art. 105:
§ 3º Os fabricantes, os importadores, os montadores, os encarroçadores de veículos e os revendedores devem comercializar os seus veículos com os equipamentos obrigatórios definidos neste artigo, e com os demais estabelecidos pelo CONTRAN.
Importadores e fabricantes de bicicletas são obrigados a fornecer um manual contendo mais ou menos tudo isso que eu estou dizendo aqui, além de instruções sobre direção defensiva e primeiros socorros:
Art. 338. As montadoras, encarroçadoras, os importadores e fabricantes, ao comerciarem veículos automotores de qualquer categoria e ciclos, são obrigados a fornecer, no ato da comercialização do respectivo veículo, manual contendo normas de circulação, infrações, penalidades, direção defensiva, primeiros socorros e Anexos do Código de Trânsito Brasileiro.
O Código dá direito aos Municípios de registrar e licenciar as bicicletas caso decidam fazer isso:
Art. 129. O registro e o licenciamento dos veículos de propulsão humana, dos ciclomotores e dos veículos de tração animal obedecerão à regulamentação estabelecida em legislação municipal do domicílio ou residência de seus proprietários.
[ver também Art.24, incisos XVII e XVIII e Art.141]
Ameaçar o ciclista com o carro é infração gravíssima, passível de suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo e da habilitação:
Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos:
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa – retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.
Colar na traseira do ciclista ou apertar ele contra a calçada é infração grave:
Art. 192. Deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade, as condições climáticas do local da circulação e do veículo:
Infração – grave;
Penalidade – multa.
Estacionar na ciclovia é infração grave, sujeita a multa e guincho:
Art. 181. Estacionar o veículo:
(…)
VIII – no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público:
Infração – grave;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – remoção do veículo;
Andar com o carro na ciclovia ou mesmo numa ciclofaixa é o mesmo que dirigir na calçada, infração gravíssima:
Art. 193. Transitar com o veículo em calçadas, passeios, passarelas, ciclovias, ciclofaixas, ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização, gramados e jardins públicos:
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa (três vezes).
O carro deve dar preferência de passagem ao ciclista quando ele já estiver atravessando a via, mesmo que o sinal abra para o carro:
Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:
I – que se encontre na faixa a ele destinada;
II – que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;
(…)
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa.
IV – quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada;
V – que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo:
Infração – grave;
Penalidade – multa.
Tirar fina é infração média:
Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:
Infração – média;
Penalidade – multa.
Se a fina for em alta velocidade, são duas multas (a média aí de cima mais essa grave aqui):
Art. 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito:
(…)
XIII – ao ultrapassar ciclista:
Infração – grave;
Penalidade – multa;
Deixar de andar com a bicicleta em fila única pela lateral da rua ou acostamento é infração média:
Art. 247. Deixar de conduzir pelo bordo da pista de rolamento, em fila única, os veículos de tração ou propulsão humana e os de tração animal, sempre que não houver acostamento ou faixa a eles destinados:
Infração – média;
Penalidade – multa.
Somos proibidos de circular em vias de trânsito rápido e em rodovias sem acostamento, além de algumas outras coisinhas que pouquíssimos ciclistas sabem:
Art. 244, § 1º Para ciclos aplica-se o disposto nos incisos III, VII e VIII, além de:
a) conduzir passageiro fora da garupa ou do assento especial a ele destinado;
b) transitar em vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento ou faixas de rolamento próprias;
c) transportar crianças que não tenham, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança.
Inciso III – fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma roda;
Inciso VII – sem segurar o guidom com ambas as mãos, salvo eventualmente para indicação de manobras;
Inciso VIII – transportando carga incompatível com suas especificações
Bicicleta na calçada ou pilotagem “agressiva” é motivo para multa e apreensão da bicicleta (mas a autoridade é obrigada a fornecer um recibo!):
Art. 255. Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva, em desacordo com o disposto no parágrafo único do art. 59:
Infração – média;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – remoção da bicicleta, mediante recibo para o pagamento da multa.
Acostamento é lugar de bicicleta sim:
ACOSTAMENTO – parte da via diferenciada da pista de rolamento destinada à parada ou estacionamento de veículos, em caso de emergência, e à circulação de pedestres e bicicletas, quando não houver local apropriado para esse fim.
Bicicleta também é veículo:
BICICLETA – veículo de propulsão humana, dotado de duas rodas, não sendo, para efeito deste Código, similar à motocicleta, motoneta e ciclomotor.
Bicicletário é o nome oficial do “estacionamento de bicicletas”:
BICICLETÁRIO – local, na via ou fora dela, destinado ao estacionamento de bicicletas.
O chamado bordo da pista é só o canto, a beirada, sem uma definição clara de até onde é considerado bordo:
BORDO DA PISTA – margem da pista, podendo ser demarcada por linhas longitudinais de bordo que delineiam a parte da via destinada à circulação de veículos.
Ciclo é uma bicicleta, um triciclo, etc., desde que movido a propulsão humana:
CICLO – veículo de pelo menos duas rodas a propulsão humana.
