07/09/2011

Pedal dos Baobás no Vale do Assú II

VERSÃO INFORMAL (RESENHAS):

CONCENTRAÇÃO:

Chegamos no local combinado e grande parte do grupo já se encontrava, outros iam chegando de bicicleta ou trazidos por algum parente.
O filho de Vitória fez questão de deixá-la no ponto de embarque e revelou que estava muito satisfeito em ficar tomando conta da casa. Disse a mãe que não se preocupasse e não tivesse pressa para retornar. Acho que o menino estava mal intencionado. Em rápida conversa entre o rapaz e Camboim ouvi daquele a revelação que Vitória anda levando sua bicicleta para o quarto, ao ponto que os filhos dizem que ela tem um "namocleta".
A arrumação das bicicletas em cima da F400 já havia começado e Jadson subiu para ajudar. Novamente os colchões de Rochinha foram de grande utilidade, pois tinha ciclista que estava tão preocupado em não arranhar a magrela que trouxe de casa um verdadeiro arsenal de objetos de proteção. Tinha bicicleta lá que de tão enrolada parecia uma múmia.
Mas quem achou que já tinha visto tudo em relação aos cuidados com a bicicleta estava muito enganado, pois teve gente que resolveu levar sua montaria dentro do ônibus, chegando ao ponto de colocá-la sentada em uma das confortáveis poltronas, colocando até travesseiro no guidão. Tenho certeza se tivesse havido alguma reclamação por parte do motorista o ciclista não faria questão de seguir a viagem em pé, desde que a sua bicicleta estivesse devidamente acomodada.

NO ÔNIBUS:

Dentro do ônibus percebemos que o sistema de ar-condicionado era de primeiro mundo. Basta dizer que de tão moderno ninguém sabia operar o bicho direito para regular a temperatura, de modo que viemos na velocidade três até o Assú. Por sorte não teve chuva no caminho, pois certamente seria necessário utilizar sombrinha e guarda-chuva, itens que não fizemos constar como obrigatórios para os participantes.
Tão logo ganhamos a estrada Vitória juntou-se com Angelike, Claudia Celi e outras garotas e começaram a seleção de elenco para a encenação da peça sobre saúde bucal. Foram estabelecidos diversos critérios técnicos e após trinta quilômetros percorridos o elenco já estava completo. A grande dificuldade foi a quem caberia o papel de fio dental, havendo um páreo duro entre Miltinho e Jadson, mas no final nenhum dos dois ficou com o encargo.
Definidos os papeis teve início o ensaio. Moab, a quem coube a função de escova, mostrou-se bastante desenvolto. Um verdadeiro artista. Para garantir o papel o homem executou várias performances, tendo inclusive dançado uma música baiana com bastante habilidade, escovando-se tal e qual um mussum, de tão escorregadio. Revelou-se não somente um excelente bailarino, mas também um excelente imitador de bicha, ao ponto de alguém perguntar se aquilo era mesmo imitação ou se aquela Coca era Fanta.
O veículo tinha piloto e co-piloto. O cabra da direção não alisava e não tinha pena de apertar o acelerador. Pra vocês terem uma ideia se o motorista do ônibus pedalasse ele era da turma de Mulatinho e Ismar, ou seja, vão e voltam no Cajueiro de Pirangi no mesmo ritmo de guiné acasalando.
Em determinado momento Seu Cuca resolveu interrogar o motorista sobre a velocidade constante e a resposta não foi muito animadora: "é que tá com pouco freio, então não posso aliviar". Tá certo, melhor seria não saber da notícia. Ainda bem que só faltam cem quilômetros.
Em Lajes do Cabugi paramos para tomar café e a expectativa era grande em saber o tamanho do prato de Regina Grampão, pois ela já vinha reclamando que somente aqueles pedaços de abacaxi e aqueles biscoitinhos servidos pela rodomoça (Vitória) não tinha dado nem pra acordar a lombriga vigia. Uma parte do grupo ficou na lanchonete e outra foi até o restaurante. Fui nesse segundo grupo e constatei que a danada come muito. O prato dela tinha mais ou menos uns seis pães, cada um com uma cobertura diferente. Quando achei que ela tinha acabado, chegou da cozinha uma panela cheia de salsicha e Regina foi em cima, comendo a iguaria com aproximadamente dois pratos de cuscuz, uns pedaços de galinha caipira, ovo e cobertura de coalhada. Pense num tubão!!!
Enquanto Regina comia feito um condenado à forca observei o outro lado da moeda: Jac colocou uma fatia de melancia e uns pedacinhos de outras frutas. Parecia mais comida de sabiá. O interessante é que na hora de pagar as contas os valores de ambas foi bastante parecido. Não entendi nada.
No time dos homens também observei um cabra comedor. Refiro-me a Luciano Cambraia. Fiquei somente apreensivo quando ele passou perto dos queijos de coalho e de manteiga, pois da última vez que fizemos uma trilha e ele ingeriu lacticínios foi uma verdadeira trilha de bosta. O homem tava parecendo ambientalista xiita: não podia ver uma moita que já pulava dentro. Ainda bem que ele não enfrentou os queijos, pois caso contrário ia faltar banheiro no Vale do Assú.
Nós aproximávamos do Assú e a equipe cicloartística continuava seus ensaios, entoando paródias odontológicas. Graças a Deus eu não estava de ressaca, pois o povo era mais desafinado do que peido de vaca.

