20/01/2014

Expedição LITORAL NORTE - 4º DIA - DIOGO LOPES-PONTA DO MEL - 86, 7 Km.



EXPEDIÇÃO LITORAL NORTE – 4º DIA – DIOGO LOPES-PONTA DO MEL

Nossa saída de Diogo Lopes foi tranquila, pois tomamos café da manhã sem pressa e dessa vez mudamos os planos, não mais fazendo a travessia de barco de Macau a Porto do Mangue, mas seguindo por dentro da Salina Henrique Lage e fazendo uma rápida travessia de barco no Riacho dos Cavalos.
Até Macau o trajeto foi todo de asfalto e o trecho tem muito movimento de caminhões da Petrobras, mas como era domingo o trânsito estava tranquilo. A temperatura estava amena e o grupo evoluiu sem muita dificuldade.
Nos primeiros 10 Km vi quando Raira aproximou-se ofegante e pediu para o carro de apoio adiantar, pois estava precisando trocar de roupa. De início lembrei de Angelike e Jac quando fizeram uma certa viagem de bicicleta e esqueceram de “ir no osso”, chegando na Reta Tabajara mais assadas do que espetinho no final da Festa do Boi, sendo necessário Moab Reieira acudi-las com dois extintores de incêndio, os quais obteve por empréstimo de um gentil motorista de carreta. Até então eu não tinha prestado atenção em Raira, mas nesse momento a garrafinha presa na minha bicicleta caiu e tive que parar, momento em que ela passou por mim. Entendi então o motivo da sua agonia: a mulher estava vestida tal e qual a mulher gato, toda com roupa preta e quando o calor apertou, a gata miou e pediu leite. Entendi então a razão do seu sobrenome.
Resolvida a questão do modelito de Raira Leite e aproveitando a parada em um posto de combustível para abastecimento, seguimos o nosso caminho, pois Macau estava bem próximo.
Não demorou e encontramos o símbolo marcante na entrada da cidade – o Moinho de Sal – com sua imponência, registrando qual a atividade econômica ali predominante. Lembrei dos amigos Jean e Gringo, ciclistas macauenses que desta vez não puderam nos acompanhar. Soube depois que Gringo ainda nos aguardou até 08h30min, mas teve um “desarranjo” e foi assumir o seu lugar no trono.
Ainda na entrada da cidade nos deparamos com a espuma de sal de um lado e outro. Para os menos desavisados parece neve, tendo até alguém sugerido pelo rádio fazer um boneco.
Fomos recebidos por Winston, irmão de Helena (se o nome dele não for esse ela não vai sossegar enquanto eu não corrigir), com um quadricoptero fazendo uma filmagem da nossa chegada. Paramos no posto para novo abastecimento e dali seguimos pela ponte da Ilha de Santana e depois entramos na zona da Salina Henrique Lage, sempre guiados por Winston, pois o caminho não era por nós conhecido.
De um lado e do outro a visão tem a seguinte tríade: areia, água e sal. Reina um silêncio gostoso e o odor é de água sanitária.
Quem vinha fechando o grupo era o Sargento Josias, pois o Cabo Dantas estava com pressa, pois tinha um encontro mais adiante (depois eu conto). Pois saibam que o Sargento Josias, aquele que chegou no Rapadura Biker chamando bolacha de “naiacha”, foi abordado no caminho por uma Kombi entupida de mulheres, as quais queriam saber do garboso infante como proceder para serem introduzidas naquele grupo. De imediato o Sargento utilizou da sua eloquência peculiar, forneceu todas as informações pleiteadas e se despediu das donzelas dizendo que o seu nome era Genilson, pretendendo assim escapar das vassouradas quando chegasse em casa.
Enquanto tudo isso acontecia na retaguarda, o grosso do grupo seguia totalmente alheio aos acontecimentos e logo chegou ao ponto do rio em que seria feita a travessia de barco. O barqueiro informou a lotação – três ciclistas e quatro bicicletas, ao custo de R$ 2,00 por cabeça. O primeiro grupo foi embora e assim sucessivamente. A região é ainda muito rica em caranguejos e tive que usar de todas as minhas forças para conter Claudia Celi e Raira Leite, as quais pretendiam a todo custo levar uma corda do crustáceo.
A travessia foi muito tranquila e o último grupo contou com uma celebridade dentro do barco, permitindo-se inclusive ser fotografado. Refiro-me ao “Patropi”, aquele personagem da Praça é Nossa (vide foto adiante), que estava no local estudando o mercado para um novo modelo de negócio: salão de depilação para caranguejos, cujo nome soou estranho “Depica”.