Ciclofaixa é uma “faixa de ônibus” para bicicletas e outros VPH:
CICLOFAIXA – parte da pista de rolamento destinada à circulação exclusiva de ciclos, delimitada por sinalização específica.
Ciclovia é quando é separada dos carros (mas não é lugar de pedestre!):
CICLOVIA – pista própria destinada à circulação de ciclos, separada fisicamente do tráfego comum.
Calçada é para pedestres, bicicleta só circula nela em casos excepcionais:
PASSEIO – parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas.
Quer divulgar esse texto? Ótimo!
Para fazer um link para cá, use o seguinte endereço:
http://blig.ig.com.br/freeride/2004/08/18/o-que-o-codigo-de/
Se quiser reproduzir o texto em algum lugar, vai fundo! Apenas cite o autor (Willian Cruz) e o site (Vá de Bike), com link para cá.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): - Dicas para o ciclista urbano -, . Bicicleta é transporte . Tags: dicas, legislação, mais bicicletas
03/03/2011
01/03/2011
O atropelamento de ciclistas em Porto Alegre
Na última sexta-feira (25/02/2011) a minha caixa de e-mail começou a ser bombardeada com a trágica notícia dos fatos ocorridos na Bicicletada de Porto Alegre-RS. As informações não estavam sozinhas, mas acompanhadas de imagens, por sinais bastante fortes.
De imediato começaram as reações de indignação, umas inclusive bastante enfáticas, desejando ao motorista atropelador os piores castigos possíveis.
Chamou particularmente a minha atenção o fato de que alguns comentadores do criminoso evento começaram a tentar inverter os valores da questão, querendo culpar o Movimento Bicicletada por ter os seus membros brutalmente atropelados. A minha primeira reação a tal posicionamento foi de retrucar com veemência, mas preferi ficar acompanhando as discussões, sedimentando melhor as minhas convicções.
Sem muita pretensão acadêmica posso dizer que conheço a Bicicletada, tanto do ponto de vista histórico, pois sempre acompanhei o seu desenrolar no mundo até a sua chegada ao Brasil, como também do ponto de vista prático, pois tive oportunidade de participar do movimento aqui em Natal-RN, por duas vezes. Conheço diversos dos seus integrantes e sei de ciência própria que são pessoas sérias, trabalhadoras e respeitadoras. Posso afirmar sem medo de errar que é um movimento limpo, com estilo reividicatório próprio e uma ideologia calcada em um mundo mais harmonioso, onde carros, bicicletas e pessoas possam utilizar das rotas de acesso sem conflitos. Não posso, portanto, jamais considerar como acertada a pecha de que se trata de um movimento irresponsável e que sai para as ruas para conflitar diretamente com motoristas. Quem assim pensa não conhece a Bicicletada.
É a partir dessa premissa que posso asseverar que os fatos praticados pelo motorista de Porto Alegre foi nitidamente criminoso e o que é pior, intencional. Não se tratou de um ato culposo, ou seja, derivado de uma conduta imprudente, negligente ou imperita, mas sim de uma ação calcada na vontade de obter resultados ruínosos. Falar em legítima defesa nesse caso concreto é um verdadeiro atentado ao Direito. Dizer que foi um ato estúpido de intolerância é com certeza a melhor definição para o triste quadro pintado pelo motorista criminoso.
Observem no vídeo e nos diversos depoimentos das testemunhas presenciais que o motorista criminoso arrancou com seu veículo de forma deliberada e violenta contra uma massa que foi surpreendida com a ação. O ato foi essencialmente covarde, pois os ciclistas foram atingidos pelas costas e sequer tiveram tempo de esboçar uma reação.
O motorista criminoso tanto tem ciência do seu ato que fugiu da cena do crime e abandonou o veículo.
A intolerância desse homem ontem foi contra um grupo de ciclistas e igual modo poderia ter sido contra um grupo de manifestantes que resolveu fechar uma rua, um aglomerado de pessoas seguindo um funeral ou qualquer outro grupo que estivesse no seu caminho, atrapalhando o seu "valioso" tempo.
O mundo todo comenta o vídeo e ficou estarrecido com tal ato de violência. Desta feita não tivemos nenhuma vítima fatal, o que não diminuí em nada a atitude criminosa praticada. Espero que os fatos sirvam para chamar a atenção de todos e possibilitem uma melhor reflexão sobre o nosso comportamento no trânsito.
Punição para o criminoso, é o que se espera.
De imediato começaram as reações de indignação, umas inclusive bastante enfáticas, desejando ao motorista atropelador os piores castigos possíveis.
Chamou particularmente a minha atenção o fato de que alguns comentadores do criminoso evento começaram a tentar inverter os valores da questão, querendo culpar o Movimento Bicicletada por ter os seus membros brutalmente atropelados. A minha primeira reação a tal posicionamento foi de retrucar com veemência, mas preferi ficar acompanhando as discussões, sedimentando melhor as minhas convicções.