O PEDAL NAS RUAS DO ASSÚ:

Fomos muito bem recebidos na cidade e ficamos em determinado ponto fazendo os preparativos finais para iniciar o passeio. Recebemos as camisas do evento e alguns ciclistas ficaram parecendo com boneco de posto de gasolina.
No local tinha um carro de som do tamanho do mundo e na locução tinha um cidadão que não tinha pena de falar. O homem parecia uma matraca e quando você achava que ele já tinha falado tudo lá vinha ele com mais uma pérola. O mais incrível é que ele não conseguiu pronunciar a palavra Baobá nem por cem e uma cocada. Registrei umas cento e vinte palavras diferentes, mas somente como exemplo vou mencionar algumas: boabá, beabá, beobó, biubú, barobá, bamboá e samburá. Mais a melhor de todas foi quando ele foi anunciar o nome do grande bailarino Moab Escova. Ele conseguiu confundir Moab com Baobá e registrou a presença do ciclista-bailarino da seguinte forma: "Presente também com o grupo o ciclista MAOBÁ". Agora lascou!!!
Não andamos nenhum quilômetro e começou um chafurdo de pneu furado. A cidade tem mais espinho do que a coroa de Jesus. Somente para ilustrar contei 855 espinhos na câmara de ar do pneu traseiro da bicicleta de Seu Cuca. Foram necessários duas pinças e uma lupa para localizar os bichos e depois de recolhidos deu pra encher um balde.
Segue o passeio: o Prefeito na frente do grupo e o povo todo acenando para o homem. O cabra parece que é muito querido no lugar. Acontece que o homem esqueceu que pedalar no sol de meio dia é serviço pra cangaçeiro, de forma que em determinado trecho o Prefeito começou a ficar vermelho e não acertava uma marcha da bicicleta. Também com um calor daqueles acho até que ele pedalou muito.
Chegamos na Rádio Princesa do Vale e o incansável locutor continuava sua pregação. Até agora ainda não conseguiu dizer o nome Baobá.
Dali seguimos pra uma das saídas da cidade e nesse ponto o sol tava de rachar. Teve uma hora que deu um vento tão quente, mas tão quente, que empenou as lentes do meu óculos. Noutro momento tive que parar numa sombra pois parecia que a borracha do pneu tava derretendo. De dentro da bermuda arrochada vinha um cheiro de ovo cozinhado danado.
Paramos em um posto de combustível na BR 304 e alguns resolveram seguir pedalando até os Baobás da Lagoa do Piató.

NOS BAOBÁS DA LAGOA DO PIATÓ:

