10/03/2011

Carnaval em Bananeiras: trilhas, diversão e tranquilidade

Saímos de Natal na sexta-feira no final da tarde (04/03/2011) e seguimos no rumo da Chapada da Borborema com as bicicletas devidamente acondicionadas no carro. Chegamos em Bananeiras por volta das 19h00min e após deixar a família em casa fui até a oficina de Robertinho, em Solânea, pois precisava colocar o líquido selante nos pneus da minha bike, já que o produto anteriormente encomendado chegou justamente naquele dia. Descobrimos que a fita de proteção havia sido atingida por um prego enorme no pedal da terça na Rota do Sol e sendo assim resolvemos que melhor seria solucionar o problema no outro dia com mais calma.
Diante de tal situação, já por volta das 21h30min, quando retornei para casa encontrei Vinicius e Juliana, vindos de Petrolina-PE e Antonino e Pollyana, vindos de Natal-RN. Tratei de esquecer o aborrecimento com a bike e resolvi tratar de coisas mais amenas: tomar um delicioso vinho na companhia da família e dos amigos recém chegados. Foi a decisão mais acertada.
No sábado o dia amanheceu meio chuvoso e fui até a Pousada da Estação para verificar se mais alguém tinha chegado. Encontrei de imediato Neide (a mulher do gás), já eletrizada e querendo saber da programação bicicletal. No apartamento estava Seu Cuca (também conhecido como Romualdo) deitado de bucho pra cima, pouco interessado nas pedaladas, mas querendo saber quando começariam os trabalhos de levantamento de copos, especialidade na qual o homem é medalha de ouro, inclusive devendo representar o nosso País nas próximas olímpiadas. Em outro quarto encontrei o simpático casal Flávio e Carol, que iriam visitar Naldo Bananeiras, na casa dos pais deste.
Na companhia de Fernando Amaral segui para o Condomínio objetivando traçar uma estratégia para o dia, pois a minha bike ainda não estava pronta. Como  estava meio chuvoso resolvemos  fazer um passeio de 4 x 4, seguindo no rumo do Engenho da Rainha, Cruzeiro de Roma, Cachoeiras de Borborema e do Roncador. O engenho estava fechado, mas foi possível visitar a moenda. Em Roma o visual é maravilhoso, permitindo avistar várias cidades da região. A Cachoeira de Borborema tinha pouca água, mas também é uma bela paisagem. Já na Cachoeira do Roncador, que também estava com pouca água, fomos recepcionados por uma legião de maruins que nos atacaram com força, deixando as meninas de pernas brancas como se estivessem com catapora. O pior de tudo é que você não via os danados dos mosquitos, mas as picadas eram sentidas com intensidade. Foi uma verdadeira surra.
Voltamos no final da tarde para Bananeiras e somente recebi minha bike por volta das 18h00min do sábado. Na volta da oficina encontrei Naldo e Adriana que tinham acabado de chegar de uma trilha juntamente com Flávio e Carol.
Por ocasião do jantar combinamos qual seria o passeio do domingo e depois de várias sugestões decidimos que o melhor seria Serraria-RN, via Solânea-PB. Marcamos hora e local de saída e fomos dormir. Shirley e Well também marcaram presença, inclusive com este retomando os pedais.
No domingo a concentração foi na Praça Central de Bananeiras-RN e começamos o dia com uma boa surpresa: André e Fabiano chegaram de Passa e Fica para nos acompanhar na trilha. Serginho também veio de Natal na companhia de Suzy, sendo que ainda não foi desta vez que ela encarou uma trilha conosco, mas acho que isso é só uma questão de tempo. Ciclistas de Bananeiras e Solânea vieram aumentar o grupo e logo no início do trajeto encontramos uma turma de João Pessoa que resolveu nos acompanhar. Formamos assim um pelotão de mais de vinte e cinco ciclistas.
O trajeto total foi de aproximadamente 33 Km, com muita descida e logicamente bastante subida. Quando chegamos em Borborema encontramos outro grupo de ciclistas de Recife que seguia no rumo do Roncador. Paramos para juntar a turma e definimos uma estratégia: uma parte seguiria para Bananeiras pelo asfalto e outra pela Trilha dos Côcos. Fiquei na última hipótese e não me arrependi: a paisagem é muito linda.