Sem muita pretensão acadêmica posso dizer que conheço a Bicicletada, tanto do ponto de vista histórico, pois sempre acompanhei o seu desenrolar no mundo até a sua chegada ao Brasil, como também do ponto de vista prático, pois tive oportunidade de participar do movimento aqui em Natal-RN, por duas vezes. Conheço diversos dos seus integrantes e sei de ciência própria que são pessoas sérias, trabalhadoras e respeitadoras. Posso afirmar sem medo de errar que é um movimento limpo, com estilo reividicatório próprio e uma ideologia calcada em um mundo mais harmonioso, onde carros, bicicletas e pessoas possam utilizar das rotas de acesso sem conflitos. Não posso, portanto, jamais considerar como acertada a pecha de que se trata de um movimento irresponsável e que sai para as ruas para conflitar diretamente com motoristas. Quem assim pensa não conhece a Bicicletada.
É a partir dessa premissa que posso asseverar que os fatos praticados pelo motorista de Porto Alegre foi nitidamente criminoso e o que é pior, intencional. Não se tratou de um ato culposo, ou seja, derivado de uma conduta imprudente, negligente ou imperita, mas sim de uma ação calcada na vontade de obter resultados ruínosos. Falar em legítima defesa nesse caso concreto é um verdadeiro atentado ao Direito. Dizer que foi um ato estúpido de intolerância é com certeza a melhor definição para o triste quadro pintado pelo motorista criminoso.
Observem no vídeo e nos diversos depoimentos das testemunhas presenciais que o motorista criminoso arrancou com seu veículo de forma deliberada e violenta contra uma massa que foi surpreendida com a ação. O ato foi essencialmente covarde, pois os ciclistas foram atingidos pelas costas e sequer tiveram tempo de esboçar uma reação.
O motorista criminoso tanto tem ciência do seu ato que fugiu da cena do crime e abandonou o veículo.
A intolerância desse homem ontem foi contra um grupo de ciclistas e igual modo poderia ter sido contra um grupo de manifestantes que resolveu fechar uma rua, um aglomerado de pessoas seguindo um funeral ou qualquer outro grupo que estivesse no seu caminho, atrapalhando o seu "valioso" tempo.
O mundo todo comenta o vídeo e ficou estarrecido com tal ato de violência. Desta feita não tivemos nenhuma vítima fatal, o que não diminuí em nada a atitude criminosa praticada. Espero que os fatos sirvam para chamar a atenção de todos e possibilitem uma melhor reflexão sobre o nosso comportamento no trânsito.
Punição para o criminoso, é o que se espera.
Pedal do Mendes: café da manhã no Bar de Luiz
Hoje o meu plano era participar do Café da Manhã com Motoristas, evento da Bicicletada com o objetivo de aproximar motoristas de ônibus e ciclistas, possibilitando assim uma maior harmonia no trãnsito cada dia mais caótico.
Mudei o planejamento e resolvi cumprir a agenda de pedaladas do Rapadura Biker e às 06h20min cheguei no estacionamento do Plano 100 da Avenida Ayrton Senna, local marcado para saída.
Ali já encontrei o simpático casal Flávio e Carol (fazia tempo que não pedalava com eles), Othon, Shirley e logo depois chegou Professor Raimundo. Na hora marcada o grupo já estava pronto, mas resolvemos aguardar alguns minutos para ver se mais alguém ia aparecer, o que não aconteceu.
Mais tarde fiquei sabendo que Serginho e Moab chegaram às 06h00min e acharam que o grupo já tinha saído, resolvendo então fazer outro trajeto. Foi uma pena, pois são dois ótimos companheiros de pedaladas.
Esse roteiro tem muitas variedades, tanto podendo ser feito totalmente no asfalto, como também com uma boa parte por trilha. Seu diferencial é que se trata de um trajeto rápido, com vários pontos de hidratação, o relevo relativamente plano e uma paisagem sempre muito verde.
A opção de hoje foi o trecho todo no asfalto. Seguimos pela Avenida Ayrton Senna, entramos à direita na Maria Lacerda Montenegro, à esquerda na estrada de Cajupiranga (por trás do aeroporto Augusto Severo), Coophab, entramos no Bairro Liberdade em Parnamirim, atravessamos a BR 101 pela passarela, seguimos pela Cohabinal (Rainha do Pastel), CT do América, estrada de Japecanga (conhecida pelos ciclistas como Calcinha Preta, devido a cor escura do asfalto novo) e finalmente chegamos ao Distrito do Mendes, no Município de São José de Mipibu-RN.
No Mendes já temos cadeira cativa no Bar do Luiz, cujo proprietário é que deu nome ao estabelecimento, é um cara simples e muito atencioso com os ciclistas. Sempre nos recebe com um sorriso e faz de tudo para que nosso café da manhã seja o melhor de todos. O cardápio é quase sempre o mesmo (cuscuz, ovo, pão, café, manteiga da terra e suco). O bar também sempre dispõe da verdadeira rapadura de Japecanga e quando não compramos uma(s) somos presenteados por Luiz, de forma que sempre voltamos abastecidos.