Fiquei dentro do ônibus com a maioria do grupo e quem veio conosco foi Júnior Verona. Já era mais de meio dia e a sede era grande. Alguns veículos pequenos nos acompanhavam e dentre eles tinha um bugre. Olhei e vi no banco traseiro do carro uma caixa cheia de cerveja. Informei a Júnior Verona e o homem ficou doido, tratando de arrumar uma estratégia para pegar as geladas. Não demorou e Júnior já apareceu com umas cevas geladas e em pouco tempo acabou o estoque do dono do carro. Sei que vi o cara procurando as cervejas, mas era o canto mais limpo.
Na saída da Fazenda Curralinho a ilustre Secretaria da ACIRN, Angelike, teve um passamento. Apareceu doutor e doutora de tudo que é lado. Foi um verdadeiro furdunço dentro do ônibus. Todo mundo querendo oferecer um remédio. Não demorou muito e a ambulância que estava na frente encostou e o Professor Raimundo tratou de levar Angelike até o veículo. Aqui Vitória que além de dentista, ciclista e rodomoça revelou ter mais uma profisão: enfermeira, tendo acompanhado de perto sua mais nova paciente. Um detalhe interessante é que Angelike mesmo passando mal, bem pertinho de desmaiar, estava o tempo todo preocupada em não jogar o copo plástico no chão. Pense numa mulher ecologicamente correta.
Surgiram várias versões para a turica de Angelike, mas de todas elas a que mais deu ibope foi a de que a ciclista foi tocada pela força do Baobá, recebendo uma forte descarga energética, ao ponto de regressar a uma vida passada em que foi latifundiária no Vale do Assú. O fato é que depois de passar o transe ela voltou ao nosso mundo e quando despertou o calor do Assú tava pior ainda. Ah, quando Haroldo Mota soube que Angelike estava sendo conduzida até a ambulância o homem que estava na frente do comboio, saltou do carro e saiu numa desabalada carreira, mas parecendo uma jaguar correndo nas savanas. Teve quem alegasse que parecia outro bicho, mas não vou dizer nem o nome de quem falou, nem o bicho mencionado.

O ALMOÇO:

Correu tudo bem na hora da comilança. Tudo muito gostoso e farto.
Alguns ciclistas não foram vistos no almoço, mas não pelo fato de que não estavam presentes, mas por que o prato era tão repleto de comida que formava uma barreira impedindo de ver as feições do autor da façanha.
Outros optaram por fazer pratos pequenos, porém passaram pela mesa umas três vezes.

O HOTEL:

A hospedagem foi excelente. Quando finalmente adentrei no recinto já encontrei Evandro e Celita com os trabalhos iniciados. Não demorou muito e a dupla ganhou reforço.
Soubemos que haveria um concurso de miss naquela noite na cidade e grande parte das concorrentes estavam hospedadas naquele hotel. Bastou essa informação para que Jadson esquecesse sua bicicleta e formasse dupla com Paulo Victor para começar a azarar as misses. Sei que era um tal de miss pra um lado e uma ruma de rapazes exibindo músculos. Jadson começou a encher os peitos e foi com força pra cima das misses. Dançou com a moças, tirou fotos, desfilou e foi até confudido com um ator global que atualmente tem um problema de saúde. Enfim um verdadeiro Jadson Gianequimio.
Os quartos foram divididos, de acordo com as circunstâncias: esposo com esposa, namorado com namorada, amigos mais chegados e relações modernas possíveis. Todo mundo se acomodou de forma confortável e pelo que me consta todo mundo dormiu bem, afora aqueles que optaram por passar a noite acordados.

NO PORTO DA LAGOA DE PIATÓ:

No final da tarde seguimos de ônibus para o Porto da Lagoa de Piató, comunidade escolhida para que fizessémos nossas intervenções.
Chegamos cedo e ficamos interagindo com as pessoas do lugar. No meio da praça tem um quiosque e a cerveja de lá estava no melhor estilo "canela de pedreiro". Enquanto as coisas eram preparadas para as "palestras" uma parte do grupo ficou "molhando o peritônio".
No momento da apresentação da palestra de Vitória, logo quando ela começou a falar, a insigne Secretaria da ACIRN, Angelike, devidamente recuperada da bilola vespertina, chegou ao local conduzida por um mototaxista. Um dos membros do grupo cujo nome não posso revelar, mas que chamaremos de sósia de Lanchinho (visto por trás) revelou ser um talentoso animador de comício. O homem arrebatou o microfone das mãos da Doutora e anunciou com toda força e alegria a chegada de Angelike. Foi sucesso total. um verdadeiro bafo. Todo mundo queria conhecer a Secretaria da ACIRN e até o mototaxista responsável pela corrida ficou envaidecido, chegado ao ponto de dizer: "Se eu soubesse que era uma autoridade tão potente eu não tinha cobrado só dois contos".
Transpassada a entrada triunfal de Angelike teve início a apresentação do teatro de bonecos. Não sei por qual motivo escalaram Júnior Verona para segurar um dos lados do pano que serve para esconder os cicloatores que dão vida aos bonecos. Ocorre que enquanto a palestra não começava o Verona tratou de emborcar umas cervejas e umas doses de 51, de modo que o pano não ficou firme em nenhum momento, pois Júnior mal se aguentava em pé, imagine o pano. Eu estava do outro lado e não me aguentava com a cena. Não bastasse isso, era um microfone sem fio que Claudia Celi tinha que passar para todos os cicloatores, de forma que acho que nos divertimos mais do que a platéia.

continua...