06/05/2011

A calça das gringas: fim da seca no Nordeste.

Um dia desses Miltinho chegou "todo ancho" na Rota do Sol e informou aos amigos que tinha feito uma compras nas "gringas" de uns acessórios e equipamentos de ciclismo. Disse das vantagens de comprar os produtos lá fora, levando em conta o preço e qualidade. O único ponto negativo, segundo disse o autor da prosa foi a demora, pois teve que esperar aproximadamente trinta dias para receber a encomenda. Dentre os produtos adquiridos veio uma calça, sendo que a peça além de não ter o forro alcochoado (essencial para proteger nossas partes), veio com a agravante de ser tamanho grande da Europa, ou seja, cabia folgado dentro dela além de Miltinho, Jadson Lacraia e Serginho das Minhocas.
Conversa vai, conversa vem, Miltinho abriu o jogo e disse que tinha planos de vender a calça pelo preço adquirido. Não deixei o homem pestanejar e não esperei oferta de ninguém: vi o produto e na hora disse que tinha interesse em ficar com a calça.
Cheguei em casa e tratei de experimentar a "celoura" e fiquei muito satisfeito com o que vi. Além de não ficar totalmente coladinha no corpo, tem umas tiras em baixo que serve para prender nos solados, evitando assim que fique "coronha".
Na Semana Santa coloquei a vestimenta na mochila e levei no rumo das Bananeiras. Quando fui procurar a calça pra vestir não encontrei, muito embora estivesse certo de tê-la levado. O fato é que além de não encontrar a roupa, tive que adiar o pedal pois começou a cair um pé d´água daqueles que faz Noé procurar sombrinha no armário de Noemá, sua esposa.
Fiquei cismado com aquilo, mas tratei de esquecer.
De volta ao lar fiquei esperando a primeira oportunidade para inaugurar a calça na Rota do Sol. Chegou a terça-feira e fui, parodiando Naldo Bananeiras, "colocar o meu modelito". Camisa combinando com a sapatilha, meia limpa e seca, calça vestida e tudo pronto para pedalar. Bastou sair do portão do condomínio para cair um toró daqueles que tira até sujeira do umbigo. Foram apenas três minutos de água, mas suficientes para me deixar ensopado da sapatilha ao capacete. Voltei para casa arrasado e na porta encontrei Guilherme Lima (irônico tal qual a genitora) que já foi perguntando: "isso tudo é suor?". Desnecessário dizer qual foi a minha resposta. Pedi arrêgo, vesti um pijama e fui jogar um game de guerra pra tentar esqueçer o ocorrido.
Passou a quarta e chegou a quinta. Fiquei calado o dia todo e não comentei com ninguém que ia pedalar, pois toda vez que falo isso a chuva vem com força. Na hora certa lá vou eu no rumo da Rota do Sol. 20h00min,  aproximadamente seis ciclistas reunidos, saímos em direção ao maior cajueiro do mundo. Não deu nem tempo chegar na Barreira do Inferno: desta feita parece que pegaram toda aquela água da barragem Armando Ribeiro e resolveram derramar em cima de mim. Fui e voltei mais ensopado do que comida de mercado.
Estou agora arrumando a roupa que vou usar amanhã e somente por precaução vou levar a calça dentro de uma mochila, pois de uma coisa tenho certeza: se tiver fazendo muito sol, basta usar a calça das gringas que o tempo fecha na hora.
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