Na hora de pagar a conta o gasto por cabeça é de aproximadamente R$ 3,00 (três reais) e quem vai pela primeira vez sempre fica admirado e repete: só isso!!! Fazer o quê? Esse é o preço justo que Luiz nos cobra.
Dedicamos aproximadamente trinta minutos para o café da manhã e depois de paga a fatura seguimos o nosso caminho, desta feita no rumo da rodovia de acesso ao Município de Monte Alegre, para então dobrarmos à esquerda e chegarmos novamente na BR 101, que agora está duplicada e tem um acostamento muito bom de pedalar. Em pouco tempo chegamos novamente na estrada de Cajupiranga e depois de encarar um vento lateral estamos de volta ao ponto de partida.
Hoje pegamos uma chuva muito forte. Fazia muito tempo que eu não pedalava numa chuva tão intensa. Os pingos chegavam com tanta força que quando batiam no rosto os lábios ardiam de dor. A sorte é que todo mundo estava prevenido e os sacos plásticos salvaram os celulares e máquinas fotográficas.
O pedal terminou às 10h20min, ou seja, você não sai tão cedo de casa e chega com tempo de ainda resolver alguma coisa na manhã do sábado.
23/02/2011
Uma Viagem Inesquecível: o pior dia da sua vida pode ser o começo de uma grande aventura
Quando tive a coragem de fazer o blog também pensei em expor outras experiências que reputo interessantes e que não sejam necessariamente ligadas ao ciclomundo.
Acabei de assistir o filme que deu título ao post de hoje. É sensacional e muito mais leve do que Na Natureza Selvagem, do qual também sou fã.
O protagonista, Conner Layne, um jovem que ainda não atingiu os vinte anos está prestes a se casar e exatamente no dia da cerimônia religiosa ele revela uma surpresa a sua noiva, aos seus parentes e convidados, tomando ali no altar uma decisão que mudou torrencialmente o seu modo de ver o mundo.
A partir de então o filme deixa de lado a vida urbana e passa a relatar uma aventura fantástica vivenciada por um grupo muito maluco: "atravessar o Darien Gap, uma faixa de 100 milhas ao longo da selva que separa o Panamá e a Colômbia".
A narrativa é rápida, com algumas pitadas de humor e incríveis momentos de aventura, sem falar na belíssima paisagem de Machu Picchu e do Salar de Uyuni, locais que vou conhecer nem que a vaca dance balé.
Vou parar por aqui, pois o bom mesmo é assistir e tirar suas próprias impressões.
Não acho elegante pedir comentário ao post, mas nesse caso vou abrir uma exceção: quem assistir por favor comente.
Acabei de assistir o filme que deu título ao post de hoje. É sensacional e muito mais leve do que Na Natureza Selvagem, do qual também sou fã.
O protagonista, Conner Layne, um jovem que ainda não atingiu os vinte anos está prestes a se casar e exatamente no dia da cerimônia religiosa ele revela uma surpresa a sua noiva, aos seus parentes e convidados, tomando ali no altar uma decisão que mudou torrencialmente o seu modo de ver o mundo.
A partir de então o filme deixa de lado a vida urbana e passa a relatar uma aventura fantástica vivenciada por um grupo muito maluco: "atravessar o Darien Gap, uma faixa de 100 milhas ao longo da selva que separa o Panamá e a Colômbia".
A narrativa é rápida, com algumas pitadas de humor e incríveis momentos de aventura, sem falar na belíssima paisagem de Machu Picchu e do Salar de Uyuni, locais que vou conhecer nem que a vaca dance balé.
Vou parar por aqui, pois o bom mesmo é assistir e tirar suas próprias impressões.
Não acho elegante pedir comentário ao post, mas nesse caso vou abrir uma exceção: quem assistir por favor comente.
22/02/2011
Reunião da ACIRN: 21/02/2011
Ontem tive a oportunidade de participar de mais uma reunião da Associação dos Ciclistas do Estado do Rio Grande do Norte - ACIRN - e confesso que fiquei entusiasmado com o que vi, pois em plena noite de segunda-feira conseguimos reunir aproximadamente vinte pessoas (dezesseis assinaram a lista de presença) para discutir um assunto que já integra o nosso cotidiano. Dentro das minhas limitações, principalmente temporais, vou fazer de tudo para contribuir em prol do crescimento da associação e acredito que dentre em breve o engajamento será bem maior, inclusive com a presença de ciclistas de outras cidades. Preparei uma síntese da reunião e estou divulgando para o conhecimento daqueles que não puderam comparecer:
Reunião da ACIRN - 21/02/2010
Realizou-se hoje, na sala de reunião do Supermercado Nordestão da Avenida Salgado Filho, mais uma reunião da ACIRN. Assinaram a lista de presença dezesseis pessoas. Segue uma síntese da reunião de hoje:
- Abertura dos trabalhos com as palavras de Haroldo Motta, Presidente da ACIRN, que registrou a presença de integrantes do movimento em prol da Ribeira que esclareceram como vai se desenvolver o projeto cultural naquele tradicional Bairro de nossa Capital, com ênfase para o evento a ser realizado no próximo dia 03 DE ABRIL DE 2011 (domingo): um passeio ciclístico pelos principais pontos culturais de nossa cidade, saindo da Praça André de Albuquerque e terminando na Rua Chile, destinando-se um bicicletário no Armazém Hall para que todos os ciclistas possam guardar suas bicicletas com segurança, inclusive com a possibilidade de somente buscá-las no dia seguinte. O evento é aberto a todos os ciclistas e objetiva congregar todos aqueles que utilizam tal meio de transporte, seja como instrumento de trabalho ou de lazer. A tônica é UM OLHAR CULTURAL DA CIDADE EM CIMA DE UMA BICICLETA.