No outro lado obtivemos informação sobre o caminho a seguir e a resposta foi altamente pedagógica: “siga a estrada”. Seguimos a orientação e mais adiante nos encontramos com um motociclista, tendo prestado informação mais segura: “siga em frente e quando encontrar o mata-burro entre à direita”. Foi perfeito!!!
Nesse ponto o Cabo Dantas e Berenilson Abeane tinham ganhado a dianteira. Fiquei curioso para saber o motivo de tanta pressa e somente mais adiante entendi o motivo. Quando alcançamos o asfalto recebi pelo rádio a notícia de que o Cabo já estava sentado no “Bar da Vacora”, tomando algo gelado e nos aguardando. De longe vi a cor do estabelecimento e percebi que ali era tudo menos um bar familiar. Chegando mais perto vi as garçonetes e a dúvida virou certeza: as “vacoras” faziam jus ao nome (Significado de vacora no Dicionário inFormal online de Português. O que é vacora: Pessoa escorneada, apaixonada, sofrendo por um amor.) e quando perguntei se tinha cerveja preta recebi uma resposta “caliente” e um olhar “fuzilante”: “a pretinha não tem, mas tem a loirinha”. Na saída ainda recebi um convite para voltar mais tarde, sem as mulheres. Preferi deixar a missão para o Cabo, pois afinal ele deu a entender já ser conhecedor do terreno, tendo provavelmente utilizado a mangueira do carro pipa naquela região.
Já passava do meio dia quando chegamos ao trevo de acesso a cidade de Porto do Mangue. Nova parada para hidratar, com a competência peculiar do Pinto e Guilherme no apoio.
Seguimos então pelo asfalto, ladeados por dunas, especialmente as rosadas. A pista é invadida pela areia e exige cuidado do ciclista, pois qualquer descuido pode levá-lo ao chão.
Alcançamos à Praia do Rosado e fomos direto para a beira da praia, pedalando na larga orla do lugar.
De longe avistamos a lona de um circo na beira da praia e de início ficamos sem entender. Mais uma vez a explicação veio do Cabo Dantas, esclarecendo que seu irmão veio de Natal para buscá-lo e armou literalmente um circo na praia, tinha nome e tudo: “Circo dos Hermanos”.
Nossa chegada à Pousada do Beiral foi tranquila, exceto pelo estrago na região furical de Dr. Othon. Não tive coragem de ver, mas o enfermeiro de plantão afirmou que o troço tava feio. Foi necessário um tubo de xilocaína para aliviar o sufoco na região, tudo acrescido de um botão de hemorroidas que resolveu aflorar em plena Ponta do Mel.
Após hospedados nos reunimos para almoçar, resenhar e nos despedirmos de Cabo Dantas, Sargento Josias e Dr. Othon, com voo marcado para às 16h32min daquele dia, na Companhia Aérea Los Hermanos. Nesse momento, após ouvirmos as palavras de agradecimento de Josias, foi indagado ao grupo sobre a possibilidade de pararmos a viagem ali, pois nossa diária somente acabaria ao meio dia da segunda-feira e a maré somente estaria propícia por volta das 13h00min, nos forçando a pedalar pelo asfalto, coisa que não era muito interessante. Por unanimidade resolvemos ficar e acredito tenha sido essa uma excelente opção.
No dia seguinte foi somente banho de mar, cerveja e peixe frito, somente esperando a hora de fechar a conta e embarcar de volta para Natal, o que aconteceu por volta das 15h30min.
Encerramos mais essa aventura contabilizando 66 (sessenta e seis) praias do litoral norte do nosso Estado, algumas por muito desconhecidas (Prainha, Piracabú, Anéis, Ponta de Santa Cruz, Garças, Gameleira, Espalhadinha, Cardeiro, Xepa, Maceió, Reduto, Três Irmãos, Serafim, Santa Luzia, Minhoto, Ponta do Anjo e Pedra Grande), outras por demais populares (Praia do Meio, Redinha, Genipabu, Pitangui, Barra de Maxaranguape, Touros, São Miguel do Gostoso, Caiçara do Norte, Galinhos, Macau e Ponta do Mel). Tudo muito lindo e disponível para quem tem coragem e disposição para pedalar.
Obrigado a todos os Rapaduras participantes da expedição. Até a próxima.






Nessa foto tem outra estrela da TV. Quem identifica?










Registro fotográfico do Patropi.