21/01/2011

Os Doutores do Rapadura

Ah, tem sim!!! Pra quem pensa que no grupo só tem ciclista, tá muito enganado.
Descobrimos o primeiro Doutor na Serra da Formiga, lá em Riachuelo, desafio que somente se submete quem tem o fiofó apertado. Se você que entrar nesse tal de "monta e baque" siga no rumo da Formiga que vai ver o que é bom pra tosse.
Foi nos idos de 2009 que o caso aconteceu. Doutor Júnior Verona, também conhecido no submundo como Pedro Gomes, resolveu encarar a Serra da Formiga depois de uma noite de farra. Saímos de Natal às 05h00min da manhã, o homem foi o primeiro a apertar a campainha lá de casa. Chegou mais enfadado do que bermuda de borracheiro e doido para pedalar. Olhei pra bicicleta e de cara já encontrei os dois pneus vazios: problema fácil de resolver.
Arrumamos as bikes no Doblô, passamos em Parnamirim para pegar Uziel (veja como o causo é antigo) e seguimos o nosso destino. No começo é só alegria (Benéééééééé). Os primeiros cinco quilômetros são mais planos do que régua de primário, mas logo depois da grande curva, quando se avista o calçamento, começa o sofrimento.
Doutor Júnior subiu a serra tal e qual menino que inaugura  cabaré. Era só botando!. E tome serra.
Nessa época eu carregava uma gripe que já durava três anos, portanto, tinha que ir devagar. O resto do grupo subiu com força.
Quando chegamos no meio da serra Doutor Júnior começou a chamar Jesus de Genésio e cachorro de cacho. Foi hilário, mas também deu medo.
Olhei pra um lado, somente serra, olhei pra o outro, Professor Raimundo. Diante de um biólogo me veio a idéia: mentir. Disse a Júnior que tivesse calma, pois Raimundo tinha o remédio para o passamento. O professor, mais experiente do que cearense com fome, de imediato disse: baixe a cabeça que vou passar o lenimento. Júnior que já estava vendo Nosso Lar não contou conversa, baixou o quengo. De imediato Raimundo derramou água gelada na cabeça do elemento. Esperamos alguns segundos e perguntamos como ele estava. A resposta foi: tô bonzinho. Em seguida uma pergunta: cumpade Benilton que negócio bom foi esse. Respondi sem pestanejar: é um gel americano que a gente só usa em caso de urgência. Diz a lenda que Júnior pedalou até Natal nesse dia e não quer mais saber de andar de carro.
A outra ocorrência envolveu uma Doutora de verdade. Inventamos de fazer um pedal em Vera Cruz, saindo da Fazenda das Minhocas, do nosso amigo Serginho. No começo foi tudo maravilhoso. Depois dos primeiros quinze quilômetros as coisas começaram a ficar escuras. A trilha começou a ficar estreita, a areia mais fofa e o sol mais quente do que testa de febrento.
Mais adiante uma parada debaixo de uns pés de não sei o nome, mas também não adianta perguntar. De repente a Doutora Adriana, a única médica juramentada do grupo, resolveu ter uma falta de ar. A respiração da mulher ficou parecida com ventilador do Paraguai (aqueles cor de rosa, verde e azul) na velocidade um. Era só zumbido. Todo mundo ficou preocupado, mas como a própria ofendida era Doutora no assunto, resolvemos esperar a opinião dela. Que foi: isso é um broncoespamo, que vem a ser um estreitamento da luz bronquial como consequência da contração da musculatura dos brônquios. Todo grupo ficou estupefato, ou melhor, abestalhado. Foi então que o nosso médico de plantão, Doutor Bené, soltou a seguinte pérola: o nome disso é chiado, já tive muito quando era menino. O riso foi geral e o passeio seguiu.
A última intervenção da equipe médica do Rapadura ocorreu no pedal de Natal até Santa Cruz, para visitar a recém inaugurada estátua de Santa Rita de Cássia.
Júnior Verona chegou lá em casa novamente de ressaca e desta vez esqueceu de tirar a cueca, ou seja, pedalar com aquela bermuda arrochada e com cueca é a mesma coisa que condenar os ovos à forca. No começo o homem resistiu bem. Tomou café em Dona Diva e não reclamou de nada. Quando passou da casa de farinha começou a reclamação. Cumpade "tô todo assado". Resposta: calma que vou acionar a equipe de plantão. O enfermeiro era Bené e o médico era Professor Raimundo. Encontramos um extenso banco de madeira e começamos os procedimentos: o paciente deitou de bunda pra cima (de cu pra riba) e baixou a bermuda. Raimundo sacou de um pincel de quatro polegadas e Bené começou a lambuzar o rego da vítima com pomada hipoglós vencida em 2007. Foi só alegria. A cada pincelada o homem levantava a bunda e o banco tremia. Tudo foi registrado e os retratos estão disponíveis para quem quiser pagar a bagatela de cinco contos. O fato é que o homi pedalou até a Santa e não sentiu mais nenhuma coçeira no furico.
P.S.: Essa quem pediu pra escrever foi Antonino Bezerrão, portanto, quem quiser dar porrada procure o homem.
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