- O Presidente da ACIRN acolheu a idéia e conclamou a todos para divulgarem e participarem do evento.
PAUTA DO DIA:
- Cicloturismo em Mossoró: O Presidente informou que recebeu ligação telefônica de Alex Polary, integrante do Ciclismo Mossoró, informando o desejo de realizar um encontro de cicloturismo naquela cidade. Como já existe aqui em Natal um projeto nesse sentido por parte do Grupo Rapadura Biker, coube a Benilton entrar em contato com Alex Polary e Vagno Jesus (ACIRN Mossoró) para junção de esforços visando o evento;
- Atividades do Rapadura Biker: agradecimentos pelo apoio da ACIRN a Viagem do Elefante; calendário de trilhas e viagens para 2011 disponível na comunidade e pedal da lua realizado no último dia 18;
-Sugestão do associado Santiago que seja contemplado no calendário um passeio no dia 05/06, dia mundial do meio ambiente;
- Carteira da ACIRN e campanha de arregimentação de associados:
- Abertura dos trabalhos com as palavras de Haroldo Motta, Presidente da ACIRN, que registrou a presença de integrantes do movimento em prol da Ribeira que esclareceram como vai se desenvolver o projeto cultural naquele tradicional Bairro de nossa Capital, com ênfase para o evento a ser realizado no próximo dia 03 DE ABRIL DE 2011 (domingo): um passeio ciclístico pelos principais pontos culturais de nossa cidade, saindo da Praça André de Albuquerque e terminando na Rua Chile, destinando-se um bicicletário no Armazém Hall para que todos os ciclistas possam guardar suas bicicletas com segurança, inclusive com a possibilidade de somente buscá-las no dia seguinte. O evento é aberto a todos os ciclistas e objetiva congregar todos aqueles que utilizam tal meio de transporte, seja como instrumento de trabalho ou de lazer. A tônica é UM OLHAR CULTURAL DA CIDADE EM CIMA DE UMA BICICLETA.
- O Presidente da ACIRN acolheu a idéia e conclamou a todos para divulgarem e participarem do evento.
PAUTA DO DIA:
- Cicloturismo em Mossoró: O Presidente informou que recebeu ligação telefônica de Alex Polary, integrante do Ciclismo Mossoró, informando o desejo de realizar um encontro de cicloturismo naquela cidade. Como já existe aqui em Natal um projeto nesse sentido por parte do Grupo Rapadura Biker, coube a Benilton entrar em contato com Alex Polary e Vagno Jesus (ACIRN Mossoró) para junção de esforços visando o evento;
- Atividades do Rapadura Biker: agradecimentos pelo apoio da ACIRN a Viagem do Elefante; calendário de trilhas e viagens para 2011 disponível na comunidade e pedal da lua realizado no último dia 18;
-Sugestão do associado Santiago que seja contemplado no calendário um passeio no dia 05/06, dia mundial do meio ambiente;
- Carteira da ACIRN e campanha de arregimentação de associados:
- Os associados Carlos Camboim e Angelike informaram que estão tratando da confecção da carteira de associado da ACIRN, bem como vendo questões relativas ao incremento do número de associados. Como o assunto demanda maiores estudos os associados Benilton, Luciano e Neide assumiram o compromisso de auxiliar na tarefa;
- Fechamento financeiro: O Presidente fez um relato das finanças da ACIRN, ressaltando que foi gerada uma receita de R$ 2.100,00 (dois mil e cem reais), utilizados com despesas de impressão, ligações telefônicas, passeio da Zona Norte e outras. O demonstrativo das contas está à disposição dos associados para análise;
- Sugestão de Fabiano: contratação de profissional para gerenciar a política de associativismo e controle do pagamento da anuidade;
- Situação jurídica da ACIRN: O Presidente informou que ainda não foi ultimada a regularização jurídica da associação, mas o processo continua em andamento;
- Mostra de Cinema sobre Bicicleta - MIDCIB: O evento continua agendado para maio e junho de 2011 e o Presidente solicitou material aos presentes;
- Comissão de Governo: Ficou estabelecido que a Presidência estabelecerá uma agenda com autoridades governamentais para o período pós carnaval, objetivando tratar das questões envolvendo a ciclomobilidade em nossa cidade e Estado. Fabiano propôs que cada grupo tivesse um representante na comissão;
- Sugestão de Daivid do Santuário Ecológico: Que sejam levados projetos prontos para as reuniões com os entes governamentais;
- Sugestão de Santiago: Que seja oficiado à Prefeitura de Natal pleiteando a demarcação da área de ciclovia da ZPA3, já contemplada em lei;
