06/05/2011

A verdadeira estória de Cambraia

Para quem ingressou no Rapadura Biker há pouco tempo já deve ter ouvido falar de um dos nossos integrantes chamado carinhosamente pelo epíteto de "Luciano Cambraia". O interessante é que sempre que o nome "Cambraia" é pronunciado, segue-se uma sessão de discretos sorrisos.
O fato concreto é que venho sendo cobrado para esclarecer a origem do apelido "Cambraia" e, confesso, já fugi várias vezes de tal incumbência.
Hoje resolvi que o assunto será devidamente esclarecido, mas como sou apenas o contador da estória, resolvi convidar um dos protagonistas do ocorrido: 14h00min, do dia 06 de maio de 2011, acabo de receber em minha casa o "iron man" do Rapadura Biker, Júnior Verona.
Mesa posta, um excelente vinho da região de Pirrassununga-SP, safra 51 e para "degostar" trezentos gramas de umbús gentilmente cedidos por um segurança do condomínio.
Fui direto ao assunto, tal qual médico de hospital público: Doutor Júnior, esclareça de uma vez por todas essa conversa de Cambraia, pois os leitores estão querendo saber. Após um breve pigarro, disse Júnior:
"Quando eu era menino o meu avô tinha uma vaquinha apelidada pelo mimoso nome de Cambraia. Naquela época, um menino de dez anos não tinha playstation, shopping center, msn, internet e coisa tal, de forma que a diversão era toda fornecida pela natureza: subir e cair de árvores, brincar de fazenda com melão caetano e fazer arremesso de pedras. Pois bem, o tempo foi passando e o menino foi crescendo. Um belo dia o menino Júnior sentiu a necessidade de extrapolar os seus horizontes, de forma que passou a ver a vaquinha Cambraia com outros olhos. Assim foi que surgiu um "sentimento" ecológico entre o homem e a vaca, possibilitando, digamos, um escambo de prazer.
A vaquinha Cambraia ficou assim marcada na vida daquele mancebo, pois foi na verdade o seu primeiro "grande amor", pois admite que teve uma intrínseca relação de apego, ao ponto de sair de casa durante a madrugada para encontrar amparo nas partes quentes do mamífero.
O tempo passou e um belo dia estamos nós do Rapadura Biker fazendo a Trilha da Linha. No grupo estão, dentre outros: Augusto Macaíba (o ciclista que virou marinheiro), Júnior Verona, Luciano e eu. O pedal segue tranquilo e em determinado trecho Júnior Verona se depara com uma vaca encostada no tronco de uma árvore, coçando-se e retirando alguns carrapatos após o seu almoço. Naquele momento uma lágrima rolou do olho esquerdo de Júnior Verona que disse: "Que saudade de Cambraia". Luciano que era o mais próximo de Júnior ficou de imediato preocupado e disse algumas palavras de incentivo ao colega, dando a entender que também já tinha compartilhado de experiência parecida em sua infância. A cena seguinte foi comovente: Júnior Verona e Luciano abraçados, chorando e lamentando a ausência da vaquinha que um dia lhes deu tanto carinho.
Daquele dia então Luciano incorporou ao seu nome o apelido de "Cambraia", de forma que hoje é conhecido no ciclomundo como Luciano Cambraia.
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