Enquanto nós enfrentávamos os Côcos, lá no Condomínio estavam Pollyana, Juliana e Vinícius comendo tripa de porco. Diz a lenda que se emendassem toda a tripa que esse trio comeu dava mais ou menos os 33 Km da trilha que fizemos. O resultado dessa comilança tripal quem sentiu na pele e nas fuças foi Antonino Bezerrão, pois na hora de dormir foi uma peidorança sem igual dentro do quarto, de forma que o cabra somente conseguiu pegar no sono depois de colocar algodão nos ouvidos e na venta, passando a respirar somente pela boca, fazendo uso de uma técnica ninja aprendida com pescadores de lagosta de Rio do Fogo.
Alheio às pedaladas Seu Cuca continuava o seu trabalho de mapeamento dos melhores locais para tomar uma em Bananeiras, mantendo assim o seu treinamento em dia.
Ainda no domingo, no retorno da trilha paramos na Pousada da Estação e Seu Cuca já estava se exercitando. Mais do que imediatamente fomos prestar a nossa solidariedade e o resultado disso tudo foi que rolou banda de frevo e desfile em carro aberto pelas ruas da cidade, dando assim o primeiro sinal de que era carnaval, pois até então nada fazia lembrar a data. Para ilustrar melhor como foi a animação vou destacar dois momentos da festa: o primeiro foi que as passistas da Escola de Samba Unidos do Rapadura Biker (Claudia e Neide) ministraram um curso intensivo para as baianas da Escola de Samba de Bananeiras; o segundo foi quando Vinicius encontrou um bebum (Rogério) que passou a ser o seu segurança na festa, inclusive oferecendo-se para fazer uma faxina na casa dele. Como diz Doutora Vera Lúcia: Pense num carrego grande.
No dia seguinte (segunda-feira) houve uma divisão: Flávio, Carol e Neide foram juntamente com Robertinho de Solânea pedalando até Pilões para deixar André e Fabiano que resolveram seguir viagem até João Pessoa-PB. A galera que estava em minha casa resolveu fazer um trekking na trilha do Condomínio e depois fomos comer uma galinhada na propriedade de amigos. Na volta tivemos ainda uma sessão de churrasco, oportunidade em que Vinicius demonstrou que tá perdendo tempo com a Medicina, pois já tá pronto para abrir uma barraca de espetinhos. Já pode contar com um cliente certo, que sou eu.
Chegou o último dia de carnaval (terça-feira) e resolvemos fazer uma trilha mais amena, desta feita contando com a participação de Pollyana e Juliana, que já tinham se recuperado do efeito colateral das tripas. Fomos com Fernando Amaral e a galera de Solânea (Agnaldo, Wellington, Capa Rosa e outros) no rumo da Trilha da Gamela. Quando chegamos na parte baixa da trilha caiu uma chuva nível 3, ou seja, molha até o pensamento da pessoa. Foi uma dureza enfrentar a subida na chuva, pois o barro além de escorregar muito, também prendia os pneus ao solo. Em determinado momento Juliana pediu arrego e tratou de subir em um caminhão da Energisa, contando com a solidariedade de Polly e Vinicius.
Vou esclarecer desde já que Claudia Celi somente não foi pedalar nesse dia (se eu não colocar isso vai ser a semana toda de reclamação aqui em casa) por ter ficado tomando conta de Guilherme que no dia anterior tinha sofrido uma queda de bicicleta, acrescentando mais uns trófeus a sua galeria de arranhões.
Mais tarde teve frevo no Condomínio, mas a nossa participação foi muito discreta, mas como tava todo mundo desconfiado da tripa de porco resolveram pedir uma comida mais light: um rubacão. O resultado foi que no banheiro social apareceu uma peça de excremento tão volumosa que mesmo após 75 descargas o danado continuava acenando para nós. A solução foi seguir a orientação fornecida por Seu Cuca, lembrando de uma experiência em outro carnaval: engessar os braços com papel higiênico e tirar o bicho lá de dentro da marra. Não sei quem foi o(a) autor(a) da obra, nem tampouco quem fez o transbordo, mas posso afirmar que o danado foi eliminado e a paz voltou a reinar no banheiro social.
Hoje (quarta-feira) chegou o momento de voltar ao lar e a sensação foi muito boa e principalmente, sem ressaca. Resta agora dormir e voltar ao batente amanhã.
P.S.: Sábado tem Serra da Formiga, lá em Riachuelo.
P.S.2.:  Lembram que eu mencionei um ciclista de Solânea que atende pelo singelo nome de Capa Rosa. Pois bem, o cabra é tão magro, mais tão magro mesmo, que um dia desses ele passou mal no pedal e levaram ele para o posto de saúde. O médico que atendeu, após realizar um minucioso exame, afirmou que o único lugar possível para aplicar uma injeção era a sandália havaiana do rapaz.

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