- Abraço do Cajueiro de Pirangi: Dia 27/02 (domingo), a partir das 08h00min, com realização de oficinas de sabão caseiro e capoeira. O Presidente conclamou todos os ciclistas a comparecerem e levarem seus familiares;
- Sugestão de Milton do Rapadura Biker: realização de um pedal em homenagem às mulheres;
- André da Bicicletada: fez uma exposição do seu projeto de arrecadar material de ferro encontrado nas estradas, tendo gerado diversos quilos de pregos e parafusos e possibilitado que fossem feitas esculturas. Chamou atenção para o risco que representa para todos que utilizam as estradas o resto de material que cai dos veículos ou que é jogado fora;
- Sugestão de Santiago: oficiar ao DNIT para limpeza dos acostamentos;
- Carnaciclo: O Professor Miltão discorreu sobre o projeto Carnaciclo, oportunidade em que manifestou sua tristeza com o não engajamento dos demais grupos no projeto. Esclareceu que a data será mantida, entretanto, será dada uma roupagem de menor dimensão;
- Sugestão de Santiago e Fabiano: Que os eventos sejam planejados de forma a evitar choques de horários;
- Café da Manhã com Motoristas: Fabiano da Bicicletada expôs o projeto que está previsto para o próximo dia 26/02. Esclareceu que é uma forma de aproximar motoristas de ônibus e ciclistas;
- Página eletrônica da ACIRN: O Presidente esclareceu que ainda não foi efetivada;
- Sugestão de Santiago: Realizar reuniões da ACIRN em Parnamirim, Macaiba e São Gonçalo;
- Próxima reunião: 21/03/2011, no mesmo local.
- Fechamento financeiro: O Presidente fez um relato das finanças da ACIRN, ressaltando que foi gerada uma receita de R$ 2.100,00 (dois mil e cem reais), utilizados com despesas de impressão, ligações telefônicas, passeio da Zona Norte e outras. O demonstrativo das contas está à disposição dos associados para análise;
- Sugestão de Fabiano: contratação de profissional para gerenciar a política de associativismo e controle do pagamento da anuidade;
- Situação jurídica da ACIRN: O Presidente informou que ainda não foi ultimada a regularização jurídica da associação, mas o processo continua em andamento;
- Mostra de Cinema sobre Bicicleta - MIDCIB: O evento continua agendado para maio e junho de 2011 e o Presidente solicitou material aos presentes;
- Comissão de Governo: Ficou estabelecido que a Presidência estabelecerá uma agenda com autoridades governamentais para o período pós carnaval, objetivando tratar das questões envolvendo a ciclomobilidade em nossa cidade e Estado. Fabiano propôs que cada grupo tivesse um representante na comissão;
- Sugestão de Daivid do Santuário Ecológico: Que sejam levados projetos prontos para as reuniões com os entes governamentais;
- Sugestão de Santiago: Que seja oficiado à Prefeitura de Natal pleiteando a demarcação da área de ciclovia da ZPA3, já contemplada em lei;
- Abraço do Cajueiro de Pirangi: Dia 27/02 (domingo), a partir das 08h00min, com realização de oficinas de sabão caseiro e capoeira. O Presidente conclamou todos os ciclistas a comparecerem e levarem seus familiares;
- Sugestão de Milton do Rapadura Biker: realização de um pedal em homenagem às mulheres;
- André da Bicicletada: fez uma exposição do seu projeto de arrecadar material de ferro encontrado nas estradas, tendo gerado diversos quilos de pregos e parafusos e possibilitado que fossem feitas esculturas. Chamou atenção para o risco que representa para todos que utilizam as estradas o resto de material que cai dos veículos ou que é jogado fora;
- Sugestão de Santiago: oficiar ao DNIT para limpeza dos acostamentos;
- Carnaciclo: O Professor Miltão discorreu sobre o projeto Carnaciclo, oportunidade em que manifestou sua tristeza com o não engajamento dos demais grupos no projeto. Esclareceu que a data será mantida, entretanto, será dada uma roupagem de menor dimensão;
- Sugestão de Santiago e Fabiano: Que os eventos sejam planejados de forma a evitar choques de horários;
- Café da Manhã com Motoristas: Fabiano da Bicicletada expôs o projeto que está previsto para o próximo dia 26/02. Esclareceu que é uma forma de aproximar motoristas de ônibus e ciclistas;
- Página eletrônica da ACIRN: O Presidente esclareceu que ainda não foi efetivada;
- Sugestão de Santiago: Realizar reuniões da ACIRN em Parnamirim, Macaiba e São Gonçalo;
- Próxima reunião: 21/03/2011, no mesmo local.
