01/03/2011

O atropelamento de ciclistas em Porto Alegre

Na última sexta-feira (25/02/2011) a minha caixa de e-mail começou a ser bombardeada com a trágica notícia dos fatos ocorridos na Bicicletada de Porto Alegre-RS. As informações não estavam sozinhas, mas acompanhadas de imagens, por sinais bastante fortes.
De imediato começaram as reações de indignação, umas inclusive bastante enfáticas, desejando ao motorista atropelador os piores castigos possíveis.
Chamou particularmente a minha atenção o fato de que alguns comentadores do criminoso evento começaram a tentar inverter os valores da questão, querendo culpar o Movimento Bicicletada por ter os seus membros brutalmente atropelados. A minha primeira reação a tal posicionamento foi de retrucar com veemência, mas preferi ficar acompanhando as discussões, sedimentando melhor as minhas convicções.
Sem muita pretensão acadêmica posso dizer que conheço a Bicicletada, tanto do ponto de vista histórico, pois sempre acompanhei o seu desenrolar no mundo até a sua chegada ao Brasil, como também do ponto de vista prático, pois tive oportunidade de participar do movimento aqui em Natal-RN, por duas vezes. Conheço diversos dos seus integrantes e sei de ciência própria que são pessoas sérias, trabalhadoras e respeitadoras. Posso afirmar sem medo de errar que é um movimento limpo, com estilo reividicatório próprio e uma ideologia calcada em um mundo mais harmonioso, onde carros, bicicletas e pessoas possam utilizar das rotas de acesso sem conflitos. Não posso, portanto, jamais considerar como acertada a pecha de que se trata de um movimento irresponsável e que sai para as ruas para conflitar diretamente com motoristas. Quem assim pensa não conhece a Bicicletada.
É a partir dessa premissa que posso asseverar que os fatos praticados pelo motorista de Porto Alegre foi nitidamente criminoso e o que é pior, intencional. Não se tratou de um ato culposo, ou seja, derivado de uma conduta imprudente, negligente ou imperita, mas sim de uma ação calcada na vontade de obter resultados ruínosos. Falar em legítima defesa nesse caso concreto é um verdadeiro atentado ao Direito. Dizer que foi um ato estúpido de intolerância é com certeza a melhor definição para o triste quadro pintado pelo motorista criminoso.
Observem no vídeo e nos diversos depoimentos das testemunhas presenciais que o motorista criminoso arrancou com seu veículo de forma deliberada e violenta contra uma massa que foi surpreendida com a ação. O ato foi essencialmente covarde, pois os ciclistas foram atingidos pelas costas e sequer tiveram tempo de esboçar uma reação.
O motorista criminoso tanto tem ciência do seu ato que fugiu da cena do crime e abandonou o veículo.
A intolerância desse homem ontem foi contra um grupo de ciclistas e igual modo poderia ter sido contra um grupo de manifestantes que resolveu fechar uma rua, um aglomerado de pessoas seguindo um funeral ou qualquer outro grupo que estivesse no seu caminho, atrapalhando o seu "valioso" tempo.
O mundo todo comenta o vídeo e ficou estarrecido com tal ato de violência. Desta feita não tivemos nenhuma vítima fatal, o que não diminuí em nada a atitude criminosa praticada. Espero que os fatos sirvam para chamar a atenção de todos e possibilitem uma melhor reflexão sobre o nosso comportamento no trânsito.
Punição para o criminoso, é o que se espera.
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