26/09/2011

Semana do Dia Mundial Sem Carro 2011: minhas impressões

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Começo dizendo do meu entusiasmo com as ações desenvolvidas em Natal na semana alusiva ao Dia Mundial Sem Carro. Acho que apesar da pequena participação dos ciclistas em alguns eventos tivemos uma ótima oportunidade de demarcar nosso espaço, o que ao meu ver foi feito.
Não é possível conceber as ações desenvolvidas durante a semana sem citar o nome do Movimento Bicicletada. Os voluntários, apesar de poucos, deram uma verdadeira lição de perseverança, ousadia e compromisso com a causa que abraçam. Não vou citar nomes de pessoas, pois entendo que o Movimento não precisa ser rotulado como sendo pertencente a ninguém, pois seguramente essa não é sua essência.
Participei no 1º dia dos Diálogos sobre Mobilidade Urbana na UFRN. Apesar de chegar um pouco atrasado tive a oportunidade de ouvir os reclamos de membros da comunidade acadêmica e as explicações do gestor. Percebi o óbvio: a universidade é a academia e por sua própria natureza é um excelente canal para traçarmos nossas experiências de mobilidade. Concluí que devemos explorar mais os recursos e oportunidades que a UFRN nos oferece, buscando aliados nos Centros Acadêmicos, DCE, Sindicatos e Associações. Temos ali um excelente laboratório para nossas práticas. Não se pode perder de vista que muita coisa boa que foi incorporada ao nosso cotidiano teve como nascedouro a universidade.No 2º dia levei falta, mas tive a justificativa de comemorar o aniversário de Cláudia Celi. Soube que a participação foi tímida, mas o que importa é que ocorreu, ou seja, o compromisso foi cumprido. Para me redimir da falta vou pedir emprestado o documentário Sociedade do Automóvel a Marcos Lemos e assistirei com a minha família.
O 3º dia foi estimulante. Ouvir uma experiência de sucesso na Administração Pública em nossa País é sempre algo que alimenta a alma. Constatar que é possível executar projetos cicloviários e ambientais em uma cidade parecida com a nossa é algo que nos fornece alento. Ouvi cada palavra do Prefeito de Sorocaba, Vitor Lippi, e resgatei em mim algo que acreditava perdido: acreditar em um político. Vou manter acesa essa chama e tratar de procurar outras práticas semelhantes. Não bastasse a brilhante apresentação do Prefeito, o que poderia ser mera "perfumaria", tive a oportunidade de constatar pessoalmente que por trás do Gestor Público existe um homem culto e preparado para lidar com os desafios que a vida moderna oferece. Fiquei deveras impressionado.
O 4º dia foi emblemático.Aqui em casa resolvemos vivenciar o DMSC em família. As crias acordaram cedinho para encarar o busão no rumo da escola. As reclamações foram muitas, mas no final compreenderam o sentido. Tiveram sorte e no caminho até a parada de ônibus encontraram uma carona. Tudo bem, o que não pode é utilizar o nosso carro. Claudia Celi era pura adrenalina. Fazia tempo que eu não via a galega daquele jeito. Na hora de sair a sua bicicleta-girafa apresentou um problema incrível: a corrente deu um nó como eu nunca tinha visto antes. Tratamos de pegar outra bicicleta e a mulher pedalou com bastante destreza até o Bairro de Petrópolis, passando pela via conada e enfrentando com categoria o trânsito intenso daquele dia. Já eu pedalei 63 Km por diversas ruas de nossa cidade e senti na própria pele as agruras de um ciclista urbano. Levei finas, ouvi palavrões, respingos de lama vieram em minha direção, passei por inúmeras crateras do nosso enorme casulo, enfrentei o sol escaldante, tomei chuva e mesmo assim cheguei em casa feliz e convicto de que a bicicleta é o melhor transporte que existe para deslocamento urbano. O contraponto de todos os revezes que mencionei foi que motoristas diversos passaram ao meu lado e respeitaram a distância legal, outros buzinaram interagindo com minhas sinalizações e o mais importante de tudo é que muitas pessoas vieram perguntar sobre a minha experiência e percebi nelas um grande interesse em agir da mesma forma. Na subida da Ponte Newton Navarro encontrei um ciclista e enquanto subia a ladeira eu fiz a minha pregação sobre o Dia Mundial Sem Carro:  a atenção do cara foi total. Nem senti a subida. Quando cheguei nas proximidades do Carrefour da Zona Norte a minha água acabou e entrei num mercadinho para comprar mais. A dona do estabelecimento ao saber que eu estava vindo de Nova Parnamirim de bicicleta não queria cobrar a água. Também fiz a cantilena sobre o DMSC.
O desfecho foi participar da Massa Crítica. Foram vários quilômetros com um grupo bastante heterogêneo de ciclistas, ou como dizia minha vó: tinha homem, mulher, menino e papagaio. Na volta ainda tive a oportunidade de vivenciar um "bike bus", retornando ao lar na companhia de diversos ciclistas que foram se espalhando no caminho.
O 5º dia foi outra experiência interessante e peculiar. O desafio intermodal foi realizado com significativa participação. Coube-me fazer o trajeto utilizando os modais bicicleta e trem. Os pontos positivos foram: nenhum problema para embarcar a bicicleta dobrável no vagão do trem, o preço da tarifa (R$ 0,50), o interesse despertado nos passageiros do trem e sentir que se for bem planejado o modal trem-bike é um excelente instrumento em prol do trabalhador. Como pontos negativos ressalto o desconforto do trem e a falta de estruturação das paradas. Suficiente dizer que ao descermos do trem tivemos que ter ajuda dos passageiros em razão da diferença de altura da plataforma (ou ausência desta) e o trem.
No 6º dia levei falta novamente, pois tinha um compromisso já assumido com a galera do Rapadura Biker. O fato é que não me afastei da bicicleta e quem me acompanhou sabe que também contribuímos muito no sábado para divulgar a bicicleta como um veículo limpo, saudável e viável.
Na Casa da Indústria: palestra do Prefeito de Sorocaba
Ainda na Casa da Indústria.
Desafio Intermodal: bicicleta e trem ao lado de Angelike.

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Benilton, a narração/texto ficaram ótimos como sempre.
    Mas olha a minha tensão nessa foto rsrsrsr... Dava para acender a sinalização do meu capacete rsrsrsrsrsr.

    O Intermodal 2011, apesar do calor e atraso do trem, foi uma ótima experiência. Espero participar da ação, em 2011, com mais amigos.

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  3. ótima narrativa, excelente a participação, o crescimento e o despertar... em 2012 nó podemos e nós faremos melhor!!!

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