20/02/2011
Pedal da Lua e do Sol
Como já é de praxe realizamos mais um pedal sob o olhar atento da deusa Lua. É uma sensação maravilhosa e quem nunca foi deve fazer um esforço para no próximo nos acompanhar, ou então seguir com qualquer outro grupo. Não deixe de ir, pois é uma sensação maravilhosa e um encontro mágico com a natureza noturna.
Saímos com um pouco de atraso, mas nada capaz de tirar o nosso ânimo de pedalar. O grupo teve a seguinte composição: Benilton, Bené, Celita, Claudia Celi, Evandro, Felipe Centauro, João Paulo, Kleberson, Raimundo e Serginho. No carro de apoio o nosso companheiro Rodolfo assumiu mais uma vez o papel de motorista, pois a notícia que tenho é que a bicicleta dele somente tem serventia para pendurar cuecas e pano de chão, não sei se nessa ordem. Na função de copiloto o meu filho Guilherme Lima, que começou a dormir em Nova Parnamirim e só acordou em Bananeiras e ainda teve a cara de pau de dizer: "pai eu vi um bocado de raposa na estrada!!!".
Logo no início quando chegamos na curva da Coophab o primeiro pneu furado já marcou presença na bicicleta de Raimundinho. Rapidamente Felipe da Centauro tratou de tirar a roda traseira fora e iniciou um verdadeiro processo cirúrgico com o objetivo de identificar o elemento causador do furo. Foi tanto alisado no pneu, que até parecia que o homem tava acariciando a mulher dele. Enquanto Felipe tratava do alisamento pneumático o Doutor Kleberson, cuja especialidade é bem mais profunda, tratava de ofertar opiniões sobre qual a melhor forma de identificar o causador da furada. Garanto a vocês se dependesse de Kleberson nós ainda estaríamos na curva da Coophab divagando acerca do método mais eficaz para encontrar no escuro um espinho no pneu de uma bicicleta.
Feito o reparo seguimos o nosso caminho. Assim que subimos a ladeira de Cajupiranga e chegamos no posto da rodovia de acesso a Pium encontramos um enorme grupo de ciclistas de Parnamirim, capitaneados por Eurismar, da loja Ponto Bike. Dei uma olhada rápida e na minha contagem tinha aproximadamente uns cinco mil ciclistas, de ambos os sexos. O grupo se juntou ao nosso e nos acompanhou até a rodovia apelidada pelos ciclistas de Calcinha Preta. Nos despedimos, deixamos nossos contatos e o convite para pedalarmos juntos em outras oportunidades. Para mim é muito gratificante ver em plena sexta-feira tantas pessoas reunidas em torno de uma atividade tão benéfica à saúde.
Deixamos o asfalto e entramos pela estrada de Japecanga, passando por Curralinho e Curral da Junta até alcançarmos novamente o asfalto na rodovia 160. No caminho todos os aromas da natureza estavam disponíveis, o barulho das cigarras e dos grilhos foi capaz de arrepiar os cabelos da cabeça de Evandro. Somente para melhor ilustrar a questão dos cheiros da mata tenho que dizer a vocês que Celita estava com uma coçeira na garganta e quando passamos ao lado de uma fileira de eucaliptos, o aroma era tão intenso que a mulher ficou curada na hora.
Chegamos então na cidade de Vera Cruz e como alguns estavam com fome resolvemos fazer uma parada para um lanche. A minha opção, assim como a de outros, foi comer um sanduíche de frango, mas garanto a vocês que o bicho que estava dentro daquele pão jamais chegou sequer a pinto. Mas para dizer que a parada não foi em vão é preciso consignar que ali encontramos a coca-cola mais gelada que já tomei na minha vida. Basta dizer que até hoje a tarde Bené disse que ainda tava com os beiços dormentes de tão gelado que tava o refrigerante.
Seguimos até Quatro Bocas e de lá passamos em Lagoa de Pedras, Serrinha e chegamos em Santo Antônio do Salto da Onça à 00h50min. Preciso registrar que durante todo caminho afora o carro de apoio somente encontramos uma ambulância que passou com a sirene ligada. Nesse primeiro dia foram aproximadamente 79 Km pedalados e a média foi de 14 Km/h.
O DMRB (Departamento Médico do Rapadura Biker), cujos plantonistas, coincidentemente, eram Bené e Raimundinho, não registraram nenhuma ocorrência, a não ser o fato de que Felipe da Centauro e João Paulo estavam com tanta dor nas bundas que já estavam disposto a fazerem qualquer negócios com as mercadorias.Tudo culpa dos selins super fininhos que eles usaram, mas tudo bem, cada um é responsável por seu rabo.
Fomos até o Hotel Continental e ali o vigia do estabelecimento já nos aguardava com um molho de chaves nas mãos. Mais do que imediatamente o rapaz subiu numa bicicleta e nos guiou até a entrada do hotel. Nesse momento Claudia Celi seguiu no carro de apoio no rumo de Bananeiras, objetivando as providências para o almoço do dia seguinte.
Na divisão dos apartamento eu fiquei na companhia de Bené e Serginho, este descobriu que pedalar faz muito bem para o seu intestino e sempre que pretende dar uma cagadinha basta pedalar 70 ou 80 Km.
Como no quarto tinha beliche Bené resolveu relembrar os tempos de adolescência e foi dormir na parte de cima. Desnecessário dizer que o homem agora já tá beirando os 48 anos e foi quase 15 minutos para ele chegar no pico do beliche.
No outro dia o café da manhã foi de lascar: tinha grande variedade de sucos, frutas, bolos, pães, bolachas, dois tipos de cuscuz, ovo, carne, salsicha, enfim uma verdadeira mesa farta.
Às 07h17min tomamos o rumo de Nova Cruz. No caminho uma parada para fotografia no Bar do Batman, que tá mais parecido com um "motelzinho" de beira de estrada. Foram aproximadamente 20 Km de asfalto, contra o vento, mas fácil de vencer.
Saímos de Nova Cruz no sentido de Logradouro-PB e enfrentamos mais ou menos 16 Km de estrada de barro em um sol de rachar. O engraçado era que a gente pedalava e parecia que os pneus grudavam no chão. Foi muito estranho. No meio do caminho uma parada no Distrito do Braga, uma boa sombra e um refrigerante para espantar o calor.
Alcançamos Logradouro e voltamos ao asfalto. Após 03 Km chegamos em Caiçara e ali nos esperavam os Rapaduras Naldo e Adriana, acompanhados dos ciclistas de Bananeiras: André, Fernandinho e Juninho. A galera já estava numa sombra, com uma melancia cortada e uma ruma de banana para nosso deleite.
Fomos então enfrentar mais 15 Km até Belém-PB e ali encontramos os nossos coelgas Leo e Olney. Ficamos conversando no estabelecimento de Leo e logo em seguida chegou Fernando Amaral com sua esposa e amigos de Bananeiras, trazendo uma Kombi entupida de frutas e água gelada. O carro tava tão cheio de frutas que até parecia que ia deixar encomenda na Ceasa. Fizemos a festa e depois de renovadas as energias seguimos para enfrentar o trecho final, os 15 Km de subida até Bananeiras. Nesse ponto alguns resolveram seguir na Kombi de Fernando, ao passo que outros foram com Suzy, que passou a nos acompanhar no carro de Evandro e Celita.
Os primeiros 7 Km de subida (O Moura) não foram tão difíceis. O asfalto bom e o acostamento largo. No caminho uma paradinha para um banho de bica: água fria descendo direto da serra. Uma delícia!.
Chegamos então no povoado de Roma e por opção do grupo resolvemos seguir por trilha, evitando assim a famosa subida do Para Velho, cujo nome já diz tudo.
Ah menino! Quem pensa que a nossa escolha foi a melhor tá muito enganado. Logo no começo uma subida de calçamento que mais parecia as ladeiras de Salvador. Quanto mais você sobe, mais subida vai aparecendo. Quanto você chega em cima tem uma descidinha rápida só pra enganar e então termina o calçamento e começa o barro, ou seja, o que era ruim ficou péssimo. E tome subida. Nunca na minha vida desejei tanto ter mais uma coroa bem pequeneninha. E tome subida. Basta dizer a vocês que a paisagem é linda, mas o cabra não tem sequer tempo, nem coragem e nem força pra apertar o pitoco da máquina. E tome subida.
Depois de muito sofrimento e como se fosse um presente do céu o nosso amigo Fernandinho Amaral (ciclista de Bananeiras) sentiu uma cãimbra tão grande nas duas pernas que caiu com bicicleta e tudo. Não demorou muito e já surgiram descendo a ladeira a Kombi de Fernando Amaral e o meu carro guiado por Rodolfo. Combinamos então que não haveria mais sofrimento, pois ninguém tava ali para pagar promessa. Colocamos as bicicletas nos carros e fizemos os três quilômetros restantes no conforto.
Chegamos em Bananeira após 70 Km pedalados e uma média de 10 Km/h. O clima tava como sempre muito agradável. Tratamos de começar os trabalhos sociais e de fazer a resenha do pedal. Desta feita o grupo já estava grande e cada vez chegando mais gente, inclusive os Rapaduras Afonso e Alda, juntamente com as filhas, que foram nos honrar com suas presenças.
O tempo foi passando e alguém pediu música. Não demorou muito e já surgiu um violeiro bom da molinga chamado Saulo. Mais um pouco e chegou Marcos, cover de Benito de Paula. Foi melodia até umas horas, sendo suficiente dizer a vocês que houve até um acréscimo na escala musical, pois em determinado momento foi solicitado ao violeiro um "ló menor". Não sei se o violeiro entendeu, mas asseguro a vocês que a música saiu e era de excelente qualidade.
Hoje acordamos mais enfadados do que soldado depois do plantão. Saímos de Bananeiras após o tradicional pirão de Dona Deusinha e Seu Edvaldo, pais de Naldo. Pense numa comida boa e forte. O cabra recupera todas as energias perdidas e volta pra casa doido pra saber quando vai ser o próximo pedal.
P.S.: Tem umas fotos. Depois eu coloco só pra fazer inveja a quem não foi.
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